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Crise energética obriga Cuba a encerrar hotéis e a transferir turistas

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Os hotéis afetados estão localizados sobretudo em Varadero e no norte da ilha, abrangendo unidades de cadeias como as espanholas Meliá e Iberostar e a canadiana Blue Diamond.

O Governo de Cuba iniciou o encerramento de alguns hotéis e está a transferir turistas para outras unidades, como parte de um pacote de medidas para enfrentar a crise energética e limitações de combustível, notícia a agência EFE.

O vice-primeiro-ministro, Oscar Pérez-Oliva Fraga, afirmou na sexta-feira na televisão estatal que “se desenhou um plano no turismo para reduzir os consumos energéticos, compactar as instalações turísticas e aproveitar a temporada alta que decorre neste momento no país”.
O também ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro não especificou detalhes sobre essa “compactação” da infraestrutura turística, mas, adianta a agência espanhola EFE, estão a ser fechados hotéis e turistas internacionais a ser realojados em outros centros.

Os hotéis afetados estão localizados sobretudo em Varadero e no norte da ilha, abrangendo unidades de cadeias como as espanholas Meliá e Iberostar e a canadiana Blue Diamond.

O turismo cubano, motor tradicional da economia, registou em 2025 o pior ano desde 2002, com 1,8 milhões de visitantes internacionais, face aos 4,7 milhões de 2018.

Canadá e Rússia foram os principais mercados emissores, com 754.010 e 131.882 turistas, respetivamente, mas ambos registaram quedas anuais de 12,4% e 29%.

A crise atual resulta de uma combinação de fatores, nomeadamente sanções dos Estados Unidos, impacto da pandemia de Covid-19, limitações energéticas e económicas, e redução de voos internacionais.

Para enfrentar a escassez de combustível, o Governo cubano aplicou ainda medidas como o racionamento de combustível, incentivo ao teletrabalho e aulas semipresenciais.

O Presidente, Miguel Díaz-Canel, referiu que o plano anticrise se inspira nas estratégias do chamado “Período Especial” dos anos 1990, incluindo medidas de autosuficiência e racionamento extremo em caso de “opção zero” de fornecimento energético.

Crise energética obriga Cuba a encerrar hotéis e a transferir turistas
 

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Agora são os voos a ficar condicionados pela falta de combustível.

Noticia do Expresso:
09 fevereiro 2026 19:04
Voos para Cuba arriscam ficar sem combustível a partir desta terça-feira: o que acontece às viagens de férias?
Conceição Antunes

Jornalista
Voos para Cuba arriscam ficar sem combustível a partir desta terça-feira: o que acontece às viagens de férias?
Já há hotéis a cancelar reservas devido à crise de combustíveis, em Cuba. Vila Galé Cayo Paredón pertence ao único grupo português com presença hoteleira em Cuba.
Julio Antonio Alvite Piedra, CUBA falta de combustível devido ao boicote dos EUA está a tornar-se crítica em Cuba. Agências de viagens, operadores e hotéis contactados pelo Expresso aguardam informações, que estão a chegar a “conta-gotas”

