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[Report] Sudoeste EUA 2025 - Parte 2

David sf

Membro Conhecido
10 – Monument Valley – Cortez 310 km

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A segunda semana inicia-se com um magnífico nascer do Sol sobre a silhueta de Monument Valley.

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Após um pequeno almoço típico Navajo, com pão frito com mel, avanço para Norte a caminho do Utah, onde a vista para o Monument Valley é mais conhecida, aparecendo em vários filmes e comerciais. Este é o ponto “Forrest Gump”, assim chamado por ter aparecido no referido filme.

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Após uma descida longa até à cota 1200 m no vale do Rio San Juan, a altitude mais baixa onde passaria em 17 dias (desde Roswell até próximo de Tucson), passo na rocha denominada de Mexican Hat, por motivos que as imagens demonstram.

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Pouco adiante, à entrada de Bluff, mais um painel de petróglifos.

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Um pedido interessante, para evitar o turismo de massas e os “uneducated visitors”, que por aqui não se vêm em grande quantidade.

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Um reservatório de água com formato pouco habitual na Europa, mas bastante comum nesta região.

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O ponto alto do dia seria o Mesa Verde National Park, já localizado no Colorado, próximo às Montanhas Rochosas que iria atravessar no dia seguinte.

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Neste Parque Nacional, localizado no alto de uma mesa (planalto de grandes dimensões, em comparação com os buttes cujo cume tem uma área mais reduzida), onde existem vários vestígios de aldeias nativas localizadas nas encostas. Infelizmente, as visitas a estes povoamentos só é permitida com guia, e as visitas guiadas só se iniciariam em meados de maio.

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David sf

Membro Conhecido
Este Parque Nacional não tem as magníficas paisagens de outros que visitei, acaba por ter um destaque menor no conjunto da viagem. As vistas são mais semelhantes àquelas a que estamos habituados na Europa.

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Passo a noite em Cortez, no sopé da Mesa Verde, num hotel com temática Rock.

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Para o dia seguinte, as Montanhas Rochosas ainda cobertas de neve.

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11 – Cortez – Ouray 325 km


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A travessia das Montanhas Rochosas iriam marcar este dia, mas antes disso uma despedida final ao New Mexico, para visita às ruínas de Aztec. Antes disso passo na Shiprock, rocha sagrada para o povo Navajo.

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Um pouco a Oeste as ruínas de Aztec, localizadas à saída da localidade homónima. Apesar do nome, não tem qualquer relação com a cultura Azteca.

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Estas ruínas são um Chaco Canyon em ponto pequeno, mas destaca-se o Khiva principal, reconstruído há umas décadas atrás, onde se pode perceber melhor o seu formato original.

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O interior do Khiva reconstruído.

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Outro Khiva.

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Tal como no Chaco Canyon, as portas também são muito baixas aqui.

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Arranco então a caminho de Durango, no sopé das Montanhas Rochosas.

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Primeira paragem numa estância de esqui com nome caricato (Purgatory), completamente deserta.

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Provavelmente para permitir o elevado tráfego de pesados, a maior parte das estradas de montanha dos EUA são larguíssimas e pouco inclinadas. A percepção de se estar em alta montanha é menor quando é possível fazer a subida toda a 80 km/h, e nem tinha dado por estar a elevada altitude até chegar ao primeiro pass, localizado a 3244 m de altitude.

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David sf

Membro Conhecido
Na encosta Sul não havia grande quantidade de neve, mas a partir deste ponto o manto branco começou a dominar a paisagem acima dos 3000 m.

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Após uma breve descida, outra subida para o Molas pass, situado a 3325 m de altitude.

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Um dos muitos veículos pesados que fazem esta “auto-estrada” de montanha.

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A partir daqui começa a descida até a uma aldeia magnífica, situada a 2800 m de altitude, Silverton.

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Silverton, como o nome indica, foi fundado por mineiros no século XIX, mantendo-se actualmente o estilo Victoriano dessa época em grande parte dos edifícios da aldeia.

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Na rua principal (e única asfaltada) da aldeia, as típicas fachadas do Oeste americano.

