[Report] - Transiberiano 2019 (Parte 2)

PaulaCoelho

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ROTA TRANSIBERIANA 2019

RÚSSIA: Sibéria

Este relato sobre a minha aventura transiberiana dá continuidade ao anterior sobre Moscovo e Ecaterimburgo - [Report] - Transiberiano 2019 - e centra-se nos dias passados no comboio e nas áreas de Irkutsk e Ulan-Ude.


Dias 6 e 7 – Comboio até Irkutsk

* No final do 5º dia de viagem apanhamos o comboio nº 070Ч para Irkutsk e nele permanecemos durante três noites e dois dias… foram 53 horas com 3 fusos horários e em que as actividades variaram entre beber chá, dormir, beber café, ler um livro, comer, ouvir música, sair à rua nas 3 ou 4 vezes em que o tempo de paragem permitiu caminhar um pouco pela estação, ver filmes no telemóvel, ir até ao vagão-restaurante, jogar às cartas… voltar a dormir e a repetir tudo no dia seguinte 😊

* Esta viagem foi feita em 2ª classe, no meu vagão iam poucos russos e apanhei um grupo da agência Intrepid Travel composto por australianos e americanos na casa dos 60 anos e a guia russa ia na minha cabine, pelo que deu para trocar algumas impressões dos respectivos países. A maior diferença para a viagem anterior de comboio é o facto de as cabines terem porta em vez do espaço aberto da 3ª classe e o bilhete incluir roupa de cama e uma refeição. Durante este percurso de cerca de 3500km o tempo foi variando entre calor, sol, chuva, frio e alguma neve.


* No vagão está afixada uma folha com as paragens para sabermos em quais temos tempo de sair um pouco à rua… em quase todas as estações existem algumas locomotivas antigas bonitas e numa das paragens tive a esperteza de atravessar a linha para a ver de perto e fui logo chamada à atenção pela polícia e “escoltada” pela passagem subterrânea de volta ao meu comboio! :rolleyes:
 
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PaulaCoelho

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Dia 8 – Irkutsk

* Chegamos a Irkutsk por volta das 6h30 do 8º dia de viagem e estava um frio imenso! Quando compramos os bilhetes de comboio reservamos 4 dias nesta zona para irmos até à Ilha Olkhon mas mais perto da viagem desistimos dessa ideia pois pareceu um pouco cansativo após 3 dias enfiadas num comboio, andar grande parte dos 3 dias seguintes “a comer pó” pois a ilha fica a cerca de 6h de carro de Irkutsk… assim ficamos com 4 dias relaxados em Irkutsk indo um dia a Listvyanka/Baikal e um dia fazer o comboio Circum-Baikal Express. Tendo em conta que no dia do tour de comboio e no último dia tínhamos de estar na Estação Ferroviária cedo, optamos por nos alojar nesta área pois em 15 minutos de autocarro estamos no centro. Ficamos 4 noites no Hostel Dobryy Kot: Good Cat, Irkutsk, Rússia.

* Largamos as mochilas, apanhamos o autocarro para o centro e procuramos onde tomar o pequeno-almoço, o que foi difícil pois a maioria dos locais abre às 10h e apenas encontramos um supermercado para comprar comida e um KFC para beber café! Irkutsk é uma das maiores cidades da Sibéria, agradável e plana, óptima para visitar a pé e apreciar a arquitectura, com boa comida a preço acessível e é também um bom ponto de partida para visitar o Lago Baikal, Listvyanka e outras aldeias. A rede de transportes é boa apesar de bastante velha e na cidade cada bilhete custa 20R de dia e 25R de noite pagando-se ao motorista na paragem de saída.

* Existe uma linha verde no chão a marcar os principais locais turísticos para visitar em 1 dia e uma linha vermelha para o segundo dia: passa pelas ruelas da zona antiga repleta de bonitas casas de madeira (algumas em mau estado de conservação), praças com várias estátuas, ao longo do rio até ao Mosteiro Znamesnsky, pelo Arco, as Catedrais perto da Praça Kirova, as avenidas Lenina e Karlova e junto a cada marco histórico/turístico existe um número e uma placa explicativa.


