[Report] - Road trip pelos Balcãs - Parte III: Montenegro, a riviera do Adriático

Antonia.M.S.

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Road trip pelos Balcãs- 2019 Parte III

Podem ver aqui a Parte II:
https://www.portaldasviagens.com/threads/road-trip-pelos-balcãs-parte-ii-magnífica-croácia.30991/


Montenegro, a riviera do Adriático

O Montenegro é um país balcânico, muito montanhoso, e com uma estreita faixa de praias ao longo do litoral do Mar Adriático. Juntamente com a Bósnia-Herzegovina, Croácia, Eslovénia, Macedónia e Sérvia, integrou a Iugoslávia. Depois da sua fragmentação juntou-se à Sérvia, formando um país denominado Sérvia e Montenegro. Em 2006 um referendo determinou a sua separação da Sérvia dando origem, na altura, ao mais novo país do mundo.

A sua capital é Podgorica e para além de lindas cidades e vilas, algumas medievais e fortificadas, como Kotor, rodeadas por escarpadas montanhas, podemos encontrar neste belo e pequeno país cinco magníficos parques nacionais:
  • Parque Nacional do Lago Skadar
  • Durmitor National Park
  • Parque Nacional Prokletije
  • Parque Nacional Lovćen
  • Parque Nacional Biogradska Gora
Chegámos ao Montenegro vindos de Mostar, numa viagem bonita e cansativa pelo interior da Bósnia e Herzegovina.

Ao iniciarmos a descida das montanhas, em direcção a Herceg Novi e numa paisagem de tirar o fôlego, surge no horizonte a imponente figura do fiorde montenegrino. A chegada ao Montenegro não podia ser mais esplendorosa.





Decidimos não parar em Herceg Novi, vila adorável, que vimos de passagem, porque a anfitriã do nosso alojamento (um alojamento local) já nos aguardava. Ainda que tivéssemos pedido para fazer late check-in, prevendo encontrar pelo caminho muito para ver, já nos tinha enviado algumas mensagens a perguntar quando prevíamos chegar e percebemos que estava à nossa espera.

À medida que percorríamos a baía do fiorde, sempre aconchegado nas escarpadas montanhas, ficávamos cada vez mais deslumbrados e imensamente arrependidos de não termos destinado mais dias para esta parte do Montenegro.

Não resistimos a parar algumas vezes (ainda que não tantas como gostaríamos) para tirar fotos e apreciar a vista.













As Bocas de Cattaro constituem o fiorde do Montenegro e nele podemos percorrer pequenos povoados onde não falta património histórico, praias e vários locais de lazer. Sempre acompanhados de belas montanhas e uma paisagem extraordinária (as fotos não fazem jus à paisagem, muitas foram tiradas do carro em andamento).



















Uma das vilas mais bonitas do fiorde é Perast, muitas vezes mencionada como a Veneza dos Balcãs. É bastante pequena, mas muito conhecida e rica em património arquitetónico. Possui várias igrejas e palácios em que se incluiem a Igreja de São Nicolau, o Palácio Zmajevic, o Palácio Bujovic (que alberga o Museu de Perast) e a Igreja de São Marcos.




Em frente da vila encontram-se dois pequenos ilhéus que não passam despercebidos: a Ilha de São Jorge, mais pequena e interdita a visitas e a Ilha de Nossa Senhora nas Rochas que pode ser visitada. Infelizmente não pudemos para em Perast, mas avistá-la da estrada já foi um conforto.





O país começa a estar bastante voltado para o turismo, e não faltam opções de alojamento e restauração.


Escolhemos para ficar, na nossa primeira noite no Montenegro, Dobrota, às portas de Kotor (a cerca de 3km). Na altura da reserva percebemos que seria difícil conseguir alojamento com estacionamento próprio em Kotor, e este B&B novo e à beira-mar (ainda sem revues que nos orientassem), tinha bom aspecto, pareceu-nos perfeito. Arriscámos e não ficámos desiludidos. Não era o melhor quarto do alojamento, nem tinha vista para a baía, mas era bastante espaçoso, tinha uma pequena janela com vista para as montanhas e era impecável, muito limpo, com tudo o que podíamos precisar. A anfitriã, uma jovem senhora russa, não podia ser mais simpática e acolhedora. Pequeno almoço simples, mas personalizado. Boa relação qualidade/preço.