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David sf

Membro Conhecido
Silverton foi dos locais que mais gostei de visitar nesta viagem, principalmente porque não estava à espera. Daqui começa-se de novo a subir para o ponto a maior altitude da viagem, o Red Mountain pass, localizado a 3358 m de altitude.

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Daqui inicia-se a descida pela chamada “Million Dollar Highway”, afamada por ser a mais perigosa da América. Aqui, ao contrário do habitual, a estrada parece ser mesmo de montanha, mais estreita e com curvas mais apertadas. Percebo que para os standards americanos a estrada seja perigosa, mas na Europa seria uma banal estrada de montanha. Esta estrada atravessa diversas minas desactivadas, algumas delas a serem recuperadas para o turismo.

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O único perigo excepcional desta estrada é a ausência de rails de protecção, propositada para permitir a limpeza da neve que cai em grandes quantidades nesta zona.

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Já perto de Ouray, no sopé Norte das montanhas, passo pelo Red Mountain Creek. O motivo do nome da montanha é explicado pela cor das águas do rio.

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À entrada de Ouray as Bear Creek falls.

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Atravesso Ouray até ao hotel onde iria pernoitar, onde havia avisos para a presença de ursos nas imediações.

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Após o check-in volto a Ouray, denominada de Suíça americana, e merece a designação. O primeiro local a visitar é o Box Canyon, um vale muito encaixado após uma queda de água do Canyon Creek.

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Próximo ao Box Canyon, o miradouro para Ouray, onde é possível ver a totalidade da vila.

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David sf

Membro Conhecido
O centro de Ouray está muito bem preservado. Mais uma localidade típica da região, mas enquadrada por montanhas cheias de neve.

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Não me cruzei com nenhum urso, mas havia outros animais mais pacíficos a passearem nas ruas (em maior quantidade que os animais bípedes).

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Jantei num saloon, onde comi uma sopa da região, que parecia mais um arroz malandrinho de feijão do que concretamente uma sopa como nós as conhecemos na Europa.

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Ao fim do dia, um passeio ao longo do rio Uncompahgre, que passava nas traseiras do hotel onde fiquei.

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12 – Ouray – Moab 432 km

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O dia amanhece com temperatura negativa. Seria um dia de transição, com poucos motivos de interesse, até chegar a Moab, antecâmara dos Parques Nacionais dos Arches e das Canyonlands, que visitaria no dia seguinte.

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Fiz um pequeno desvio para visitar o Black Canyon of Gunnison National Park.

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A paisagem é bastante semelhante à do Douro Internacional, continuo a encontrar bastantes parecenças com o Nordeste de Portugal.

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David sf

Membro Conhecido
A principal referência deste parque, a Painted Wall.

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Após a visita ao Black Canyon, paro no Walmart em Montrose para reabastecer de víveres e sigo a caminho de Moab. Pela primeira vez desde El Paso, notam-se nuvens ameaçadoras de chuva.

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Ao fim de duas horas de condução entro no Utah.

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Um dos vários enormes comboios de mercadorias com que me cruzei.

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Já perto de Moab desvio para o Sego Canyon, onde pude ver o mais espectacular painel de petróglifos de toda a viagem.

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E já a chegar a Moab, com os picos de La Sal ao fundo.

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Moab é um típico hub turístico, cheio de hotéis e restaurantes, uma rua principal com muito trânsito e cheia de semáforos.

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Fora da rua principal há alguns recantos mais calmos.

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Um Tesla ainda mais caricato que o habitual.

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Fiquei num B&B a 6 km do centro da cidade numa zona sossegada. O segundo B não significava breakfast, mas sim bagel (bed and bagel era o nome do hotel). Quando cheguei havia dois bagels no frigorífico e vários tipos de manteiga para os condimentar.

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David sf

Membro Conhecido
13 - Moab – Green River 295 km

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Dia reservado para dois dos melhores parques nacionais do país. De manhã o Arches, à tarde as Canyonlands. Devido ao elevado fluxo de turistas a entrada no Arches está limitada a um máximo de veículos horário, necessitando de reserva entre abril e outubro. Eu reservei logo para o primeiro slot, entre as 7 e as 8 da manhã, e pouco depois das 7 da manhã já estava a entrar neste magnífico parque.

