[Report] Sozinha pelo Irão: Outubro 2019

Mel C

Moderador
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Este report vem contar a minha mais recente aventura a solo, 14 dias no Irão. Tinha lido muito sobre este destino que parece ser temido por todos os que nunca lá foram e adorado por todos os que o visitam. Sempre que lia relatos de viajantes no Irão as críticas eram altamente favoráveis, não encontrei ninguém que não tivesse gostado do Irão e eu tinha a certeza que também iria gostar. Só que como diz o meu paizinho eu nasci para ser do contra e se há um destino de viagem que toda a gente ama e adora, é claro que eu vou ser a única pessoa do mundo que não vai adorar.

Não é que eu não tenha gostado do Irão, mas desiludiu muito face às expectativas que tinha. E acho que o problema esteve exactamente aí, nas expectativas. Todas as pessoas que viajaram pelo Irão dizem que é incrível, fantástico, inacreditável, o país mais espectacular do mundo com as pessoas mais simpáticas do universo. Lembro-me de ver fotos do Irão e achar que era tudo tão bonito, e quando aterrei em Teerão saí do avião emocionada a pensar em todas as coisas maravilhosas que ia viver. Só que a realidade não foi bem assim. O primeiro choque com Teerão não foi fácil; ruas muito cinzentas, tudo escrito em farsi e números persas em todo o lado, pessoas que não falam inglês e nem se preocupam em tentar ajudar, trânsito caótico com uma barulhada de carros e motas por todo o lado, e em certos sítios um cheiro a gasolina que ninguém aguenta, dado que quer os carros quer as motas no Irão são em geral bastante velhos. Para além disso por todo o Irão os locais que nas fotos me pareciam incríveis, ao vivo pareceram-me bonitos, mas só bonitos. Em cima disso acabei por passar demasiado tempo em todas as cidades onde estive excepto Teerão e Shiraz, um dia a mais em cada uma delas; gostava de viajar com calma e acima de tudo de vaguear sem destino descobrindo as pequenas surpresas que cada local tem, só que no Irão achei que apenas os pontos turísticos eram bonitos e as zonas à volta muito feias, por isso também passei muito tempo aborrecida sem descobrir nada de interessante para fazer.

Estava há uns tempos a pensar fazer uma viagem espontânea sem nada muito planeado e toda a gente me garantiu que no Irão isso seria facílimo; assim parti de Portugal só com alojamentos reservados (não pagos) e sem transportes inter-cidades marcados para poder ir adaptando a viagem conforme me apetecesse. Só que acidentalmente, acabei a viajar durante um feriado religioso, o Arbaeen, durante o qual imensos iranianos e estrangeiros vão em procissão religiosa pelo país lançando o caos nos transportes, com imensos autocarros e comboios lotados e outros tantos cancelados. Este feriado não estava anunciado em nenhum lado na internet nem nos guias de viagem, e encontrei vários viajantes independentes em desespero para arranjar transporte de uma cidade para outra; no grupo de Facebook de viajantes no Irão (See you in Iran) várias pessoas pediam ajuda com transporte; eu própria estive quase um dia inteiro a tentar arranjar transporte entre duas cidades.

Depois há os iranianos. São simpáticos, alegres e muito honestos, mas toda a gente achava que eu era iraniana, e por isso tratavam-me de maneira diferente dos outros turistas. Só percebi o que é a verdadeira hospitalidade iraniana quando passei uns dias com umas raparigas romenas que conheci. Os iranianos paravam-nas na rua às vezes num entusiasmo louco para falarem com elas, perguntavam-lhes de onde eram (e ficavam a olhar para mim com um ar estranho até eu esclarecer que era de Portugal), pessoas na rua diziam-lhes "Welcome to my country", pediam fotos com elas, davam-lhes comida e pequenos souvenirs. A mim, uns turistas franceses quiseram tirar-me foto num restaurante; iranianos desatavam a falar comigo em farsi e uma senhora pareceu não acreditar que eu não era iraniana porque por mais que repetisse "I don't understand" ela insistia em falar em farsi até eu finalmente virar costas; um tipo andou a perseguir-me de mota pelo passeio, ignorei mas quando me passei da cabeça e resmunguei com ele em português e ele percebeu que eu era turista pediu desculpa e desapareceu de vez; e nas escadas do palácio Aliqapu ia eu atrás de um grupo de turistas, vinha uma iraniana no sentido contrário e cada um dos turistas ela sorria e dizia "Welcome to my country, welcome to my country" quando chegou a minha vez eu sorri-lhe, ela sorriu de volta e disse...nada:D Mesmo quando as pessoas sabiam que eu era portuguesa não havia nenhum entusiasmo em especial. Em 14 dias o único gesto que realmente me tocou foi um rapaz que mandou parar os carros para eu poder atravessar a estrada.

Todos os dias no Irão tinham frustrações grandes e pequenas, claro que também havia momentos bons mas nada de momentos fantásticos, nada que me deslumbrasse. Confesso que muitas vezes dei por mim num estado de espírito tão agreste em que estava completamente frustrada, cansada de viajar e a sentir que ia precisar de férias das férias, de tal maneira que os pequenos contratempos me chateavam para além do que seria razoável.

