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[Report] Ilha de São Jorge, Açores

PaulaCoelho

Membro Conhecido
ILHA DE SÃO JORGE

Em Outubro passado, após alguns dias na Ilha das Flores voei até São Jorge, também conhecida pela “ilha castanha” ou “ilha do dragão” e famosa pelas suas mais de 70 Fajãs.
No report sobre a Ilha das Flores deixei alguns dados logísticos da viagem: [Report] Ilha das Flores, Açores.
Na abordagem à ilha deu para apreciar o topo do Pico acima das nuvens e o aspecto geográfico desta ilha que tem cerca de 54km de comprimento e apenas 7km de largura, arribas altas e uma cordilheira montanhosa que a atravessa. Após aterrar e levantar o carro parei logo no primeiro miradouro que me apareceu, com uma espantosa vista para Velas, Pico e Faial!

* Ficamos 4N no Hostel Marficas na Urzelina, um óptimo alojamento situado no topo da aldeia, cujos quartos têm varanda, porta directa à rua e uma excelente vista para o Pico.
A cozinha partilhada é grande e com electrodomésticos a duplicar. A D. Tânia recebeu-nos muito bem, deu imensas dicas e um mapa cheio de anotações.

Restaurantes: tal como nas Flores fizemos uma refeição diária em restaurante e outra em picnic. Levamos apontado o nome de alguns restaurantes e por onde andássemos telefonámos a saber se estavam abertos, não tendo dificuldade em ter onde almoçar/jantar. Onde comemos: O Branquinho (Rosais), Borges (Fajã de Santo Cristo), O Caseiro (Vila do Topo), Fornos de Lava (Santo Amaro). Também queríamos ir ao Sabores Sopranos mas não havia capacidade gástrica para tudo!
Trilhos: podem ser consultados em São Jorge

Principais Pontos Turísticos
* A ilha é bastante comprida e tem uma estrada principal que vai praticamente de uma ponta à outra ao longo da parte mais virada a sul e oeste e na qual nos vamos desviando até aos principais pontos turísticos. A parte mais virada a norte tem serras altas e foi nessas áreas que apanhamos mais nevoeiro. Nestes dias deu para experimentar as várias estações: sol intenso à chegada, um dilúvio no segundo dia e tempo ameno nos restantes dois dias e meio. Desde a Ponta dos Rosais a oeste até à Vila do Topo a este, estes são alguns dos principais locais a visitar:

* Ponta dos Rosais: para lá de uma bela estrada em terra batida fica o Farol dos Rosais (abandonado após o desabamento de falésias provocado pelo terramoto de 1980) e o Miradouro Vigia da Baleia com vista para o Pico, Faial e Graciosa. É uma zona de nidificação de várias aves.

* Parque Florestal das Sete Fontes: parque com 12 hectares, bom local para caminhadas e praticar exercício, parque de merendas, pequena zona com gamos e galinhas, parque infantil, Capela, Monumento aos Imigrantes, lagos, miradouros com vista para as ilhas do grupo central (a Terceira não se deixou ver).
A caminhada até ao Miradouro Ferrã de Afonso é praticamente recta e até ao Miradouro Pico da Velha é uma subida razoável e faz-se bem mas existe estrada de terra meio esburacada.

* Fajã do João Dias – virada a norte e perto do Parque das Sete Fontes, esta Fajã apenas acessível a pé foi-nos aconselhada por um casal perto do qual nos sentamos no restaurante.
A estrada até ao miradouro é de terra com buracos e alguma água mas a vista é muito bonita. Descemos uns 30 minutos por meio do arvoredo e depois regressamos com muita pena minha mas tínhamos hora combinada no hostel.

* Velas: a “Capital do Queijo” - Locais a visitar: Igreja de São Jorge, muralhas e Forte Nossa Senhora da Conceição (actual Auditório e Centro Cultural), Forte Nossa Senhora do Pilar, Jardim Praça da República, edifício dos Paços do Concelho, Zona Balnear da Preguiça, Portão do Mar, Poço dos Frades, Arco Natural, Miradouro Canavial, Marina das Velas, vista da Ponta da Queimada.
De Velas sai o ferry para a Ilha do Pico.

* Perto de Velas: Cooperativa de Leitaria da Beira onde compramos o belo queijo da ilha, Miradouro do Pico Maria Isabel em Santo Amaro e entre Velas e Urzelina, os portos e zonas balneares de Queimada e Ribeira Nabão e o Miradouro Pôr-do-sol.

* Urzelina: torre antiga, igreja, arcos vulcânicos, moinhos, baía e zona balnear. A Torre foi poupada à erupção vulcânica de 1808 que destruiu grande parte da aldeia, está em propriedade privada bastando abrir a cancela e entrar.