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Logo à entrada começam a aparecer as primeiras formações, a Babel Tower, as Three Sisters e a Courthouse Tower, respectivamente.

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Uns quilómetros à frente a Balanced Rock.

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Na aproximação aos primeiros arcos, na zona denominada de Windows, a vista para as formações com as montanhas de La Sal em segundo plano.

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O maciço onde se situa o Double Arch, em frente às Windows, mas que eu só visitaria no fim, porque tinha acabado de chegar uma fila de autocarros que transformou aquela zona numa feira.

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O North Window Arch.

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Aqui visto desde debaixo do Turret Arch.

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Aqui a North e a South Window vistos desde o mesmo ponto.

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E o Turret Arch visto desde a North Window.

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Sigo mais para o interior do parque, sempre com vista para a Fiery Furnace onde passaria mais tarde.

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A vista para o Delicate Arch, símbolo do estado do Utah, que aparece na maior parte das matrículas emitidas por este estado.

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Outra paragem, na Fiery Furnace.

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David sf

Membro Conhecido
Na extremidade Norte do Parque, o trilho até ao Landscape Arch.

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Chego ao Landscape Arch, um dos mais originais do parque.

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E, já no regresso, vou ao Double Arch, agora já mais sossegado.

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Foi uma manhã bem passada e cansativa. Não fiz nem metade dos trilhos do parque e andei mais de 10 km. Isto num dia com a temperatura perfeita (15-20ºC), sem vento. Em dias muito quentes deve ser extenuante fazer estes trilhos, quase sempre sob a torreira do Sol. Mas vale muito a pena, é um parque único no mundo.

Mas o melhor, a grande surpresa da viagem, estava reservado para a tarde. Poucos quilómetros a Oeste, situa-se o Parque Nacional das Canyonlands, menos famoso que o Arches, mas dotado das paisagens mais surreais que vi na vida. Tinha deixado a tarde para visitar este parque, mas deveria ter deixado uns dois dias. A imensidão do parque (apenas fiz o percurso em estradas pavimentadas de uma das quatro áreas que o constituem, Island in the Sky) e a sua surpreendente beleza e grandiosidade, que as fotografias não permitem documentar na totalidade, justificam muito mais tempo de visita.

Logo à entrada uma das “estradas” que deixei por fazer, o Shaffer Trail que liga este parque a Moab paralelamente ao rio Colorado.

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A vista desde a zona do visitor centre, com o Shaffer Trail bem demarcado.

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A paisagem é absolutamente surreal, mas apenas pode ser avaliada no local. A grandeza e imensidão dos consecutivos canyons e as suas cores pintam uma paisagem única.

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Este canyon parece mesmo uma pata de dinossauro.

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David sf

Membro Conhecido
A vista para o vale do Green River, que se junta ao Colorado no interior do parque.

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Ao ver estas paisagens vinham-me à memória algumas imagens de uma das minhas bandas desenhadas preferida:

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Nas Canyonlands também existe um arco, o Mesa Arch, com uma vista fabulosa para Este.

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Alguns dos vários corvos que povoam o parque.

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Faltou-me tempo para ver mais das Canyonlands, mas fiquei com a certeza que tinha de voltar. A caminho de Green River, a cerca de uma hora de distância, apanho o primeiro aguaceiro desde El Paso. Fico num Motel 6, junto ao rio que dá nome à cidade.

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14 – Green River – Panguitch 410 km

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Depois da chuva do fim do dia anterior, o dia volta a amanhecer soalheiro.

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Sigo a caminho do Parque Estadual de Goblin, por uma Estrada deserta. Ia entrar pelos confins do Utah.

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À chegada a Goblin, a primeira de muitas montanhas com várias cores que iria ver nesta zona.

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Sendo um Parque Estadual, o passe dos Parques Nacionais não me permite a entrada. Tenho de pagar 20 USD para entrar. Tal como nos Arches, aqui também existe a rocha das três irmãs.

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David sf

Membro Conhecido
As formações que dão nome ao parque, são estas. Uma enorme área cheia de goblins, formados pela erosão diferenciada do solo.