Ao chegarmos a Dobrota percebemos que a nossa anfitriã nos esperava já ansiosa para fazer a sua tarde praia 😉

Conhecido o alojamento fomos também a correr para a praia. Que ali, tal como na Croácia, se faz em pequeninos espaços com pedrisco, frente às casas, ou em plataformas de cimento.




 
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Antonia.M.S.

Membro Conhecido
Uma senhora idosa entretém-se a pescar nesta paisagem incrível com Kotor ao fundo.





A noite estava óptima, e as esplanadas muito convidativas. Optámos por jantar num restaurante/pizzaria recomendado pela nossa anfitriã. Nada de especial, comida muito mediana e tempo de espera exasperante. Mas em Dobrota não havia muitas opções, arrependemo-nos depois de não termos ido até Kotor.











A envolvente, no entanto, era magnífica e instalámo-nos confortavelmente à beira-mar (com as devidas reservas de segurança já que havia mesas literalmente a meio metro da água).


Este foi um jantar memorável porque vivemos um dos momentos mais hilariantes da viagem. Não me alongarei com detalhes e em modo resumido, numa mesa por detrás da nossa, mesmo à beirinha da água, um inglês bem bebido e com dívidas colossais às boas maneiras resolveu, despudoradamente e para nosso desmedido espanto, acompanhar a refeição de sonoros gases. Nas outras mesas ninguém se manifestava, e nós não sabíamos literalmente o que fazer. Por um lado, uma situação desagradável e no mínimo caricata, por outro, que dizer? Nada fizemos. No final do jantar, na saída da mesa, um desequilíbrio quase levou o inglês a banhos. Salvou-o a aparente sobriedade da companheira, e lá seguiram os dois, de braço dado e na melhor das disposições.





Depois do jantar e deste episódio surreal, demos uma pequena volta pelo passeio marítimo e regressámos ao alojamento. Estávamos cansados e ansiosos, no dia seguinte aguardava-nos Kotor.


O por-do-sol na baía e o anoitecer são absolutamente mágicos. Os montes escarpados que envolvem o fiorde ficam muito negros à medida que a luz natural se desvanece. Com o cair da noite surgem, dispersos pela orla costeira e ainda tímidos, muitos pontinhos brilhantes, que vão ganhando intensidade à medida que a escuridão avança.


Lindíssimo.





Alojamento: Apartments G. Jovanovic

Kotor


À semelhança dos dias anteriores o dia amanheceu limpo e o sol abrasador. Tomámos o pequeno almoço e despedimo-nos, com pena, do nosso alojamento à beira do Adriático e da nossa simpática anfitriã.


Por volta das 10h da manhã estávamos a entrar na magnífica, muito visitada e requisitada Kotor.


Muitos turistas, chegados de cruzeiros, de carro e de autocarro, muitos japoneses com as suas inseparáveis sombrinhas, e outros visitantes, já tornavam a cidade quase intransitável a essa hora da manhã.


O primeiro objectivo era percorrer a muralha. Mas meia dúzia de metros andados, depois de estacionarmos o carro (no Parque pago logo à entrada da cidade, do lado esquerdo), foram suficientes para nos demover da ideia. Estava demasiado calor.


Assim passeámos a cidade com calma, ou com a calma possível considerando o número de turistas.









































 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
Apreciámos cada rua, cada detalhe, visitámos as igrejas, ouvimos música. Muita e boa música. Estava a decorrer o International Festival Kotorart, um dos mais importantes festivais de arte e cultura do país. Reúne bons artistas internacionais e atrai público de todo o mundo. Habitualmente, tem início em fins de junho e dura até meados de agosto.

















Saboreámos o momento. Único, porque o lugar é mesmo especial. A cada meia volta, no final de uma velha rua, a muralha espreitava-nos tentadora.






































 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
Perto de Kotor encontram-se outros locais emblemáticos e também muito turísticos do Montenegro. Tivat, Porto de Montenegro, Buvda e Sveti Stefan são alguns desses locais. Foi para lá que seguimos depois de Kotor.