* Terminamos a manhã no 130 Kvartal, um bairro animado e cheio de restaurantes à entrada do qual existe uma estátua de Babr, um dos símbolos da cidade e que representa uma espécie de tigre com cauda e patas de castor com uma marta na boca… este animal híbrido parece ter sido resultado de uma má interpretação das palavras “babr” (tigre na Sibéria) e “bobr” (castor) ocorrido nos anos 1600 quando foi criado o brasão da cidade. Almoçamos no simpático restaurante Rassolnik, visitamos a Igreja de Santa Cruz e caminhamos até ao parque da Ilha Yunosti onde é possível fazer um passeio de comboio turístico.
 

PaulaCoelho

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Dia 9 – Listvyanka e Lago Baikal

* De manhã apanhamos o autocarro até à zona do Mercado Central e procuramos as carrinhas que fazem o trajecto até Listvyanka, aldeia nas margens do Lago Baikal. O bilhete custa 140R cada trajecto de 1h15, as carrinhas levam umas 15/20 pessoas e pelo que percebi vão partindo à medida que enchem. Muitas das carrinhas em que andamos durante a viagem têm estofos em veludo, cortinados, rendas e até os autocarros tinham pequenas cortinas rendadas… e em vez do típico ambientador em forma de pinheiro para dar cheiro têm muitas vezes um ambientador com a bandeira russa ou a imagem do Putin!


* O Lago Baikal é o mais antigo e profundo do planeta com 25 milhões de anos e uma profundidade conhecida de 1680 metros, tem 636km de comprimento e 80km de largura e tem cerca de 20% da água doce líquida do mundo. Desaguam nele cerca de 300 rios, tem vários peixes endémicos sendo o omul o mais conhecido. É bonito em qualquer estação mas no inverno será certamente especial pois é possível caminhar nele e atravessá-lo de carro. Chegadas ao destino percorremos a longa avenida juntamente com uma japonesa que viajava sozinha, passando por muitas casas de madeira, o Museu, o Retro-Park cheio de velharias, a igreja e o Mercado do Peixe.


* Tentamos descobrir o trilho até ao miradouro no cimo do monte mas não demos com ele e no “posto de turismo” onde anunciavam falar francês e inglês (sabiam talvez uma meia dúzia de palavras!) também não nos souberam explicar, pelo que depois de fazermos a enorme marginal para trás e para a frente a fome venceu. Almoçamos muito bem no restaurante do Hotel Mayak, onde a minha excelente sopa de peixe veio acompanhada de um shot de boa vodka 😁
Depois fizemos um passeio de barco por 500R cada pessoa com duração de cerca de 1h15 e paragem numa praia e ao final do dia regressamos a Irkuskt.


 

PaulaCoelho

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Dia 10 – Circum-Baikal Express

* Neste dia decidimos fazer o comboio turístico Circum Baikal Express, cujo bilhete pedimos ao hostel para nos comprar pois sai mais barato do que comprar às agências com site em inglês. Custa cerca de 70€ e é um passeio de dia inteiro que inicia com uma viagem de comboio normal até Slyudyanka onde temos cerca de 30 minutos para dar uma volta enquanto acoplam à carruagem duas locomotivas a vapor antigas. Esta linha férrea foi construída há mais de 100 anos ao longo da margem do lago e foi utilizada na primeira metade do século passado até à construção da nova ferrovia, sendo actualmente muito utilizada para passeios turísticos.
Seguimos caminho em marcha lenta ao longo das margens do Baikal atravessando vários túneis e viadutos e fazendo 4-5 paragens com duração entre 20 minutos a 1h30 em locais históricos da linha: Staraya, Angasolka, Ponte Shabartuysky, Rio Polovinaya e Muralha “Italiana”, nos quais podemos passear pela área e descansar.
É possível reservar refeições no comboio ou levar pic-nic para o dia.