Não é um país que eu queira repetir mas uma coisa é certa, o Irão é perfeitamente seguro! Andei sozinha por todo o lado de dia e de noite e senti-me sempre bem, achei o dia a dia no Irão bastante tranquilo e "normal", até muito ocidental em muitas coisas. Outra coisa certa é que não aconselho ninguém a fazer o que fiz, planear e agendar a viagem toda sozinha. Encontrei muitos viajantes acompanhados por guias mas acho que não é preciso tanto, no entanto devem arranjar uma agência de viagens iraniana que vos trate da logística toda; no mínimo dos mínimos submetam o vosso plano a uma agência de viagens e peça opinião, foi o que fez uma holandesa que conheci, avisaram-na logo do Arbaeen e mudaram-lhe o roteiro.

Passando ao report propriamente dito, não vou entrar em praticalidades porque a @PaulaCoelho já escreveu um guia para o Irão muito bom e completo, que podem ler aqui. Resta dizer que a minha viagem decorreu de 13 a 26 de Outubro de 2019 e o itinerário foi Teerão - Kashan - Isfahan - Yazd - Shiraz - Teerão. A viagem ficou em cerca de 1193€ sendo: Voo 424€; Alimentação 195€; Transporte local 138€; Actividades 116€; Alojamento 93€; Visto 50€; Telemóvel 13€; Souvenirs 119€; Seguro de viagem 45€


Teerão

Passei em Teerão o meu primeiro e último dias e no Irão mas para facilitar vou juntar tudo aqui. Como já disse a minha primeira introdução ao Irão não foi simpática, fiquei chocada com o caos do trânsito, carros e mais carros por todo o lado e acima de tudo motas que andam em contramão, andam no passeio, ignoram o sinal vermelho...atravessar a estrada em qualquer cidade iraniana é uma experiência e pêras pois as passadeiras existem para ser ignoradas, se queremos atravessar é basicamente mandar-nos para a estrada e ir andando no meio dos carros!

O primeiro impacto com o povo iraniano também não foi o melhor. No aeroporto tinha comprado um cartão de dados móveis da Irancell só que venderam-me um cartão só com chamadas e sms. Queria visitar o Palácio Golestan que ficava a 20 mins do meu hotel, anotei as indicações antes de sair só que eu sou uma desorientada que até a andar em linha recta me consigo perder, andei 1 hora à procura do palácio, das 6 ou 7 pessoas a quem pedi ajuda nenhuma falava em inglês e nem se esforçavam, sorriam, abanavam a cabeça e iam embora. Finalmente lá descobri três raparigas sentadas num banco que me conseguiram ajudar e cheguei ao Palácio Golestan, que significa literalmente Palácio das Flores e é o antigo complexo da dinastia Qajar.

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Também passeei pelo bazar que é uma grande confusão, gente por todo o lado e vendedores a transportarem gigantes carros de mercadorias no meio das pessoas, mais motas lá pelo meio a ajudar a confusão. O Bazar de Teerão tem 10km2 e é muito fácil perdermo-nos mas uma dica útil é que o chão do bazar é inclinado para baixo, se estiverem perdidos basta começarem a "subir" o chão e vão sempre dar à rua principal cá fora.

No primeiro dia em Teerão não visitei muito mais, não estava a gostar e decidi apanhar o autocarro para Kashan (até aqui sem problemas). No meu último dia tentei visitar mais coisas e acabei por gostar bastante da cidade, ao contrário das outras cidades achei que Teerão tinha muitos recantos agradáveis, ruas mais amplas e bonitas. Tentei visitar a antiga embaixada dos US que por ser 6ªf (fim de semana no Irão) estava fechada. Queria muito ver pelo menos mas os grafitti cá fora mas estavam tapados com um pano!😢
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Também fui espreitar a torre Azadi, um dos monumentos deixados pelo último Shah; não subi pois estava um dia muito nublado e não ia ter grande vista.
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Algumas fotos soltas de Teerão

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Kashan

Kashan é uma pequena cidade construída num oásis e tem um ritmo muito diferente de Teerão, mais tranquilo e mais pacífico. É conhecida acima de tudo pelas casas tradicionais, bonitas casas dos séculos XVI - XVII que pertenciam a comerciantes abastados, usadas na altura como casas de férias e hoje em dia abertas ao público como museus. Estas casas orientam-se em torno de um grande pátio central; à volta encontram-se geralmente 3 - 4 pátios mais pequenos que correspondem a zonas para a família, para os criados, para os visitantes e para tratar dos negócios. Em Kashan também se encontram muito os chamados badgir ou torres de vento, sistemas de climatização usados para refrescar as casas, basicamente torres altas que "apanham" o vento e o direccionam para baixo, para dentro da casa, para a refrescar; alguns badgir são acompanhados de cisternas arredondadas que guardam água e a mantêm fresca.

Visitei duas destas casas tradicionais em Kashan. A que mais me impressionou foi a casa Tabatabaei

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Também visitei a Abbasi House que achei menos espectacular, para além disso parte da casa estava em obras.

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Também visitei a Sultan Amir Ahmad Bathouse, uma casa de banhos tradicional. Há um bilhete que permite visitar a casa de banhos, a casa Tabatabaei e a casa Abbasi, foi esse o bilhete que comprei.