Neste percurso e por desatenção não seguimos o que estava previsto no roteiro. Tinha registado nas minhas notas que devíamos seguir até Tivat pela linha da costa, percurso mais demorado, mas incontáveis vezes mais bonito. Só que à saída de Kotor seguimos as primeiras indicações que vimos, com direcção a Tivat, e acabámos por fazer o caminho mais rápido, a direito, pelo interior e não pela costa. Quando percebemos resolvemos não voltar atrás. Não foi a melhor decisão, porque é lindo e não desfrutámos dele.

Parámos em Porto de Montenegro onde fizemos uma refeição ligeira, e apreciámos a paisagem, toda ela de luxo por aqui.

Se é verdade que Budva foi uma das primeiras estrelas do Montenegro, também o é que cresceu e se desenvolveu tão rápido que quem procura mais sossego, e mais luxo, se fica por Tivat e pelo Porto de Montenegro.

Os iates atracados neste porto, um projecto milionário com investidores de vários pontos da Europa, não deixam dúvidas sobre quem são os seus grandes frequentadores. Um passeio marítimo muito atractivo onde não faltam belos jardins, lojas de marca, hotéis, restaurantes e imobiliárias e uma paisagem de sonho, fazem deste lugar um dos mais procurados pelo jetset montenegrino e até europeu.























Seguimos depois em direção a Buvda, não para pararmos já que este destino aparentava ser ainda mais frequentado que Kotor, mas para apreciarmos a famosa ilha de Sveti Stefan, uma antiga aldeia de pescadores que actualmente é um resort de cinco estrelas em que foram preservadas a muralha e as casas medievais. Para visitar, se não formos hóspedes, temos de pagar entrada.


Nas fotos: Buvda do lado direito na primeira. Na segunda avista-se, do lado esquerdo, uma pequenina ilha, Stevi Stefan.








A dificuldade em encontrar um lugar de estacionamento também não permitiu que apreciássemos como gostaríamos Stevi Stefan, que vimos sem parar e seguindo viagem já com o pensamento no destino seguinte, o Monte Durmitor.
 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
Durmitor, a jóia do Montenegro



Não seria justo para os outros destinos da nossa road trip dizer que o Parque Nacional do Durmitor foi a etapa mais bonita da viagem. Estivemos em tantos lugares incríveis que eleger apenas um é tarefa impossível. A verdade, porém, é que esta região é deslumbrante e surpreendente.



Localizado a norte do Montenegro, o Parque Nacional Durmitor faz parte dos Alpes Dinários e é a maior área protegida deste pequeno, mas maravilhoso país.

Nele encontramos paisagens impressionantes, vários picos acima dos 2 000 metros de altitude, sendo o mais alto o Bobotov Kuk, com 2523 metros, 18 lagos de origem glaciar e lindas florestas alpinas. O maciço montanhoso é limitado pelo Desfiladeiro do Rio Tara a norte, pelo Desfiladeiro do Rio Piva a oeste e pelo Desfiladeiro do Rio Komarnica a sul.

Rumo ao Durmitor

Passada a manhã junto ao fiorde montenegrino, depois de almoço demos início à subida da montanha, em direção ao Durmitor, tendo como destino a vila de Zabljak, no coração do Parque.

Viagem longa (cerca de 180 kms entre Buvda e Zabljak) mas acompanhada de paisagens deslumbrantes. Boa estrada, larga e com bom piso. À excepção de um ou outro troço mais sinuoso, com mais curvas, faz-se lindamente.

Seguimos por Cetinge e Podgorica, a capital do Montenegro. Também aqui fizemos apenas uma paragem técnica para um pequeno lanche e um café e demos uma volta de carro pela cidade. Talvez o enorme entusiasmo em chegar ao Parque nos tenha retirado algum interesse em a conhecer melhor.

Parque Nacional de Durmitor

Dia 1

O local escolhido para partirmos à aventura neste fantástico Parque foi a vila de Zabljak, que nos acolheu num final de tarde carregado de nuvens.














Rodeada pelos altos picos do Durmitor e as verdes florestas alpinas, surge como um lugar inventado. Pequenas e coloridas “cabanas” dispersam-se por vastos campos floridos. Encantados desde o primeiro momento.