*A viagem de comboio termina em Port Baikal cerca das 18h25, atravessamos o Rio Angara no ferry até Listvyanka de onde seguimos em autocarro de regresso a Irkutsk chegando cerca das 21h.
 
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PaulaCoelho

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Dia 11 – Museu Taltsy e Irkuskt

* No último dia em Irkutsk decidimos visitar o Museu Taltsy situado no campo à beira do Rio Angara, a cerca de 50km da cidade.
Apanhamos a carrinha para Listvyanka saindo na paragem Taltsy e o bilhete custa 100-120R por trajecto. Este é um museu ao ar livre com edifícios em madeira dos séculos XVII ao XX, trazidos de toda a Sibéria (escola, igreja, torre de vigilância, cemitério, embarcações e mais) e com várias colecções etnográficas que nos mostram como viviam os povos da região. Existem também lojas de artesanato e produtos da região e dois restaurantes, tendo nós petiscado por lá.



*Voltámos à paragem, esperamos que aparecesse uma carrinha para nos levar de volta à cidade e caminhamos até à parte que ainda não tínhamos explorado fazendo o caminho do mercado à belíssima Catedral Kazan, Museu Dezembristas (oficiais do exército russo que se rebelaram em 1825 contra a coroação do Czar Nicolau I, tendo muitos dos sobreviventes se exilado na Sibéria), Mesquita Catedral, Museu CCCP e outros edifícios até ao Bairro 130 onde apanhamos o autocarro para o hostel.


* Nos dias passados em Irkutsk almoçamos sempre fora e aproveitamos a cozinha do hostel para fazer o jantar e poupar uns trocos.
 

PaulaCoelho

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Dia 12 – Comboio para Ulan Bator

* Acordamos cedo para mais uma viagem de comboio, seguindo às 8h no 306И para Ulan-Bator numa viagem de 22-24h dependendo do tempo nas fronteiras.
A viagem foi feita em 2ª classe (tentei comprar 3ª mas não existia neste comboio) e a nossa carruagem estava praticamente “invadida” por holandeses na casa dos 60 anos.
A primeira parte da viagem é feita ao longo do lago e a paisagem é espectacular!




* À tarde o comboio parou 45 minutos em Ulan-Ude e aproveitamos para andar um pouco pela estação e pela hora do jantar paramos quase 2h na fronteira em Naushki para que fossem fiscalizados passaportes, bagagens e cabines… aparentemente o meu passaporte não estava bem legível na máquina portátil pois de toda a carruagem penso que foi o único que levaram para o escritório na estação tendo regressado uns bons 20/30 minutos depois… daqui seguimos para a Mongólia onde nos esperava outra paragem de quase 2h para a fase dois da revista!



* Os dias 13 a 18 foram passados na Mongólia e ao final do último dia apanhamos um autocarro nocturno para Ulan-Ude na Rússia pelo que voltamos a passar pelos trâmites fronteiriços, felizmente um pouco mais rápidos pois o autocarro tem menos passageiros que o comboio. Optamos por regressar à Rússia e voar de Ulan-Ude a Moscovo pois na altura ficou bastante mais barato que o regresso pela Mongólia ou China.
 

PaulaCoelho

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Dias 19 e 20 –Ulan-Ude

* Chegamos a Ulan-Ude antes das 6h da manhã, depois de uma noite mal dormida devido ao tempo nas fronteiras em que temos de tirar a mala e passar pelo Rx por 2 vezes e também porque o autocarro é normal e não os típicos nocturnos em que as cadeiras reclinam e têm pousa-pés. Fomos todos largados à beira da estrada pois o terminal rodoviário ainda estava fechado, coloquei a morada do hotel no Maps.me e lá nos pusemos a caminho pois distava cerca de 1,5km.
Ficamos alojadas 2 noites no hotel Shumak: Hotel Shumak, Ulan-Ude, Rússia.
Esperamos um pouco que nos abrissem a porta e foi possível fazer logo o check-in, tomar duche e um bom pequeno-almoço no quarto.

