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Oscar Reis

Membro Conhecido
Arqueologia
Ao longo da construção do Sistema de Metro Ligeiro da Área Metropolitana do Porto, vÁrios foram os locais onde se encontraram edificações e artefactos seculares, com grande interesse arqueológico. No âmbito dessas descobertas, o Metro do Porto teve sempre um especial envolvimento na preservação e restauro de todo o património arqueológico e arquitectónico envolvido, nomeadamente na Área de Património Mundial classificado pela UNESCO. À medida que a rede do Metro se foi desenvolvendo, as preocupações e os esforços no sentido de preservar o património foram constantes, tendo sido a protecção dos achados arqueológicos uma das grandes prioridades nas frentes de obra do Metro do Porto.

Desde o início do projecto que o Metro do Porto tem vindo a desenvolver o Programa de Salvaguarda do Património, em parceria com entidades públicas como o IPA (Instituto Português de Arqueologia), e o IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico). Este programa visa acompanhar, gerir e solucionar todas as situações relacionadas com o património envolvido na construção do Sistema de Metro Ligeiro da Área Metropolitana do Porto. Assim, sempre que, nas frentes de obra, surgem indícios da existência de artefactos ou sinais de que se estÁ numa zona com importância arqueológica, o Metro do Porto garante a perfeita exploração, preservação e restauro desses achados.

Ao longo da história do Metro do Porto foram desenvolvidas mais de três dezenas de campanhas arqueológicas em conjunto com o IPA e com o IPPAR. Todas essas campanhas decorreram nas fases prévias dos arranques de cada frente de obra e implicaram acções de escavação, de restauro e de preservação dos achados arqueológicos. Os principais exemplos são:

- Arca d’Água de Mijavelhas – Antes do início das obras na Estação do Campo 24 de Agosto, decorreram trabalhos de escavação arqueológica que revelaram a existência de uma mãe-d’Água com vÁrios séculos de existência. Estava trabalhada em alvenaria e tinha um “P” de Porto e as armas reais portuguesas gravadas nas suas paredes. Mais tarde, os arqueólogos vêm a descobrir que se trata da Arca de Mijavelhas, construída no século XVI para recolher para rega e para os moinhos a Água de uma nascente com o mesmo nome. No século XVII, a Arca d’Água foi utilizada para servir de Água a cidade do Porto e foi remodelada, no século XIX, para aumentar a sua capacidade. Depois de comprovado o interesse arqueológico desta descoberta, pelo Instituto Português do Património Arquitectónico, a mãe-d’Água foi desmontada e cuidadosamente guardada. Alguns meses mais tarde, é remontada perto do local onde foi encontrada e onde hoje se pode observar: no mezanino da Estação do Campo 24 de Agosto. Toda a intervenção arqueológica, no âmbito desta descoberta, implicou um atraso de um ano e meio nas obras da Estação do Campo 24 de Agosto;

- Sítio pré-histórico da Idade do Cobre - Localizado entre Mandim e o Castêlo da Maia, foi descoberto antes da construção da Linha Verde ©, que liga o ISMAI ao EstÁdio do Dragão;

- Variante do Corgo, Azurara e S. Bento – Sítio de ocupação pré-histórica, datÁvel da Idade do Bronze. Foi descoberto durante a construção da Linha Vermelha (B), que liga a Póvoa de Varzim ao EstÁdio do Dragão. Numa 1ª fase, estiveram em escavação arqueológica cerca de 2 mil metros quadrados de terreno. Mais tarde, a Área de escavação foi alargada para os 3.500 metros quadrados, o que permitiu documentar uma posterior ocupação Tardo-romana daquele local. Devido a estes achados, as obras do Metro do Porto foram suspensas durante 77 dias, para a realização de trabalhos arqueológicos de categoria D.

Para o futuro, estÁ mais do que garantido que o Metro do Porto vai continuar a promover a preservação de todo o património arqueológico e arquitectónico envolvido nas obras de alargamento da rede. Só assim é possível ser uma empresa responsÁvel e um modelo a seguir no que toca ao desenvolvimento sustentÁvel.


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