 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
O GPS levou-nos ao Hotel Pavlovic onde um apartamento simples, mas confortável nos aguardava. Os apartamentos ficam na parte de trás do Hotel e são muito espaçosos. Quarto amplo com varanda, sala (com televisão) e cozinha, com o necessário para confeccionar refeições (que não usámos), e claro, casa de banho. Único ponto negativo: o sinal de Wifi era muito fraco.



O jantar, mais tarde, depois de darmos uma volta pela vila e descansarmos da viagem, foi no restaurante do Hotel Soa Já levávamos algumas indicações e este restaurante prometia. Não desiludiu. Elegante, muito agradável e tudo o que pedimos estava muito saboroso e com ótima apresentação.










As vistas para o Durmitor também são fabulosas, mas a noite estava bem escura e não desfrutamos desse pormenor.


 

Antonia.M.S.

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Dia 2

Crna Jezero





O encanto e o deslumbramento do dia anterior seguiram em crescendo neste dia, que seria inteiramente dedicado à descoberta do Parque. Planeámos começar cedo, e fazer de manhã o percurso do Lago Negro, ou Crna Jezero. De tarde um trilho mais complicado, ainda a decidir.

O dia amanheceu solarengo e quente. Tomado o pequeno almoço no Hotel seguimos de carro até à entrada do Parque Nacional, onde está o Centro de Visitantes. Aí se encontra a bilheteira para adquirir os ingressos de entrada, que custam 3€/dia/pessoa, ou 6€/pessoa para três dias. O bilhete dá para todas as entradas do Parque, que são várias (o Parque tem 39 000 hectares), durante todo o dia. Há sempre vigilantes nos pontos de acesso que vão fiscalizando e pedindo os bilhetes.


Não há parque de estacionamento propriamente dito no Crna Jezero, e os carros começam a distribuir-se na berma da estrada, à entrada do parque. Não se paga por deixar aí o carro.

Entradas compradas seguimos estrada fora, numa caminhada breve e sempre ladeada pela frondosa floresta.





No final da estrada eis que surge, magnífico, o Lago Negro. Aninhado nos altos picos da montanha e envolto pela densa floresta.





Os primeiros momentos são mágicos. Um cenário de postal.








Avistavam-se pessoas em volta do parque, aqui e ali, sem, contudo, beliscar a paz, a tranquilidade que só a natureza transmite.














A caminhada em volta do lago é circular e o grau de dificuldade fácil. Decidimos começar pelo lado direito.





A tonalidade da água vai mudando ao longo do percurso. Mais azul se reflete o céu e o branco dos picos, verde se tem mais perto a floresta densa. A cada passo uma imagem mais bonita do que a anterior.














Demorámos cerca de duas horas e parámos muitas vezes, para tirar fotos ou simplesmente para absorver, desfrutar daquele lugar incrível. Fomos encontrando outros caminhantes, mas o percurso é muito tranquilo, apenas se ouvem os sons da natureza.














Os percursos possíveis desde o Lago


 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
Miradouro de Curevac



Por volta da hora de almoço começaram a avolumar-se fortes escuras nuvens, a comprometer os nossos planos da tarde. Passagem rápida pelo supermercado, para nos abastecermos de fruta e alguns alimentos para caminhadas, e também pelo Posto de Turismo, que fica no meio da cidade. Pedimos o mapa do Parque, e opinião sobre percursos com grau de dificuldade fácil, já que a chuva estava certa. Ao início da tarde ela chegou forte e acompanhada de grandes pedras de granizo. Parece ser normal por ali.

Quando a “tempestade” parecia ter atenuado, resolvemos fazer-nos à estrada. Guiados pela sugestão, tanto do simpático empregado no nosso hotel, como da funcionária do posto de turismo, seguimos até ao miradouro de Curevac. É um pequeno trilho e um dos melhores pontos de observação do desfiladeiro do Tara.

O Desfiladeiro de Tara, ou o Canyon of Tara, é o maior da Europa e tem mais de 1500 tipos de flora e 130 tipos de aves. Desde 1980, o parque e o desfiladeiro de integram o Património da Humanidade da UNESCO. Em 1977, o Desfiladeiro foi proclamado reserva ecológica mundial. Sete zonas do Parque estão inseridas em áreas especiais protegidas.