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Foi neste parque que foi filmado o videoclip de Human dos The Killers:


Faço-me de novo à estrada, onde passo rapidamente pelo menos espectacular dos parques nacionais do Utah, Capitol Reef, onde mesmo assim se arranjam fotos interessantes. Começando por alguns petróglifos, este menos notáveis que outros que já havia visto.

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A paisagem colorida deste parque.

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O vale do Sulphur Creek, cujo canyon constitui a zona mais interessante do parque.

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Depois de Capitol Reef dirijo-me para Oeste, e a cor da paisagem muda para mais tons de verde. Entro na zona dos pioneiros Mormon, que no final do século XIX desbravaram esta terra e a tornaram numa zona propícia à agricultura.

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David sf

Membro Conhecido
Subo até ao não muito originalmente denominado de Fish Lake, localizado a uma cota de 2700 metros de altitude.

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Apesar de já ser o primeiro dia de maio, a primavera ainda não chegou a esta zona, havendo ainda uma considerável camada de gelo sobre as águas do lago.

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O local mais interessante das margens deste lago é a árvore Pando. E qual das árvores nas fotos seguintes é a Pando? A resposta é todas, ou apenas uma que são “todas” as que se veem. Todas estas estruturas são clones umas das outras, partilhando a mesma raíz.

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De regresso à estrada, a caminho de Panguitch, onde iria pernoitar junto ao Bryce Canyon, que visitaria na manhã seguinte, numa paisagem muito diferente à dos dias anteriores.

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Panguitch é a típica cidade pequena de interior, conservadora (muitos Mormon) e onde o Partido Republicano vence com mais de 80% dos votos.

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A cadeira de espera para o barbeiro.

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Almocei num restaurante familiar, servido por um miúdo que aparentava uns 12 anos e a sua irmã que não teria certamente 18.

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David sf

Membro Conhecido
15 – Panguitch – Short Creek 299 km

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Dia para os dois últimos Parques Naturais do Utah, Bryce Canyon e Zion e terminar numa cidade com uma História recente atribulada na fronteira deste estado com o Arizona.

Levanto-me cedo e entro no Bryce Canyon quando os portões se estão a abrir. O Parque Nacional é constituído por uma estrada com vários miradouros, ao longo da crista da mesa. Ao contrário do que o nome indica, não se trata de um canyon, o atractivo é a encosta da mesa e as suas formações geológicas caricatas.

Faço inicialmente toda a estrada até ao miradouro mais longínquo, para fugir à multidão de autocarros que entrou em simultâneo comigo, e no regresso paro em todos os miradouros. Começo então pelo Rainbow Point, na extremidade Sul do Parque.

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Em cada paragem a imensidão da Hoodoos, o nome dado às chaminés de fada nesta zona, é maior.

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Noutra zona do estado chamariam a isto um arco, mas aqui chamam-na de Bryce Natural Bridge.

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Muita fauna autóctone ao longo do percurso.

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O Farview Point.

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E chego à zona do anfiteatro, onde a quantidade de hoodoos é a perder de vista. Nesta zona, do chamado Inspiration Point, havia uma concentração de rangers maior que o habitual, provavelmente pela morte de dois turistas na antevéspera por terem caído deste mesmo ponto. Pela quantidade de macacadas que vi alguns turistas a fazer neste parque e em outros da zona, espanta-me que haja tão poucos casos que acabam mal…

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Depois de uma manhã inteira no Bryce Canyon, almoço num buffet à saída do parque e sigo para o Parque Nacional de Zion. Nunca me senti muito atraído por este parque. Primeiro porque está cheio de gente, tanto que já nem é permitido entrar no vale com veículo próprio, apenas via shuttle, devido aos abusos no estacionamento… Depois porque ao contrário dos anteriores, a paisagem sendo espectacular, é mais comum encontrar noutras zonas do globo.

Mas como o caminho para o meu próximo destino passava por lá, e não teria que pagar nada para o atravessar, acabei por visitá-lo.

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David sf

Membro Conhecido
A paisagem é de facto espectacular, pena que a estrada tenha muito poucos locais para parar e a apreciar.