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O telhado da casa de banhos é outra das atracções, e aqui podem ver-se dois badgir

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Kashan tem muitas outras casas tradicionais, eu não fiz questão de visitar todas até porque a Tabatabaei e a Abbasi são as mais populares. Muitas destas casas tradicionais também têm restaurantes, cheguei a comer em alguns deles e o espaço geralmente é muito giro e com um ar muito tradicional.

Tem também uma pequena mesquita, a Agha Bozorg Mosque, onde não cheguei a entrar mas tirei algumas fotos cá fora.

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Como em todas as cidades iranianas Kashan também tem um bazar, só que o bazar de Kashan tem uma pequena surpresa: o pátio de um caravanserai. Os caravanserai eram pousadas na rota da seda, com capacidade de alojar pessoas, animais e a carga que transportavam. Para encontrar o caravanserai basta entrar no bazar e ir seguindo as indicações para o Aminodoleh caravanserai.

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Em Kashan começaram os meus stresses no Irão. Queria ir de autocarro de Kashan para Isfahan e no hotel onde estava, perguntei a dois funcionários diferentes se no dia seguinte podia apanhar o autocarro para Isfahan, ambos me garantiram que sim. No dia seguinte lá fui perguntar à senhora da recepção como podia ir ter ao terminal para apanhar o autocarro para Isfahan, e a senhora diz-me que por causa do feriado religioso não há autocarros naquele dia. Fiquei com cara de parva :oops: Perguntei se havia alternativa e ela disse que tinha de apanhar o comboio. Arranjou-me um snapp (a uber lá do sítio) para a estação de comboios, gratuito para mim. Cheguei à estação de comboios e a senhora da bilheteira diz-me que não há comboios naquele dia! Segundo ela tinha de apanhar o autocarro. Garantiu-me que naquele dia havia autocarros para Isfahan e chamou-me um taxi (a pagar por mim) para o terminal de autocarros. Isto tudo dito e informado num inglês completamente partido. Eu aqui já estava meio nervosa e sem saber bem o que fazer da minha vida sendo que o plano C que conjecturei na minha cabeça passava por voltar ao centro de Kashan e ver se conseguia negociar um táxi até Isfahan em alguma agência de viagens. O taxista lá me levou ao terminal de autocarros e eu cheia de medo que não houvesse autocarro nenhum. Para minha surpresa não só havia autocarros como estavam a funcionar normalmente, de meia em meia hora. Muitos autocarros estavam cheios e só consegui bilhete para um autocarro daí a 1h30. Enquanto esperava começava a ficar preocupada com o que aquele feriado religioso pudesse significar para o resto da minha viagem. No grupo de Facebook onde pedi ajuda avisaram-me que realmente havia um feriado religioso e muitos transportes estavam lotados, devia marcar os transportes que precisasse assim que possível. Entrei no autocarro e decidi marcar o transporte seguinte com um dia de antecedência, não acreditei que fosse preciso mais do que isso.


Isfahan

Por causa das desventuras com o autocarro cheguei a Isfahan mais tarde do que esperava, já depois da hora de almoço e sem ter almoçado nada. As senhoras do hotel onde fiquei eram muito simpáticas e perderam algum tempo a mostrar-me o mapa da cidade e as principais atracções e depois queriam muito que eu bebesse um sumo de laranja mas eu estava morta de fome e só queria ir almoçar!:D

Isfahan é uma cidade grande mas as atracções concentram-se junto à Naghsh-e Jahan Square, uma praça gigantesca e muito bonita.
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Andei a passear pela praça e aproveitei para experimentar um gelado tradicional persa chamado bastani sonati, gelado de açafrão com água de rosas, mas depois de experimentar desejei não ter experimentado 😕 Eles também comem um gelado com noodles brancos que eu achei esquisito e nunca experimentei.

A primeira paragem em Isfahan foi na Imman Mosque, a mesquita do Imman Khomeini, um dos Shahs (reis) da Pérsia. As mesquitas são decoradas com azulejos em tons de azul, motivos que lembram a natureza e caligrafia. A caligrafia é usada para efeitos estéticos não para passar uma mensagem, muitas vezes a caligrafia são só repetições dos nomes de Muhammad e Ali. Junto aos arcos encontram-se muitas vezes estes azulejos em escada aqui em baixo que eu pessoalmente gosto muito, chamam-se estalactites ou muqarnas. A entrada desta mesquita em particular não foi construída na direcção de Meca, para manter a harmonia e simetria com o resto da praça. A parte da mesquita que tem a cúpula, essa sim está orientada à verdadeira direcção de Meca.

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Também visitei o palácio Aliqapu, a residência de Shah Abbas I, o Shah que introduziu o chá na Pérsia.

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A sala da música para mim a mais bonita no palácio Aliqapu
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O último edifício a visitar nesta praça é a Sheik Lotfollah Mosque

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O ambiente da praça é muito giro pois há sempre pessoas a conviver, famílias a passear, crianças a brincarem, papagaios de papel a voar e claro muitos piqueniques! Dentro das arcadas à volta da praça também há várias lojas que vendem peças de artesanato do Irão, minakari (peças de metal, geralmente latão, pintadas em tons de verde e azul com uns padrões a lembrar os dos azulejos); khatam (peças de madeira ou osso de camelo gravadas); carpetes (os vendedores de carpetes têm TPAs registados no Dubai caso queiram fazer alguma compra e não tenham notas suficientes); doces, quinquilharias, etc. Também há um bazar ligado às arcadas da praça. Relativamente perto há uma faculdade de Belas Artes e por isso vêem-se muitos estudantes a desenharem também.