O miradouro fica a cerca de 15 minutos de carro de Zabljak. O percurso, linear, faz-se em subida junto a uma enorme arriba, e depois segue pela floresta. Tem cerca de 1,5 km de distância desde o ponto onde se deixam os carros, um pequeno largo onde um vigilante nos pede os bilhetes.



Ainda que a subida seja de grau de intensidade fácil, a chuva tornou tudo mais complicado, muitas pedras soltas e sítios onde escorregar. O trilho é curto, mas leva-se uma boa meia hora a subir. Logo no início há bancos de madeira junto ao desfiladeiro, de onde se obtém uma vista fabulosa.

No início da caminhada a chuva parecia estar a abrandar. Munidos das nossas capas de chuva e cheios de vontade, resolvemos arriscar. Não se via vivalma. À medida que subíamos o vento ficava cada vez mais forte, o que dificultava o passo. As nossas capas iam ficando em pedaços pelo caminho, presas nos arbustos. Chegámos ao topo já encharcados.



Mesmo com visibilidade reduzida, por causa das nuvens e da chuva, a paisagem desde o miradouro é magnífica, indescritível. Um privilégio poder desfrutá-la. Queríamos tanto ficar ali um pouco a apreciar aquele cenário. Mas a chuva não dava tréguas, ia e vinha descompassada, por vezes muito intensa, e iniciámos o caminho de volta.







O fenómeno da natureza a que assistimos na descida teve tanto de maravilhoso como de surpreendente.


No final do percurso, e tendo saído da vegetação mais densa, quando descíamos já junto à falésia do desfiladeiro, começámos a ver que se formavam grandes nuvens lá em baixo, no vale. Que nos parecia muito distante. O vento soprava muito forte. Num ápice, como num passo de magia, o nevoeiro começou a subir em direção à montanha, a nós, como que a querer apanhar-nos, ou talvez a envolver-nos, num abraço muito forte.



Em questão de 1, 2 minutos ficou cerrado. Não víamos um palmo à nossa frente. Seriam umas seis da tarde, mas de repente ficou muito escuro, quase de noite. Valeu-nos estar no final do trilho. Seria bem mais complicado fazer todo o caminho, ainda que curto, mas pela floresta dentro e sem nenhuma visibilidade.



Pingando, voltámos ao Hotel. Na parte exterior do Hotel, mesmo à entrada, há um forno de lenha que fumegava quando chegámos. Antevi que se preparava qualquer pitéu, qualquer coisa de especial, e não me enganei. Curiosa, fui perguntar à cozinha do restaurante e fiquei a saber que se preparava assado de borrego.

Um banho retemperador, depois da chuvada, e a promessa de um bom jantar, eram muito animadores. Ainda que fosse cedo para a nossa hora habitual de jantar fomos para o restaurante, acautelando o repasto. A empregada, muito simpática, trouxe-nos as ementas. Afoitos, logo nos adiantámos a dispensá-las, indicando que queríamos era do assado, daquele que estava no forno, lá fora. Num inglês muito esforçado, com ar pesaroso, disse-nos que não. Não podia ser, estava encomendado para um grupo. A desilusão que se estampou na nossa cara transmitiu vigorosamente o que era o nosso sentimento. Com uma enorme amabilidade e vontade de agradar, a senhora fez-nos um gesto. Pediu que aguardássemos, como que a dizer que iria tentar. Logo o nosso coração se voltou a alegrar, claro. E não só tentou como conseguiu trazer-nos duas magníficas doses de borrego assado no forno com batatas. Imaginam melhor final de dia para dois alentejanos?

 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
Dia 3

Ponte do Durdevića Tara (Most na Durdevića Tari)


O dia seguinte era de partida em direção a Sarajevo. Não sem antes visitarmos um dos monumentos mais emblemáticos do Durmitor: a Ponte do Durdevića Tara, sobre o grande desfiladeiro do rio Tara.

Seguimos de Zabljak em direção contrária ao que seria o nosso destino, pelo que no regresso voltaríamos a passar pela vila. Pelo caminho voltámos a encontrar muitas quintas e as lindas casinhas, ou cabanas, típicas da região.

Após uma grande descida surge o belo monumento. Ou melhor, dois belos monumentos, um, obra da mão humana, o outro, obra da natureza. A envolvente é muito verde, de um verde vivo, no literal sentido da palavra. Lá em baixo, bem no fundo do desfiladeiro, o azul intenso do Tara, corre apressado, formando rápidos.




