* Ulan-Ude é a capital da Buriácia e uma boa base para visitar o Lago Baikal e os vários templos budistas da região, sendo uma cidade em que poucos falam inglês e onde se observa uma mistura de culturas entre Rússia e Mongólia. Além do lago e dos templos é também possível fazer passeios pelas montanhas em redor, visitar o Museu Etnográfico Narodov Zabaykal’ya (fecha à 2º e 3ªF, os dias em que lá estivemos) ou alguma Aldeia dos Vellhos Crentes, como Tarbagatay a 55km.

* O centro visita-se facilmente a pé e sem mapas, desde a Praça Sovetov à Catedral Odigitrievsky, o primeiro edifício de pedra da cidade cuja construção foi iniciada em 1741.
Na praça existe a maior escultura no mundo da cabeça de Lenin e foi nela que estivemos bastante tempo à conversa com um simpático casal do país basco, reformados, a viajar sem grande rumo e que vinha desde Espanha de caravana, seguindo depois para a Mongólia.
Os transportes por aqui têm um aspecto ainda mais velho que em Irkutsk e vem-se bastantes carrinhas russas UAZ-452 antigas como autocarro, polícia ou ambulância.


 

PaulaCoelho

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* No primeiro dia em Ulan-Ude, para além de vaguear pela cidade visitamos o Rinpoche Bagsha Datsan, templo situado numa colina a cerca de 4km a norte da cidade e com uma bela vista. Para lá chegar apanha-se a carrinha 97 na Praça Sovetov saindo na última paragem e o bilhete custa 20R. No templo existe uma estátua de Buda com 6 metros e à volta do recinto uma longa escadaria com estátuas dos signos do Zodíaco chinês, sendo esta caminhada feita no sentido do ponteiro do relógio.

 

PaulaCoelho

Membro Conhecido
* No segundo dia visitamos o Ivolginsky Datsan, o mosteiro budista mais importante da Rússia, situado a 30 km da cidade.
Para lá chegar apanha-se o autocarro 125/130 na paragem perto da Catedral Odigitrievsky até à última paragem (Ivolga) por 45R para uma viagem de 40 minutos e atravessa-se a estrada para apanhar a carrinha que nos leva ao templo em 10 minutos por 25R.

* Este complexo monástico tem sete templos, Universidade Budista, moradias dos monges, Museu de Arte Budista, hotel e muitas vacas a passear pelo recinto.
Num dos principais templos encontra-se o corpo preservado do 12º Pandido Khambo Lama Dashi-Dorzhi Itigelov (1852-1927) em posição de lótus.
O corpo foi exumado 75 anos após a sua morte segundo indicação deixada pelo próprio e aparentemente não existe explicação científica para o mantido estado de conservação.
Os budistas crêem que está em estado de sono e não morto e acreditam que ele desinteressadamente sente compaixão de todos e vêm em peregrinação pedir-lhe ajuda.
A relíquia pode ser vista apenas oito vezes por ano em feriados budistas e penso que também por grupos de peregrinos com alguma marcação prévia… não estivemos lá em nenhum feriado mas estava um grupo asiático de cerca de 20 pessoas a entrar e tentamos a sorte… nós a pedir em inglês e o monge a recusar em russo ou mongol umas três ou quatro vezes até que acedeu e nos deixou entrar! O Templo está trancado, todos entram para um corredor, depois uma ante sala com vidros e só depois o templo e o monge vai abrindo e trancando as portas. Vimos o corpo e é realmente incrível o estado de conservação e depois, sem perceber grande coisa, estivemos cerca de 30-40 minutos a assistir à cerimónia, às orações individuais (cada pessoa deita-se por três vezes numa tábua de madeira e faz a oração) e às bênçãos do monge. No final o monge voltou a abrir as portas uma a uma.