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O último edifício a visitar na zona da praça é o palácio Chehel Sotoun, fica não na praça mas um pouco ao lado. É um palácio de tempos livres usado pelo segundo Shah do Irão.
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Uma das curiosidades de Isfahan é a existência de um bairro armeno, chamado Jolfa. Durante o período da construção de vários dos edifícios históricos que rodeiam a praça Naghsh-e Jahan Square, os iranianos trouxeram para o país uma série de artesãos armenos, com o objectivo de acelerar as construções. Foi lhes permitido viverem no seu próprio bairro e manterem os seus costumes e a religião católica. No bairro armeno há duas ou três igrejas que se podem visitar sendo a mais conhecida a catedral Vank.

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Outro dos atractivos de Isfahan são as inúmeras pontes que atravessam o rio, infelizmente o rio está quase seco.
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A mais conhecida é a ponte Khaju onde à noite os locais se juntam para cantar e tocar música. Estive por lá à noite e sim senhora havia algumas pessoas a cantar mas também música a sair de uns altifalantes. O ambiente à noite muda um pouco, há muitas famílias a conviver e muitos piqueniques mas também grupos de jovens mais rebeldes ou pelo menos muito iguais ao que vemos no ocidente, putos de tshirts com o símbolo da folha de cannabis a meterem-se com as raparigas e elas a mostrarem-lhes o dedo do meio :p
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Planeei três dias em Isfahan, mas sinceramente dois deram bem para ver tudo e ainda me sobrou tempo para andar às voltas no bazar e relaxar na praça. Ao início do terceiro dia fui ter com a recepção do meu hotel perguntar como podia no dia seguinte apanhar o autocarro para Yazd. A senhora ficou a olhar para mim com um ar muito sério e disse-me que por causa do feriado religioso muitos transportes já estavam cheios e não garantia que conseguisse bilhete, mas que ia ver. Fez uma chamada, falou com alguém em farsi e no final disse-me que não conseguiam ver se havia bilhetes ou não porque o "programa da internet" estava "fechado" :D eu tinha de ir ao terminal de autocarros ver por mim mesma. Lá segui eu mas para meu espanto o metro estava fechado, era 6ª feira, o fim de semana iraniano, e em algumas cidades o metro fecha. Tentei apanhar um taxi mas também havia menos taxis a passar, consegui encontrar um taxista parado mas falou comigo em farsi e fazia o sinal de me enxotar para longe, não percebi nada! Tentei apanhar um autocarro mas parece que a frequência dos autocarros também diminui, esperei, esperei e não passou autocarro nenhum. Já estava meio farta e bastante frustrada e decidi começar a contactar agências de viagem a perguntar se me arranjavam autocarro para Yazd no dia seguinte ou no dia depois, já estava mentalizada de que ia ter de passar mais um dia em Isfahan apesar de não me apetecer nada, por esta altura já tinha visto tudo o que queria e já começava a aborrecer-me. Várias agências responderam a dizer que devido ao Arbaeen estava tudo esgotado; finalmente a meio da tarde a IranRoute respondeu que havia bilhetes para o autocarro das 6h30 do dia seguinte, podia marcar no site deles mas era melhor apressar-me pois os transportes estavam todos com muita procura! Lá fui eu comprar o bilhete e as mãos até tremiam até porque a net foi abaixo e quando fiz refresh já tinham voado uns dez bilhetes! 😲 Lá consegui comprar o meu bilhete. Entretanto decidi que acabava ali a brincadeira da viagem espontânea e comprei todos os transportes que me faltavam para o resto da viagem.

Segunda dificuldade, o que eu tinha comprado não era um bilhete mas sim uma reserva, antes do autocarro partir tinha de ir à bilheteira mostrar o comprovativo de reserva e trocá-lo pelo bilhete. A agência de viagens garantia-me que a bilheteira estaria aberta às 6h, mas eu por esta altura já duvidava de tudo. Mal consegui adormecer a pensar que podia não conseguir bilhete para o autocarro, pior ainda quando pensava que era capaz de ir levantar-me às 4h30 para nada.


Yazd

Felizmente correu tudo bem e lá fui eu em direção a Yazd, num autocarro que seguia cheio, com gente inclusivamente sentada no chão; pior, pareceu-me que ia gente no compartimento da bagagem, o autocarro fez várias paragens e em todas elas apareciam na rua pessoas que nunca vi dentro do autocarro! As únicas estrangeiras no autocarro eram aparentemente eu e umas raparigas romenas que iam à minha frente, elas tinham comprado bilhete para o autocarro das 15h do dia anterior mas quando chegaram à estação disseram-lhes que o autocarro tinha sido cancelado porque todos os turistas tinham cancelado a sua viagem, o que é incrível se pensarmos que nunca vi muitos turistas nestes autocarros. A meio da viagem entraram uns militares no autocarro e pediram-lhes o passaporte e o visto, eu já tinha os meus documentos prontos para mostrar mas devem ter achado que eu era iraniana pois não me pediram nada.