* Pico do Pedro e Pico da Esperança a 1053 metros: do hotel via-se o topo das serras pelo que decidimos fazer a caminhada entre ambos os picos (ou parte dela). Paramos no Miradouro da Transversal e enquanto subíamos o nevoeiro aumentou, estava uma ventania e não se via um palmo! Com bom tempo dá para fazer o PR4 SJO Pico do Pedro – Pico da Esperança – Fajã do Ouvidor.
 
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PaulaCoelho

Membro Conhecido
* Manadas: Porto dos Terreiros, Igreja Santa Barbara, Fajã das Almas. Visitar esta igreja do séc. XVIII custa 1€ e vale bem a pena para admirar as pinturas e painéis de azulejos.
A uns quilómetros fica a Fajã das Almas com uma paisagem bonita e uma estrada íngreme... desci parte a pé deixando o carro numa curva larga pois não se via vivalma na estrada.

* Calheta: Museu de São Jorge, Igreja, Conserveira Santa Catarina (não fazem visitas), Miradouro, baía de onde é possível fazer passeios turísticos de barco.
* Da Calheta existe estrada para a Fajã Grande, zona com alguns portos e piscinas naturais. Perto situa-se também a queijaria Lacticínios Lourais (é possível marcar visita), a doçaria Dulçores onde produzem as famosas espécies de São Jorge, as Grutas do Algar do Montoso (segundo li devem ser visitadas com guia), a Reserva Florestal de Recreio da Silveira (zona verde com vegetação exótica, animais, moinhos de água e parque de merendas). Entre Calheta e Vila do Topo existem várias Fajãs: Fragueira, Vimes, Bodes, do Além, São João, Cardoso, entre outras e nem todas são acessíveis de carro mas existem percursos pedestres de variável grau de dificuldade.

* Portal - Fajã da Fragueira – Fajã dos Vimes (PR09 SJO): fiz parte do trajecto do Portal à Fajã da Fragueira mas o trilho parecia pouco cuidado, cheio de folhas, galhos e escorregadio nas pedras… não percebi se é pouco utilizado ou se foi por ser fim de Outubro. Já de carro, a estrada que nos leva à Fajã dos Vimes é cheia de curvas e arvoredo e merece paragens para admirar os Moinhos de Água da Ribeira Funda e a vista do Miradouro da Fajã.
Na Fajã dos Vimes podemos visitar a Plantação de Café Nunes e a Casa de Artesanato por cima, beber um café e comprar um saquinho do mesmo (este café foi durante muito tempo conhecido por ser o único produzido na Europa mas actualmente existe outra plantação na Fajã um pouco mais à frente). Desta Fajã existe o trilho PR02 SJO para a Serra do Topo e PR03 SJO para a Fajã de São João estando ambos encerrados na altura. Caminhamos apenas até à Fajã dos Bodes.
* Fajã de São João: tentei ir de carro mas o nevoeiro era demasiado intenso e a estrada pelo que li é estreita e vertiginosa.
Uns quilómetros adiante, antes de Vila do Topo, há um desvio até um moinho de água e à Cascata do Cruzal, a curta caminhada da estrada.

* Vila do Topo: o trajecto final até esta vila foi lento pois a estrada atravessa a elevada cordilheira e o nevoeiro era intenso!
Visitar: Miradouro para o Ilhéu do topo, piscinas naturais, Ermida, Convento, Igreja Matriz, Império, doçaria Dôcilha para comprar espécies, Farol (geralmente aberto à 4ªF mas em tempo Covid penso não haver visitas). O Ilhéu do Topo situa-se a 400m da ilha e tem gado “residente”.
 
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PaulaCoelho

Membro Conhecido
* Na parte da ilha virada a Nordeste situam-se algumas das fajãs mais conhecidas (Santo Cristo, Cubres, Ouvidor), algumas acessíveis por estrada e outras apenas por trilho.