* Em ambos os templos existem tambores de oração coloridos chamados Khurde, sendo costume rodá-los no sentido do ponteiro do relógio… acreditam que rodar o tambor com pensamentos puros é equivalente a ler em voz alta os mantras nele contido além de trazer paz e tranquilidade, harmonizar o mundo exterior e expulsar os maus espíritos.
 

PaulaCoelho

Membro Conhecido
* A cidade tem muitos restaurantes com comida boa e barata.
Testamos o Shoshlykoff, onde não falavam inglês mas tinha imagens e a comida era boa mas o café veio frio!

O Shenekhenskiye Buuzy, onde não falavam inglês e inicialmente não nos queriam servir não sei se por sermos estrangeiras ou por servirem apenas um prato mas lá nos entendemos com alguma mímica e o tradutor… o local é uma tasca sempre cheia e tinha lido num blog que os dumplings aqui chamados buuz eram muito bons.
E o Orda, situado num hotel perto do nosso, falavam inglês e o menu era mais internacional mas bom.

* Na manhã do 21º dia de viagem despedimo-nos da Sibéria e regressamos para mais três dias em Moscovo num voo com duração de 6h30… mais demorado que fazer Lisboa-Moscovo mas “chegamos” 1h30 depois de partirmos devido ao fuso horário! A Pobeda é a companhia lowcost da Aeroflot, são bastantes rígidos com a bagagem de mão pelo que todos tiveram de colocar no medidor, a bagagem de porão é paga tal como a escolha de assento e não têm entretenimento nem serviço a bordo pelo que cada um tem de levar a sua comida.

* E assim termina o relato da minha aventura transiberiana por terras russas tendo a certeza de que quero voltar para explorar outras cidades pois regressei encantada com o pouco que conheci deste enorme país!
🤩🤩
 
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d3ci0

Membro Conhecido
Muito obrigado pela partilha!!!;)
É uma viagem espectacular, adorava fazer uma viagem semelhante :)!!!
Deve ter sido uma aventura inesquecível!
 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
@PaulaCoelho vi-me sentadinha no comboio, sem abrir mão do lugar à janela, a apreciar cada paisagem, cada detalhe! O lago Baikal deve ser a cereja no topo do bolo! Fantástica viagem, mesmo à minha medida e que talvez nunca faça. Mas viajar através destas fantásticas partilhas já é um privilégio. Obrigada e parabéns, as fotos estão lindas.😍😘
 

PaulaCoelho

Membro Conhecido
Obrigada, @Leonorb ... ainda não terminou, falta a parte da Mongólia ;)

Foi mesmo uma bela aventura, @d3ci0 😃
Certamente também irás adorar e espero que este relato dê algum incentivo!

@Antonia.M.S. , o lugar à janela é sempre fantástico 😍
Obrigada e força para começares a planear ... a logística é alguma mas até se faz nas calmas com alguma paciência.
 

CristinaBF

Membro Conhecido
Olá @PaulaCoelho parabéns pelo exelente report e pela grande aventura.
Lindas fotos e muito obrigada pela partilha.
Continuação de grandes viagens para grandes reportes.
:)
 

PauloNev

Moderador Sénior
Staff
Muito obrigado pela partilha.
Uma fantástica viagem, acompanhada de um report cheio de belas fotos.
Boas viagens ;)
 

rum

Moderador
Staff
Que maravilha de report. Aliás mais um report de grande qualidade. Deu para rever alguns locais e conhecer outros pelos quais não passei.

Só uma consideração sobre o Baikal, julgo que não e possível atravessá-lo de carro no inverno. A zona central do lago pelo que percebi não chega a congelar. A zona junto às margens sim, congela mas o centro acho que não. Também queria ter feito a viagem de comboio que contorna o lago... mas não havia tempo para tudo e como ia ter a minha dose sobre carris, optei por uma passei de trenó puxado por cães.