Chegámos a Yazd, mais uma cidade num oásis, em algumas coisas semelhante a Kashan mas sem as bonitas casas tradicionais; existem algumas mas toda a gente concordava que não são tão bonitas como as de Kashan por isso não visitei nenhuma. Andei a passear pela cidade e ainda vi o final da procissão do Arbaeen, ia toda a gente vestida de preto da cabeça aos pés incluindo crianças. A procissão partiu em frente à Jameh Mosque de Yazd; uma Jameh Mosque é uma mesquita congregacional ou a principal mesquita da cidade, todas as cidades têm a sua Jameh Mosque.

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O complexo Amir Chakmak que infelizmente tinha uma espécie de palco branco em frente.

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As raparigas romenas tinham combinado uma ida ao deserto para ir ver o pôr do Sol e convidaram-me a ir com elas. Foi um dos melhores momentos no Irão. Eu não sou grande fã de desertos de areia, mas as raparigas romenas estavam super contentes, impossível não viver da alegria delas. Aqui não havia hijabs, não havia pudores, estávamos rodeadas de grupos de amigos e famílias a conviverem livremente, casalinhos abraçados, mulheres a fumar, tudo muito descontraído. Estivemos por ali um pouco sentadas a tirar fotos e a apreciar a paisagem e uma rapariga iraniana meteu conversa com elas. Começou a dizer que gostava muito do Irão, um país muito bonito e onde gostava muito de viver, mas o governo...ARRGHH 😕 Depois do pôr do Sol fomos embora e na direção do deserto vinham uma série de jipes, explicaram-nos que à falta de sítios onde sair e beber o pessoal costuma fazer "raves" no deserto!

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À noite fomos jantar e andámos a passear pela Jameh Mosque já que à noite a entrada era gratuita.
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No dia seguinte andei sozinha a visitar dois locais importantes para a religião original do Irão, o Zoroastrismo. O primeiro foi o Templo de Fogo, o templo onde existe um fogo sagrado que arde há centenas de anos. Andava perdida à procura da entrada do templo, fui pedir ajuda a um senhor que não falava de inglês mas veio comigo até à porta. Foi comigo para a bilheteira, viu-me tirar o dinheiro do bilhete da mala mas não me deve ter achado capaz de o transferir para as mãos do senhor da bilheteira porque pegou no meu dinheiro e entregou-o ele ao homem! Entrou comigo no templo e eu percebi que ele ia andar por ali a seguir-me, a apontar para as coisas e a falar numa língua ininteligível (e provavelmente cobrar-me depois), tive de repetir umas quantas vezes que queria estar sozinha para ele desaparecer. Uma coisa no Irão é que toda a gente achava que pode ser guia turístico mesmo que não fale uma palavra de inglês, e toda a gente que tem um carro acha que pode servir de taxi mesmo que o carro esteja a cair de podre!
 
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O segundo sítio, que eu achei muito especial, foram as torres de silêncio zoroastras. O Zoroastrismo acredita que a terra é sagrada e os cadáveres em decomposição a corrompem, então os corpos eram colocados nestas torres altas para serem devorados pelas aves de rapina; os ossos eram depois queimados e as cinzas entregues à famílias. A zona junto às torres era um complexo com vários edifícios onde se preparavam os corpos para serem colocados nas torres e onde viviam as pessoas que lidavam directamente com os cadáveres. Como muita gente morria de doenças infecciosas, quem tratava dos cadáveres não podia sair do complexo para minimizar o risco de transmissão de doenças às pessoas da cidade. Claro que hoje em dia já não se colocam os corpos nas torres mas os zoroastras têm um cemitério especial onde os corpos são enterrados numa espécie de "caixa" de cimento que impede o corpo de entrar em contacto directo com o solo.
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O resto do tempo em Yazd foi passado a deambular pelas ruas. Não senti que houvesse muito para ver mas as ruas da parte antiga eram bastante engraçadas.

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Aqui em baixo o túmulo dos 12 Immans onde não entrei

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Ao lado a suposta prisão de Alexandre o Grande. Digo suposta porque não há grande evidência científica que realmente o tenha sido.
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No último dia jantei no Marco Polo rooftop, um restaurante com uma vista bonita para a rua principal de Yazd. Um dos empregados perguntou se era a primeira vez que ia ao Irão porque eu lhe parecia familiar...claro, devo ser igual a milhões de iranianas 🙄

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Yazd apesar de ser cidade tem um ambiente mais "pequeno" e isso nota-se...várias vezes vi lojas de porta aberta com o comerciante lá dentro a dormir, ou lojas "fechadas" mas só com um expositor a bloquear a entrada aberta!
 
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Shiraz

De Yazd segui para Shiraz, a minha última paragem no Irão. A viagem foi tranquila porque já tinha comprado com antecedência o bilhete para o autocarro nocturno. Tranquila para mim, porque encontrei um casal de polacos a quem tinham cancelado o autocarro, tinham-lhes dito que podiam usar os mesmos bilhetes para ir no autocarro nocturno mas o motorista não os queria deixar entrar! Acabei por não perceber se seguiram no autocarro ou não.