Um pouco de história

A construção da ponte terá tido início em 1937, de acordo com o projeto de Mijat Trojanović, tendo também sido construído na altura, para apoio às obras o maior andaime de madeira do mundo. Até hoje não foi batido o record. A ponte passa cerca de 150 metros acima do rio, e conta com 5 arcos, o maior dos quais tem um alcance de 116m.

Por causa da grande batalha que ocorreu na Segunda Guerra Mundial nas proximidades de Žabljak, há oito monumentos históricos na região. Outros locais históricos e monumentos estão espalhados a sul e a norte do Parque. O mais importante é a Ponte do Đurđevića Tara, sobre o Rio Tara. Uma obra de arquitetura impressionante que devolve uma das imagens mais bonitas e emblemáticas da região.

Conta-se que na 2ª guerra mundial e para evitar a invasão italiana foi decido demolir a ponta, confiando-se a tarefa ao engenheiro Lazar Jauković, que terá participado na sua construção. Para a sua destruição foram colocados explosivos no arco menor, do lado esquerdo do desfiladeiro. O engenheiro foi posteriormente abatido pelos italianos. Por este ato, e em honra da sua coragem, está agora um busto que o retrata, no lado esquerdo da ponte.




À entrada da ponte há bastante comércio. Os habituais souvenirs e produtos da região.








Percebe-se uma enorme afluência de praticantes de rafting e zipline. Junto à ponte encontram-se várias empresas a propor esta atividade. Os preços variam segundo a dimensão do zipline.
















Que sensação deve ter-se. A vontade de me aventurar é tão forte quanto a falta de coragem.
Comprados os habituais souvenirs seguimos viagem.
 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
P14

Visitado o possível do Monte Durmitor e mais ou menos o planeado no Montenegro, e já na reta final da viagem, saímos de Zabljak, nos Montes Durmitor, em direção a Sarajevo, num dos percursos mais espetaculares de toda a viagem.



Não tínhamos ainda noção do que nos esperava, das paisagens magníficas que nos iam acompanhar. Primeiro cerca de 50 km, ainda pelo parque, mas agora pela estrada cénica P14 e depois até Sarajevo.

No início a P14 parece em mau estado, assusta um pouco, mas melhora ao longo do percurso, e no global não apresenta problemas.







Picos com mais de dois mil metros de altitude, vales ondulantes, pastagens, campos floridos de múltiplas cores, ovelhas pelos montes e vacas pela estrada, casinhas coloridas aqui e ali… um caminho na paisagem cénica, um percurso maravilhoso. Daqueles que paramos vezes sem conta e no final só apetece voltar atrás.















































 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido


















Na verdade, todo o percurso até Sarajevo é magnífico. São cerca de 225 km por entre montanhas, verdes desfiladeiros, lagos, rios e povoações cuja beleza era um apelo a que tivemos de resistir porque as horas corriam velozes.
















A P14 tem o seu final, naquela parte do percurso, junto a Pluzine, quando descemos em direcção ao desfiladeiro do rio Piva.

Cá do alto, ainda na montanha, já na descida, surge uma imagem extraordinária, totalmente inesperada. Lá bem no fundo do vale um rio largo, em azul intenso, e uma ponte. Em volta tudo é verde, uma vegetação densa que parece nascer da rocha. Que visão!!! Indescritível.







 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
Ansiosos por chegar cá a baixo, somos recebidos num abraço azul turquesa. Traz-me Chico Buarque à lembrança e o seu “tanto mar”. Ali seria tanto rio, apenas para nós e um motard, num solitário descanso.







Parámos em Pluzine, que fica logo a seguir, mas em sentido contrário à nossa direcção, para uma refeição, e retomámos o nosso caminho em direção à fronteira.








Sempre junto ao rio, agora pela E762, a “Piva Canyon Roadnum”. Outra estrada cénica que inclui cerca de 60 túneis, e termina na Barragem de Mratinje, uma represa em arco no desfiladeiro do Piva.








Lindo também este percurso, mas muito difícil encontrar um lugar para parar na nossa mão, pelo que só conseguimos obter alguns registos a partir do carro.