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Neste dia a temperatura subiu bastante, apanhei aqui os primeiros 30ºC da viagem.

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Após atravessar o Zion, dirijo-me para um local que também tem algo a ver com esse nome, por razões mais infelizes. Vou passar a noite em Short Creek, uma comunidade composta por duas cidades contíguas, Hildale no estado do Utah e Colorado City no Arizona. Em lado nenhum se nota a divisão entre estas duas cidades, sendo comummente aceite o nome de Short Creek para designar ambas.

Esta comunidade foi criada por uma seita, a FLDS, originada a partir de uma facção fundamentalista da igreja Mormon. Durante muitos anos a regra mais polémica da FLDS era a poligamia (apenas para homens), pelo que as autoridades nunca se interessaram muito pelo que se passava em Short Creek. No entanto, começou a criar-se uma máfia em torno destes casamentos, todos escolhidos e indicados pelo líder (o profeta), que começou a usar a distribuição das mulheres para exercer o seu poder pelos homens da cidade, garantindo que os mais fiéis ficassem com a maior quantidade de “esposas”.

Warren Jeffs foi o último profeta, e durante a sua liderança as coisas começaram a correr bastante mal. Começou a haver relatos, através de dissidentes, de casamentos com menores de idade, negócios obscuros, exploração de mão de obra infantil, entre outros. A comunidade de lost boys da FLDS, constituída pelos rapazes que sobravam (se os homens mais fiéis tinham muitas mulheres, havia que expulsar os rapazes mais problemáticos, para que houvesse mulheres disponíveis em quantidade para distribuir) também se começou a movimentar, jornalistas pegaram no caso e a opinião pública começou a forçar as autoridades de ambos os estados a investigar a situação.

Dentro da comunidade também havia descontentamento, com vários homens a serem expulsos por discordarem ligeiramente do profeta. Havia escutas em várias casas (construídas pela empresa do profeta que usava mão de obra grátis dos adolescentes da seita para expandir o seu negocio de construção civil), e o profeta começava a impor regras cada vez mais apertadas, controlando tudo desde a maneira de se vestir até ao corte de cabelo.

Ao sentir o cerco apertar, o profeta adquiriu um rancho no Texas, ao qual chamou Zion, para onde começou a levar os “escolhidos”, geralmente mulheres e crianças do sexo feminino.

E ao fim de algumas investigações, o profeta passou a ser suspeito, colocou-se em fuga e entrou na lista dos 10 mais procurados do FBI. Após a sua prisão, em Las Vegas (durante a fuga o profeta teve uma vida muito mundana, andou pela Disneyland, Las Vegas, Miami, com várias mulheres, e sustentada pelos “impostos” pagos pelos fiéis), foi realizada uma busca em Zion, onde se encontraram provas dos casamentos com menores de idade e vídeos com abusos sexuais do profeta a miúdas de 12/14 anos, que permitiram a sua condenação a prisão perpétua.

No entanto, o profeta continua a ter a sua seita de seguidores mais fiéis, a quem distribui as “vontades de Deus” a partir da prisão, sendo que neste momento há rumores de que a FLDS se está a reorganizar numa cidade da Dakota do Norte.

Existe um documentário sobre esta comunidade na Netflix, “Pray and Obbey”, a inscrição que estava presente na chaminé da casa do profeta e que deveria ser seguida por todos os integrantes da FLDS, especialmente as mulheres.

Short Creek está a sarar, o profeta foi detido há mais de 15 anos, e nota-se que a cidade seguiu em frente. Há novas urbanizações, pessoas de fora que vieram para a cidade e se misturam harmoniosamente com ex-integrantes da FLDS que, apesar de já não seguirem o profeta, mantêm o modo de viver da FLDS. Era interessante ver num parque da cidade, miúdas com os seus 18/20 anos a jogar voleibol, umas com top e calções curtos e outras com vestido até aos pulsos e aos tornozelos com motivos florais. Dois modos de viver antagónicos convivem harmoniosamente na Short Creek de hoje.

À entrada da cidade nota-se uma particularidade herdada da FLDS, que não se vê no resto da região. Muros. Muitas casas têm os seus quintais protegidos por muros bem altos.