Ia primeiro visitar a Pink Mosque mas ia eu a entrar e as raparigas romenas que conheci em Yazd a saírem, super contentes por nos termos encontrado :D Decidi juntar-me a elas e lá fomos passear. A primeira paragem foi o Museu Naranjestan-e-Ghavan, uma casa tradicional.
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A casa tinha este piso superior todo envidraçado para ser usado exclusivamente pelas mulheres, que não podiam usufruir dos espaços exteriores. Assim podiam admirar o jardim cá de cima...

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Depois visitámos o túmulo do poeta Hafez, um dos principais poetas iranianos a par com o Sa'adi. Diz que o túmulo costuma estar cheio de pessoas a cantar e a declamar poesia mas certamente que não à hora que nós fomos, apenas vimos dois rapazes um a ler e a explicar os poemas e o outro a ouvir.

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Os poemas de Hafez podem ser lidos como um oráculo, basta pensar numa pergunta, abrir uma colectânea de poemas numa página ao calhas e o poema que calhar é a nossa resposta! Funciona mesmo porque os poemas são altamente metafóricos e podem ser interpretados da maneira que a pessoa quiser :p À entrada do complexo do túmulo de Hafez estão uns senhores com umas caixinhas com poemas de Hafez nuns postais ilustrados, e um passarinho. O passarinho tira um dos poemas com o bico e esse poema é a nossa profecia. Ora, esta era uma das coisas que eu queria muito mas mesmo muito fazer no Irão, ter uma profecia do passarinho! Quando saímos do túmulo lá vêm os senhores directos a nós e um deles ofereceu a profecia de graça a uma das raparigas romenas...mas a mim pediu-me 100.000 rials pela profecia! Fiquei fula!🤬 Ele ainda baixou o preço para 50.000 rials mas eu já estava aziada e não queria mais conversas!

As minhas companheiras romenas partiam nessa tarde 😟 Despedi-me delas e passei a tarde a deambular por Shiraz, passeei na zona da citadela Arg, não me apeteceu entrar porque as fotos que vi não me despertaram grande interesse.

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Dediquei-me nessa tarde a tentar marcar uma tour a Persepolis. Contactei primeiro a Pars tours, uma das empresas recomendadas pelo Lonely Planet. Responderam logo que havia uma tour de meio dia no dia seguinte, a Persepolis e à Necropolis, a tour custava 17€. Aceitei logo, e já tinha tudo combinado para fazer a tour quando me responderam que pediam desculpa mas afinal o preço tinha aumentado para 25€. Como assim o preço aumentou no espaço de meia hora?? Disseram que o preço tinha aumentado na semana anterior e se ainda estava interessada. Claro que não, sendo assim cancelei tudo. Pediram muita desculpa, disseram que esperava que eu não ficasse triste. Respondi que não estava nada triste porque o que não faltava eram tours a Persepolis só achava que não eram uma empresa de respeito. Responderam-me pouco depois a dizer que tinham falado com o chefe e ele autorizava que eu fizesse a tour pelos 17€! Os preços que tinha visto noutros lado eram todos acima dos 25€ e as raparigas romenas tinham pago 45€ só pelo transporte por isso lá aceitei.

Eu não sou muito dada a tours, geralmente prefiro andar sozinha à descoberta mas Persepolis é daqueles sítios onde um bom guia faz toda a diferença! Persepolis era a capital ceremonial do império Aqueménida, mandada construir por Darius I. Não era a residência oficial do rei mas sim onde se comemoravam datas importantes como o Nowruz (ano novo). Persepolis foi destruída por Alexandre o Grande, como vingança por Darius ter destruído uma série de templos gregos. Hoje em dia quem olha para Persepolis vê apenas pedras caídas por todo o lado. Um bom guia consegue dar vida a este lugar tão especial. A nossa guia, Fatemah, era espectacular e fez isso muito bem, com as explicações e as histórias que nos contava parecia que estávamos realmente no reino de Darius I.
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Uma parte do complexo que eu achei muito bonita, nestas pedras estão representadas 23 de 28 delegações de povos diferentes que visitaram Darius I em Persepolis. É incrível o nível de detalhe dos desenhos, cada povo tem feições e roupas diferentes e leva diferentes prendas para o rei. As delegações em falta estão no British Museum e também já as vi :p
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A guia explicou-nos que o complexo de Persepolis ia estar encerrado daí a uns dias, isto porque em Outubro há um dia em que se comemoram os feitos da dinastia Aqueménida e muitos iranianos vão em "procissão" a Persepolis, ora o governo não acha piada a estas demonstrações de apreço pelas monarquias dos tempos passados e por isso fecha Persepolis durante uns dias todos os anos.

A segunda parte da tour é à Necropolis (Naqsh-e-Rostam) onde estão sepultados Darius I, Xerxes I, Artaxerxes I e Darius II.

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Ao lado dos túmulos existe um cubo zoroastra, ninguém sabe ao certo para que servia.
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Estivemos um bocado a falar com a nossa guia que se queixava da falta de liberdade e da vida no Irão. Ela queria muito emigrar, e como havia no nosso grupo dois rapazes dinamarqueses que trabalhavam na TUI perguntou se podia usar os emails deles para fazer algumas perguntas sobre vistos e emigração.