Vi que não deste muito destaque à catedral de Kazan. Vi muitas igrejas na Rússia e esta foi das que mais gostei. Estive lá e estava a decorrer uma missa pelo que não pude fotografar muito no interior.

Já agora sem fazeres muito spoiler, já que essa informação deve vir no próximo report, na passagem da Rússia para a Mongólia também vos incomodaram com a bagagem no raio-x como no regresso a Ulan-Ude? No meu caso na passagem da Rússia para a Mongólia nem de um lado nem do outro quiseram saber das minha bagagem... Perguntaram o que era meu, e não tocaram em nada, e tudo o que não era foi inspeccionado até ao tutano... Chineses e Mongóis são altamente controlados e multados por tudo e por nada nas fronteiras. E já agora, ao contrário de ti nunca apanhei ocidentais nos comboios, só na saída da Mongólia para a China é que apanhei dois miúdos Alemães no meu compartimento e havia mais alguns ocidentais nos outros compartimentos... de resto foi sempre gente local.
 

PaulaCoelho

Membro Conhecido
Obrigada @rum :) É sempre agradável rever aqui no Portal ou em revistas locais onde já estivemos.


Acho que escolhi mal a palavra quando escrevi "atravessar" o Baikal... referia-me a fazer passeios de 4x4 em partes do lago. Vi imensas fotos disso no restaurante em Listvyanka mas parece que é necessária autorização das autoridades para isso. Adoraria ter feito o passeio de trenó mas em Maio não há neve nem gelo suficientes para isso. Quem sabe não voltarei, mas só de pensar nas temperaturas de Janeiro a meio de Março já me congela alguns neurónios!:p
Não me passou pela cabeça que se podia atravessá-lo de uma ponta à outra mas agora deixaste-me curiosa e fui pesquisar e pelos vistos passou pela cabeça de alguns malucos!
Em 2014 um fotografo atravessou longitudinalmente em 1 semana (Stunning photos on 500-mile drive across FROZEN Lake Baikal in Siberia) e também encontrei relatos de travessias entre Listvyanka e Klyuevka na outra margem já perto de Ulan-Ude (este foi feito com pessoal de apoio e mais parece um anúncio à Mazda Great Drives: Ice-driving across Lake Baikal, Siberia, in a Mazda CX-5)... eu cá não sei se teria coragem!

Fui ler o que escrevi da Catedral de Kazan e realmente não lhe dei o destaque que merece... a par com a do Cristo Salvador em Moscovo também foi das que mais gostei tanto pela arquitectura exterior como pelo seu interior riquíssimo em pormenores e relíquias. Foi pena eu ter apanhado o altar principal cheio de andaimes.

A passagem na fronteira de autocarro é mais rápida mas obriga a sair até às instalações com a mochila atrás por 2 vezes para passar o Rx... no total, nas duas fronteiras penso que rondou pouco mais de 1h, um nadinha mais rápido que as quase 4h no comboio.
No comboio, penso que foi na parte russa, andaram por lá com um cão a cheirar as bagagens e levaram o meu passaporte! Na parte mongol mandaram colocar as malas todas à vista, andaram empoleirados na cabine e depois mandaram ficar 1 pessoa (fiquei eu) para abrir as 4 malas e espreitaram lá para dentro, passaram um detector e seguiram em frente.

Tiveste imensa sorte com os companheiros de viagem!! Eu não sabia, mas pelos vistos Maio já deve ser época alta para fazer o Transiberiano pois eu apanhei imensos estrangeiros.
Nesta última viagem, a carruagem era holandesa com duas tugas perdidas no meio... acho que é um pontaria ficar na carruagem "certa" ou não pois nas paragens viam-se russos e mongóis.
;)
 
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