Sobre o Parque Nacional de Durmitor:
  • A entrada no é paga: 3€/dia/pessoa, ou 6€/pessoa para três dias. O bilhete dá para todas as entradas do Parque, que são várias;
  • Há vigilantes a pedir os bilhetes nas várias entradas por isso não perca o seu;
  • O Centro de Visitantes do Parque Nacional Durmitor fica junto ao Crna Jezero ou Lago Negro mas o Posto de Turismo, onde pode pedir mapas e informações é no centro de Zabljak;
  • Para fazer “rafting” ou zipline, algumas das atividades mais famosas em Durmitor, procure as empresas junte à Ponte;
  • Para caminhadas não esquecer calçado adequado e capa para a chuva.
  • Em Zabljak há uma oferta enorme de alojamentos e restaurantes. De inverno também muitas lojas dedicadas aos desportos de inverno.
  • Procure restaurantes para jantar entre as 19,30h e as 22h. Mais tarde que isso pode tornar-se difícil. Um dos pratos mais típicos da região é o borrego assado.
  • O Parque merece alguns dias para ser explorado minimamente, e tem muitos percursos fantásticos, a não perder, de todo, a P14.

Dicas gerais de viagem:

Alojamento
: Há muito alojamento, de todos os tipos e preços, no Montenegro. Por todas as localidades à beira do fiorde também. No fiorde escolhemos Dobrota, a cerca de 3km de Kotor, no Monte Durmitor, Zabljak.
Alimentação: Os preços variam mas as refeições andam seguramente pelos mesmos preços praticados no nosso país. Massas e pizzas e frutos do mar (mexilhões e ostras especialmente), estão muitos presentes nas ementas.
Moeda: No Montenegro a moeda é o Euro.
Estacionamento: Não é fácil estacionar, ou é mesmo quase impossível estacionar, nas principais localidades sem ser em Parques pagos.
Roaming: Apesar da moeda ser o Euro atenção que para chamadas telefónicas e uso de dados em roaming o Montenegro não pertence à UE.
Clima: No geral ameno mas com Verões bem quentes e secos. O inverno costuma ter bastante precipitação.
Voos: O principal aeroporto internacional fica em Podgorica a cerca de nove quilómetros da cidade. Em Tivat também há um pequeno aeroporto.

Até já Montenegro!

E pronto, chegou ao fim este report, que eu sei ser muito longo, e espero que me desculpem pelo excesso. É muito difícil resumir e selecionar, quando nos parece que cada cantinho tem a sua própria beleza. Adorámos todos os lugares onde estivemos. Pena as fotos não fazerem jus a alguns deles.

Foi uma bela viagem esta que fizemos, iremos sempre lembrá-la com saudade e carinho.
 

PauloNev

Moderador Sénior
Staff
Uma viagem magnifica, apesar de não ser grande fan de road trips, ao ver estes reports, ficou a vontade de ir.
Mais uma vez paisagens incríveis que dão belas fotos.
Boas viagens ;)
 

PaulaCoelho

Membro Conhecido
Espectacular! 😍

Na minha curta passagem por Montenegro adorei o que conheci e fiquei com vontade de regressar para explorar melhor.
Adorei as fotos do Parque Durmitor e, para uma amante de roadtrips como eu, essa estrada P14 deve ser espectacular de se conduzir.
Quando lá regressarem têm mesmo de subir à muralha de Kotor pois a vista também é deslumbrante.
O país é sem dúvida um postal! :)
 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
Espectacular! 😍

Na minha curta passagem por Montenegro adorei o que conheci e fiquei com vontade de regressar para explorar melhor.
Adorei as fotos do Parque Durmitor e, para uma amante de roadtrips como eu, essa estrada P14 deve ser espectacular de se conduzir.
Quando lá regressarem têm mesmo de subir à muralha de Kotor pois a vista também é deslumbrante.
O país é sem dúvida um postal! :)
Obrigada Paula, o Montenegro é sem dúvida merecedor de um ou vários regressos que também espero concretizar. E a muralha de Kotor não pode falhar 😉 eu bem sei a pena com que fiquei! 😍

Não sei como é conduzir no Durmitor porque deleguei responsabilidades 😂 mas garanto-te que é fantástica de se percorrer!! Beijinho, obrigada e bom fim de semana!
 
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