A tour de um dia completo continuava até Pasargadae, onde está o túmulo de Cyrus o Grande. Eu e os dinamarqueses só tínhamos pago a tour de meio dia e por isso seguimos de regresso a Shiraz. Almoçámos juntos, eles estavam completamente fascinados pelo Irão e pela simpatia das pessoas, iam no segundo dia de viagem mas já tinham a certeza que queriam voltar. Contaram que numa loja de doces o vendedor lhes tinha oferecido uma caixa de doces, ora a mim pediam-me 250.000 rials em todo o lado por aquelas caixas!! 😢

No dia anterior tinham ido visitar o Pink Lake (lago Maharloo), um lago de sal que é cor de rosa por causa dos microorganismos que o habitam. Já tinha lido sobre o Pink Lake mas não me fascinou, quando vi as fotos dos dinamarqueses pensei "Eu tenho de ir a este sítio!!":D Depois de almoço despedimos-nos e assim que voltei ao hotel fui logo perguntar se me arranjavam uma tour ao lago cor-de-rosa. Arranjaram-me transporte pelo mesmo preço que os rapazes dinamarqueses tinham pago (15€), então lá fui eu!

Só que chamar a isto um lago é um pouco optimista! O lago está quase todo seco e aquilo que vemos é só uma água rasinha, mas ok pelo menos é cor de rosa!
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Mel C

Moderador
Staff
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De seguida visitei um sítio que me surpreendeu, e que achei muito especial, o mausoléu/mesquita Shah Cheragh (significa Rei da Luz), onde estão sepultados dois mártires muçulmanos. A visita é muito especial pois apesar de ser gratuita, disponibilizam um guia também gratuito para acompanhar os turistas. A existência do guia não é inocente, o complexo é enorme e há imensos sítios onde os não-muçulmanos não podem entrar, por exemplo não nos deixaram chegar nem perto dos túmulos apesar de terem deixado as mulheres entrar na zona dos homens. No entanto do que li o complexo esteve durante muito tempo fechado aos turistas. O guia que me calhou era espectacular, não só explicou a história daquela mesquita e quem eram as pessoas ali sepultadas como nos explicou imensas coisas sobre as decorações da mesquita, a razão de ser das cores, das formas geométricas escolhidas, dos espelhos (segundo ele os espelhos eram importados da Europa e como muitos chegavam partidos, reaproveitavam-se os pedacinhos para a decoração). Para além disso o guia estava disponível para responder a quaisquer perguntas que tivéssemos sobre o Islão. Para entrar neste complexo é obrigatório vestirmos um chador que nos emprestam à entrada e depois devolvemos.
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O último sítio visitado em Shiraz foi a icónica Pink Mosque (Nasir-ol Molk). É imperativo visitar de manhã cedo para apanhar a luz a reflectir nos vitrais de forma bonita.

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De Shiraz apanhei um voo interno para Teerão, onde passei o último dia no Irão. A companhia em que voei foi a ATA Air, escolhi porque tinha o melhor horário e um preço aceitável, quando fui ver tinham para aí 2 estrelas no Tripadvisor :p O voo foi num MD-83 a cair de velho mas só mesmo de velho! Felizmente correu tudo bem.

E assim terminou a minha viagem ao Irão. É um país realmente diferente e aconselho que toda a gente vá pelo menos uma vez na vida, porque a cultura Persa é totalmente diferente de tudo o que possamos encontrar noutros sítios. Eu cá já tive a minha dose.
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PaulaCoelho

Membro Conhecido
Sou uma dessas pessoas que adorou o Irão, as gentes, a comida, as cidades e especialmente o deserto e as ilhas, pelo que quando comecei a ler o relato soltei logo um “Ohh, ela não gostou!”. 😳
As expectativas que criamos em relação a um destino por vezes deixam-nos um grande sabor agridoce… aconteceu-me o mesmo com Nova Iorque mas tirei daí uma grande lição e qualquer dia quero dar uma segunda oportunidade.

Quando planeei a minha viagem ao Irão também não levei os transportes internos comprados mas evitei os feriados por ter lido que seria caótico… não me lembro se vinham referenciados nos guias pois são móveis mas pesquisando por Iranian Holidays na net aparecem tanto o Ashoura como o Arbaeen.
Quanto a planear e agendar a viagem sozinha não partilho a tua opinião… fui com uma amiga mas sou sempre eu a “agente de viagens” e quem pesquisa e marca tudo pois adoro fazer roteiros 😊 e para o Irão apenas contactei guias locais para as zonas em que a mobilidade por conta própria seria mais difícil (deserto e ilhas). Levei alojamentos reservados não pagos e o comboio pago pois sabia que seria difícil comprar lá por ser para o dia seguinte e querer vagão-cama… os restantes transportes foram comprados lá na noite anterior, mas como não apanhei nenhum feriado também não apanhei esse enorme caos!

É fácil que a nós tugas morenas nos tomem por iranianas 😅… perdi a conta a quantas vezes começaram a falar farsi comigo sem eu entender uma palavra!
Já tinha referido no meu report que atravessar a estrada, especialmente em Teerão, podia ser considerado desporto radical! É de loucos a falta de respeito pelo peão!