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A primeira casa do profeta, onde estava a inscrição “Pray and Obbey” na chaminé, entretanto retirada. Hoje alberga uma associação de apoio às mulheres que saíram da FLDS e que por imposição da seita nunca aprenderam muito mais do que as lides domésticas e que por essa razão têm dificuldades em se integrar no mercado de trabalho.

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Um parque à saída da cidade.

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Short Creek tem outra particularidade. O Utah e o Arizona estão no mesmo fuso horário, mas como o segundo não adopta o horário de verão, nesta altura do ano têm uma diferença de uma hora. Apesar de os habitantes da cidade adoptarem o horário do Utah, oficialmente do lado esquerdo desta rua (Norte) é uma hora mais tarde do que do lado direito…

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A enorme quantidade de “esposas” do profeta (mais de 80 aquando da sua fuga) obrigou à construção de uma segunda casa. Essa casa é hoje um hotel, o “Most Wanted Zion Hotel”, onde eu passei a noite. Esta casa é rodeado de muros altíssimos, parece uma prisão.

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O interior do hotel.

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David sf

Membro Conhecido
16 – Short Creek – Page 256 km

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Entro no carro e liga o aviso de pneu com pouca pressão. Vou à bomba, reponho a pressão (aqui paga-se pelo ar nas gasolineiras, 0,50 USD) e parece que fica OK.

Sigo directo à cidade de Page, famosa por ser onde se localiza o Antelope Canyon e a Horseshoe Bend no rio Colorado.

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Ainda antes da entrada em Page, passo pelo visitor center da barragem do Lake Powell. Infelizmente as visitas à barragem e à central hidroeléctricas foram suspensas…

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Antes de almoço fui visitar a parte aquática do Antelope Canyon, num passeio de barco bastante caro (50 USD) e com hora e meia de duração. A partida é da marina situada a poucos quilómetros de Page, na Glen Canyon National Recreation Area.

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Mais umas rochas multicores.

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A entrada no Antelope Canyon.

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David sf

Membro Conhecido
Após a parte aquática, a parte terrestre do Antelope Canyon. Gerida pelos Navajo, só pode ser visitado através de visita guiada, e deixo aqui mais 70 USD para a nação Navajo. Há dois Antelope Canyon, o upper e o lower, visito o segundo que é o mais comprido e, dizem, o mais apertado.

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Apesar do elevado custo, esta é uma experiência única. Uma hora dentro de um canyon estreitíssimo com cores variáveis em função da posição do Sol. Ficam as fotos.

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É desta reentrância que os visitantes do lower Antelope Canyon saem no final da visita.

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Na outra extremidade de Page, outro ex-libris do Arizona, a Horseshoe Bend, um meandro do rio Colorado. Para lá chegar é necessário deixar mais 8 USD à nação Navajo para se estacionar o carro.

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Volto ao carro e de novo o aviso de pneu sem pressão. Deve ser um furo e vou ao Walmart comprar comida e arranjar o pneu (o Walmart tem mesmo tudo). Mas está uma multidão de gente na fila para o Walmart Auto, pelo que decido voltar no dia seguinte pelas 7 da manhã, eram só 2 km até ao AirBnB onde iria dormir. Na parte da comida, senti-me na Ásia, pela quantidade de turistas de olhos em bico que estava no hipermercado.
 

PaulaCoelho

Membro Conhecido
Adorei, mais um relato TOP 🤩

Das localidades visitadas, a vila de Silverton realmente parece bem gira.
As fotos do Antelope Canyon estão espectaculares... é mais um local na minha longa lista para visitar.
Foste realmente numa boa altura pois eu visitei o Bryce e o Zion em meados de Junho de 2013 e apanhei temperaturas a rondar os 40º e estava quase insuportável (na semana seguinte ou na outra houve mesmo uma onda de calor na área).

Obrigada por mais uma leitura tão agradável com belas fotos 😀
 

Ricardo_7

Membro Conhecido
Olá :)

Obrigado por esta fabulosa continuação. Viajamos virtualmente com este mega report!

Boas viagens ;)
 
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