* Serra do Topo - Fajã do Santo Cristo - Fajã dos Cubres (PR01 SJO): é um espectacular percurso linear de 9.5km, o trilho está bem marcado e apenas nos desviamos uns metros para ir até à Cascata da Caldeira. Fomos até à Calheta e combinamos com um taxista deixar o carro na Fajã dos Cubres e ele deixar-nos na Serra do Topo para no final da caminhada termos o carro a postos para regressar. O valor do táxi é 23,5€ e em ambas as fajãs existe um café (na altura o dos Cubres estava encerrado e disseram-nos que no verão apenas funcionou uma roulotte).
Começamos o percurso com nevoeiro e algumas vacas, choveu um pouco mas nada que atrapalhasse a caminhada e chegamos a Santo Cristo com borriço leve. Nesta Fajã existem algumas Guesthouses, sendo um local procurado por surfistas, fomos à Ermida e provamos as famosas e saborosas amêijoas da Caldeira. Entretanto caiu uma chuva intensa e quando melhorou seguimos caminho… mas o dilúvio regressou e passamos as Fajãs dos Tijolos e Belo, onde estavam a fazer uns arruamentos, quase a correr e chegamos à Fajã dos Cubres ensopadas, mas felizes na mesma, tendo regressado dois dias depois para apreciar com bom tempo. Esta Fajã é uma das 7 maravilhas de Portugal na categoria “Aldeias de Mar”. É possível fazer o percurso entre fajãs em moto 4.

* Norte Pequeno (PRC06 SJO): percurso circular com início na freguesia de Norte Pequeno onde existe uma tabuleta a marcar o km 0 com indicação para as Fajãs do Mero, Pontas, Fonduras e Penedia. Viramos à direita de carro mas apenas fizemos um pouco a pé e decidimos regressar e virar para a esquerda, deixando o carro no final da estrada alcatroada e fazendo a pé o caminho até ao miradouro, descemos um pouco e regressamos pois já era hora de almoço.

* Fajã da Ribeira d’Areia: vimos a tabuleta a indicar e resolvemos ir até lá. Paramos o carro no largo e fizemos a pé os curtos caminhos assinalados: Caminho do Arco e Caminho das Quebradas.

* Norte Grande: nesta zona ficam a Fajã de Além e do Ouvidor. O PRC05 SJO até à Fajã de além é circular, com 4,7km e está classificado como difícil e nós pensamos fazer a pé a estrada de terra batida até um local onde se avistasse a fajã, mas andamos um bocado e só se via estrada pelo que regressamos ao carro.
Seguimos de carro para a Fajã do Ouvidor com vários engarrafamentos pelo caminho (parecia ser dia de mudar as vacas de pasto!), paramos no miradouro e descemos de carro à fajã.
Esta tem melhor acesso e talvez por isso tenha mais habitacões. É muito visitada pelas suas piscinas naturais: piscinas no porto, Poço do Carneiro e Poça Simão Dias.

* Quem não conhece a ilha certamente não se arrependerá da visita... eu estive 4 dias inteiros, gostei muito de São Jorge e espero regressar para explorar melhor.
Adorei acordar de madrugada e abrir a janela para esta vista 😃🤩
 
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rum

Moderador
Staff
@PaulaCoelho não tive oportunidade de rever e só li o primeiro post, mas confio que terá tanta qualidade como os outros reports do teu historial.

Obrigado pela partilha
 

Lopo

Membro Ativo
Parabéns Paula.
Report muito bom e obrigado por partilhares a terra onde vivo.
Uma das fotos da Calheta, quase apanhaste a minha casa.😄😄
E é verdade, acordo todos os dias com essa vista.
Quando regressarem á "minha ilha" apitem.
Obrigado
 

Pedro85

Membro Conhecido
Excelente report, trazendo-me memórias recentes dessa magnífica ilha!

Estive lá há poucas semanas e considero que é a ilha mais "underrated" dos Açores. Para mim foi a que mais me surpreendeu!
 

Ticha Maria

Membro Ativo
Em 2018 estivemos na Terceira-Faial-Pico. Foram quatro dias fantásticos que deu para ter uma pequena noção de cada uma e ficar com o bichinho de la voltar.
Quando estávamos no Pico e vimos ao longe S. Jorge, ficou uma pena imensa de não termos mais uns dias para darmos um salto até lá.
Uma vez mais tenho a agradecer o excelente report. ☺
 

PaulaCoelho

Membro Conhecido
@rum, obrigada! 😊

@Lopo, adorei São Jorge! És grande sortudo em acordar sempre para essa bela vista! 🤩
Quando regressar apitarei... este ano talvez regresse mas ao Pico para fazer a subida.

@Pedro85, concordo contigo, também fiquei positivamente surpreendida com São Jorge. :)

@Ticha Maria, obrigada. Espero que tenhas a oportunidade de visitar São Jorge em breve, vale bem a pena. 😃

@Ricardo_7, obrigada! ;)
 

Copas

Membro Ativo
Muito obrigada pelo excelente report @PaulaCoelho!
Vai-me ser muito útil no verão :). Depois da tentativa falhada (pela Sata) em ir a S. Jorge em abril, não desisti e viagem marcada para passar uns belos 4 dias em S. Jorge mais uma semana em S. Miguel (que conheço bem mas onde quero sempre voltar) 😎
 
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