Que sorte apanhares água no rio em Isfahan… eu atravessei a pé pois estava totalmente seco!
Quando fiz o meu roteiro decidi não ir a Yazd mas tive pena especialmente pelas Torres do Silêncio. Gostei das fotos.
Em Shiraz também pensei ir ao Lago Maharloo mas no hotel disseram que Outubro não seria a melhor altura pois teria pouca água e pouco rosa mas afinal sempre é rosa apesar da pouca água.

Desculpa o comentário tão longo mas tenho mesmo imensa pena que a tua experiência no Irão não tivesse sido tão agradável e surpreendente como a minha.
Felizmente o planeta é grande e existem sempre outros cantos para explorar sem precisarmos repetir 😃😃
 

rum

Moderador
Staff
O destino pode não ter correspondido às tuas expectativas... mas o report correspondeu às minhas. Está fantástico,

O que achei curioso é como é que se gasta mais dinheiro em souvenirs do que em alojamento???
 

Mel C

Moderador
Staff
@Leonorb obrigada!:)

@PaulaCoelho também tenho imensa pena que não tenha correspondido às expectativas mas é o que é :) Quando pesquisei sobre viajar em Outubro no Irão não falava nada do Arbaeen e não fui a única enganada pois vários outros viajantes independentes foram apanhados de surpresa. Já para não falar nos autocarros cancelados, se há imensa gente a viajar porque cancelam autocarros? Muito estranho. Também não é fácil gostar de um país quando somos tratados de maneira diferente dos outros turistas, oferecerem coisas a uma pessoa que está comigo e pedirem-me a mim que pague pelo mesmo é meio surreal. Mas tal como dizes o mundo é muito grande e felizmente há outros sítios para conhecer. Não quero voltar ao Irão porque não quero voltar a um sítio onde me senti todos os dias chateada e frustrada, se fosse já ali ao lado e a viagem fosse barata ainda repensava mas tendo em conta o investimento de tempo e dinheiro que o Irão implica, para mim não vale a pena.

@rum os hoteis no Irão são baratos e bastante aceitáveis, nunca paguei mais por 10€/noite por um quarto só para mim com casa de banho privada, alguns quartos até eram duplos apesar de estar lá sozinha. Em compensação os souvenirs conseguem facilmente chegar a esse preço especialmente se forem peças de "artesanato" (a maioria eram de produção industrial em massa mas enfim), por exemplo eu comprei uma caixinha de khatam kari (madeira gravada) que custou 37€ que foi mais do que gastei pela estadia em qualquer um dos hoteis onde fiquei :p
 

PauloNev

Moderador Sénior
Staff
Muito obrigado pela partilha.
Pena não teres gostado, mas fizeste um excelente report, recheado de belas fotos.
Eu também tenho por habito me "desiludir" por ter expectativas altas, quando todas as pessoas falam muito bem de algo, acabo sempre por pensar (ok é giro,mas...).
Boas viagens ;)
 

Paulo Leite

Coordenador
Staff
Olá @Mel C ,

Faço minhas as palavras do @rum , pois está mesmo muito bom o report...

Acrescento o seguinte:
1º espero que tenhas ficado com o contacto do Srº que mandou para o transito para tu atravessares....
2º deixa de ser "mitra" 50.000 Rial iraniano são +- € 1,35.... e se querias MESMO.. até deverias ter pago os 100.000 :p
3º as fotos estão fantásticas e as cores são brutais.. :)
4º admiro a tua vontade/coragem em ir sozinha para um destino destes...
5º espero mesmo que tenhas ficado com o contacto do Srº 🕌💑😻
6º como é possível ter gasto 4.398.902,86 Rial irariano em Souvenirs

Agora mera curiosidade... na tua foto... os teus pés estão sobre areia ou sal?

Muito Obrigado pela partilha :)
 

Mel C

Moderador
Staff
@Paulo Leite ahaha olha agora um casamento iraniano! :p Eu queria mesmo, mesmo a profecia do passarinho e estava disposta a pagar até ter percebido que outras pessoas recebiam a profecia de graça! A rapariga romena deu-me a profecia dela porque ela não queria saber daquilo para nada mas não é a mesma coisa!

Quanto à última foto, estava em cima de sal!
 

ploferreira

Moderador Sénior
Staff
Isto é que foi uma aventura!

Parabéns, ir sozinha para o irão e com pouco planeamento... grande mulher :D

Adorei as fotos, é daqueles destinos que tenho debaixo de olho, quando lá for já sei quem me vai ajudar no planeamento :p
 

Jorge Gonçalves

Membro Conhecido
Apesar dos contratempos e do saldo final foi uma bela experiência, com muitas histórias, umas mais engraçadas outras nem tanto, mas com muitas coisas para recordar... e isso é bom!
Depois, todas essas aventuras permitiram este fantástico report! :)

O Irão é um destino que tenho no radar, mas não sei para quando... ainda não passou para a short list, mas subiu alguns lugares. 😀
 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
@Mel C sou uma das apaixonadas pelo Irão, cultura, património, paisagens, e percorri o teu report encantada, como já tinha acontecido com o da Paula Coelho. Não conheço, e tenho noção que preparar uma viagem assim dá imenso trabalho e alguns contratempos. Fiquei com ideia de que apesar de todos os aspectos menos positivos conheceste lugares fantásticos e únicos, as fotos assim o dizem. Obrigada pela partilha!
 
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