Está a tornar-se cada vez mais complicada a operação de viagens para Cuba, devido ao problema da falta de abastecimento de combustível, gerado pelas sanções dos EUA.
“Não vamos cancelar a operação de viagens a partir de Portugal, que começa em maio e vai até setembro, achamos que até lá deve estar tudo resolvido”, adiantou ao Expresso Duarte Correia, diretor-geral do operador ibérico W2M (World To Meet), responsável por uma das maiores operações de viagens de Cuba para Portugal, e cujos programas são comercializados pela generalidade das agências de viagens a nível nacional.
“Sabemos que está a haver muita pressão, ao ponto de não haver em Cuba combustíveis para os aviões a partir de amanhã (10 de fevereiro)”, realçou Duarte Correia, lembrando o anúncio feito pelo governo cubano dando conta que os aeroportos do país sofrerão com falta de combustível para a aviação entre 10 de fevereiro e 11 de março.
“O boicote dos EUA a Cuba está a ser muito grande, e o problema é sobretudo a falta de combustível”, nota o responsável da W2M. “Como na Venezuela a situação ficou resolvida em 24 horas, esperamos que em Cuba também se resolva rapidamente”.
"Informações contraditórias" chegam de Cuba
Acresce-se que os operadores turísticos estão a receber informações do lado de Cuba que vão em sentido oposto, e esta segunda-feira à tarde Duarte Correia reportou ao Expresso que acabou de receber "informação por escrito, da autoridade que regula a aviação civil em Cuba, dizendo que é mentira que vai faltar combustível para a aviação a partir de amanhã" (terça-feira, 10 de fevereiro), o que contradiz dados que tinham sido avançados pela autoridade cubana dos aeroportos. Esta informação chegou por volta das 19h, no horário de Portugal.
"Estamos a receber informações contraditórias, ambas vindas de Cuba, e já as remetemos para a nossa companhia aérea. Estamos a monitorizar a situação, face ao que nos diz a autoridade de aviação civil cubana, garantindo que de fato existe combustível para os aviões", salienta o diretor-geral da W2M em Portugal.
Agências de viagens, contactadas pelo Expresso, dizem estar à espera de indicações dos operadores sobre terem ou não de cancelar os programas para Cuba, alegando que “a situação de mudar os passageiros de hotel para hotel não vai resolver a questão”.
Neste campo, o diretor-geral do maior operador turístico com presença neste destino a nível nacional frisa que “a situação não é alarmante, o que estamos a dizer às agências de viagens é para terem calma, pois não há problemas de maior em Cuba, à exceção do combustível”.
“Estamos com o olho no problema, mas achamos que de momento não é necessário cancelar as operações de viagens para Varadero, que começam em maio”, reiterou Duarte Correia.
“Só se um mês antes da operação não tivermos resposta, é que avançaremos para outro tipo de decisão”, salienta o diretor-geral da W2M, frisando que, caso o operador se veja no “caso extremo” de ter de cancelar viagens para Cuba, “tentaremos convencer os clientes a viajar para destinos alternativos, como República Dominicana ou México”.
Hotéis em Cuba aguardam indicações
A crise de combustível em Cuba está diretamente ligada à pressão dos EUA, que intensificaram sanções e esforços para bloquear o fornecimento de petróleo (incluindo a interrupção do fluxo de combustível da Venezuela e pressões sobre países terceiros para não fornecerem petróleo a Cuba).
Além da falta de combustível ameaçar paralisar a aviação em Cuba já a partir de 10 de fevereiro, obrigando as companhias aéreas a reabastecer as aeronaves em países vizinhos, já que não o podem fazer em solo cubano, a crise energética está também a afetar a operação dos hotéis, que têm convivido com situações de longos apagões e restrições de uso de combustível.
Face às dificuldades de abastecimento energético, o governo cubano começou a fechar alguns hotéis e transferir turistas de umas para outras instalações que ainda conseguem funcionar, apesar das restrições.
O grupo W2M, que integra a marca hoteleira espanhola Iberostar, conta em Cuba com 17 hotéis, que de momento “estão a funcionar”, segundo Duarte Correia.
O único grupo português com presença em Cuba é a Vila Galé, cujo portefólio no país inclui quatro hotéis, totalizando cerca de 1800 quartos. Este conjunto inclui três resorts de praia, em Cayo Paredón, Cayo Santa Maria e Varadero, além de uma unidade em Havana. Numa recente apresentação de resultados, o grupo avançou intenções de ficar com mais um hotel em Havana, a capital cubana, com cerca de 500 quartos.
Os hotéis Vila Galé em Cuba não têm estado “parados”, apesar das dificuldades de abastecimento de eletricidade e combustível.
Face à situação agravada com as sanções dos Estados Unidos, o administrador executivo do grupo Vila Galé, Gonçalo Rebelo de Almeida, avançou ao Expresso não ter ainda informação suficiente sobre o seu parceiro local em Cuba, (“informação que está a chegar a conta-gotas” segundo disse) no sentido de ter de tomar a decisão de fechar ou não, de forma temporária, os hotéis do grupo no país.
 
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