[Report] Cáucaso (Geórgia, Arménia, Karabagh) - Junho 2017

David sf

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A Geórgia e Arménia, a par do Azerbaijão, constituem as 3 ex-Repúblicas soviéticas do Cáucaso, cordilheira montanhosa que separa (geograficamente) a Europa da Ásia, e onde se situa o ponto mais alto do continente europeu (Elbrus, 5 642m).
Desde miúdo que tenho grande fascínio por esta região. A minha curiosidade começou quando tinha uns 7/8 anos, e um jargão de uma novela brasileira era muito repetido na escola, “eu quero a prédio na chon”. Este jargão era da autoria de uma personagem descendente de arménios (interpretada por Aracy Balabanian, também ela membro da enorme diáspora arménia espalhada pelo mundo). Movido pela curiosidade, pesquisei sobre este país na enciclopédia e a imagem do Monte Ararat visto de Yerevan (capital da Arménia) ficou-me na memória.
Imagem essa que voltei a ver quando em 1996 a selecção nacional de futebol se deslocou à Arménia (e obteve um “honroso” empate a zero, falhando um penalty a cinco minutos do fim).
Mas era um destino inalcançável. Distante, voos raros e caros, língua (e alfabeto) indecifráveis, e portanto foi sempre aquele destino para um futuro longínquo.
Quando em 2015 a Arménia andou nas notícias pelo centenário do genocídio arménio, levado a cabo pelo império Otomano durante a I Guerra Mundial, decidi que era tempo de começar a estudar o assunto. Com a massificação do turismo, a Arménia já não era um destino assim tão complicado. Havia algumas agências de viagens que organizavam viagens pelo país com guia em inglês, as principais cidades já tinham informação em inglês e o nome dos locais e ruas em alfabeto latino e os preços dos alojamentos tornara-se acessível. O principal problema eram os voos, a preços impossíveis ou com uma duração inaceitável.
Nesta mesma pesquisa descobri a vizinha Geórgia, um país com grandes paisagens naturais e vasto património arquitectónico. Comecei a pensar em juntar estes dois países numa só viagem, optimizando o custo do voo optando por uma estadia maior.
E desde 2015 que através do Skyscanner fui regularmente pesquisando as várias combinações de voos possíveis. Em 2016 descobri uma tarifa de 450 euros via Istanbul, mas o agravamento do conflito entre Arménia e Azerbaijão em Nagorno Karabagh, que causou cerca de 200 mortos no início de abril de 2016, fez-me reconsiderar e optei por outro destino.
Em 2017 voltei a encontrar uma tarifa aceitável, cerca de 400 euros, através das companhias da Star Alliance, e decidi avançar. Comprei então a ida para Tbilisi pela LH a 3 de junho, saindo às 6 da manhã de Lisboa e chegando às 3 e meia da manhã do dia seguinte à capital georgiana, estando cerca de 12 horas em Munique; e o regresso pela Austrian Airlines + TAP a 18 de junho, saindo de Yerevan às 4 e meia da manhã e chegando a Lisboa pelas 22, ficando cerca de 12 horas em Viena.
Marquei os alojamentos no Booking (cerca de 30 euros tanto em Tbilisi como em Yerevan, bem localizados e com boas condições) e marquei várias excursões em ambos os países através de agências de viagens locais. Não é a minha opção preferida, gosto de ir à minha conta, mas a excessiva informalidade dos transportes entre cidades e o reduzido domínio de línguas entendíveis por parte dos locais que lia nos relatos de outros turistas levaram-me a não arriscar essa opção.
A viagem durou duas semanas, sendo a primeira dedicada à Geórgia, ficando em Tbilisi e fazendo algumas excursões de um dia a partir da capital georgiana e a segunda dedicada à Arménia, ficando em Yerevan e fazendo excursões a partir desta cidade. Uma delas, a Nagorno Karabagh, duraria 3 dias, incluía duas noites na capital de Karabagh, Stepanakert.
Ambos os países têm um custo de vida ligeiramente abaixo de Portugal, mas não tão baixo como outros da região onde já estive, como a Ucrânia e a Bósnia-Herzegovina. A Geórgia, é ligeiramente mais cara que a Arménia, principalmente em Tbilisi. Uma pessoa consegue comer bem por cerca de 10€ em Tbilisi e cerca de 7/8€ em Yerevan. O custo do transporte público é irrisório. Comprei um cartão de dados móveis em ambos os países, paguei por ambos cerca de 5€. Na Geórgia por 2 GB a gastar num mês e na Arménia por tráfego ilimitado durante uma semana, preços muito abaixo dos praticados em Portugal.
Geograficamente estes dois países situam-se na Ásia (estão a sul do Cáucaso e fazem fronteira com a Turquia asiática e o Irão), mas, definem-se como europeus e são-no de facto (por isso coloco o relatório no sub-forum da Europa e não na Ásia). O modo de vida é idêntico ao da Europa de Leste, com influência mediterrânica (nas excursões na Geórgia o almoço era servido pelas 16/17 horas, e há vida nas ruas pela madrugada dentro, algo que não acontece nos restantes países da Europa de Leste que visitei).
Para este sentimento europeu em muito deve contribuir a religião. Em ambos os países o Cristianismo é a religião dominante, tendo sido os dois primeiros países a adoptar o Cristianismo como religião oficial, primeiro a Arménia no ano 301 e depois a Geórgia (Reino da Ibéria) em 334. Actualmente, na Geórgia a Igreja Ortodoxa da Geórgia (muito semelhante à Russa) é dominante, a Arménia tem Igreja própria, a Apostólica Arménia.
A viagem ao Cáucaso, começa então por… Munique:

1 – MUNIQUE

Cheguei a Munique pelas 10 da manhã locais, e sendo o voo para Tbilisi apenas às 22h, resolvi apanhar o comboio para a cidade e ir dar umas voltas. Como já havia estado na capital da Baviera, e estava bastante cansado da semana de trabalho que acabara de terminar e de ter acordado às 3 e meia da manhã, optei por um percurso mais relaxante pelos diversos parques da cidade.
O tempo estava relativamente quente, e era sábado, mas não havia muita gente nos parques.
Olympiapark, onde se desenrolaram os Jogos Olímpicos em 1972:




Junto ao Olympiapark situa-se a sede e o Museu da BWM:





Hofgarten, localizado entre a Residenz e o Englischgarten:



À entrada do Englischgarten, alguns “surfistas” aproveitam um rápido no canal:



Monumento a um músico clássico convertido em memorial a Michael Jackson pelos seus fãs:



Com o cansaço acumulado voltei para o aeroporto ainda 5 horas antes da hora de partida para Tbilisi. Por sorte, a porta de embarque ficava no novo terminal, de onde parte uma menor quantidade de aviões. No 2º piso do terminal, onde se faz o embarque para voos com destino a locais fora do acordo de Schengen, apenas partiriam 5 aviões nas 6 horas seguintes de um edifício com mais de 20 portas de embarque com manga. O sossego era tanto que deu até para dormir um bocadinho enquanto o Sol se punha.

 

David sf

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GEÓRGIA

Dos três países do Cáucaso, a Geórgia é aquele onde o turismo está mais desenvolvido. É também o único onde se situa a cordilheira do Alto-Cáucaso (partilha-o com a Rússia), e beneficiando da sua posição mais ocidental e próxima do mar Negro, é dos três o que tem um clima mais húmido e ameno, reflectindo-se esse facto na vegetação mais densa que ocupa a maior parte do país.

Tal como os outros dois países, a Geórgia tem uma História conturbada. Originalmente esta região era composta por dois reinos, a Cólquida e a Ibéria. Sim, na Geórgia situava-se a Ibéria do Oriente, e há estudiosos que defendem que o nome da Península pode derivar desta Ibéria oriental. Há várias semelhanças entre o Euskera (língua falada no País Basco) e o actual georgiano, o que reforça esta teoria.

Durante a Idade Média a Geórgia foi independente durante alguns anos, durante os séculos X a XII, mas as invasões mongóis acabaram com um país que durante alguns anos prosperou bastante, mercê de uma localização privilegiada na Rota da Seda. O território da actual Geórgia foi então dominado por Persas, Otomanos, Russos, sendo que a partir de 1783 estes últimos incorporaram a Geórgia, até à Revolução de Outubro. Em 1918, e aproveitando-se da confusão gerada pela revolução em Moscovo, a Geórgia declara a independência, que apenas dura três anos, quando foi incorporada como República Soviética.

Após a Perestroika, a Geórgia obtém a independência em 1991 e durante os últimos 25 anos o país tem alternado entre lideranças pró-russas e pró-ocidentais. Desde a revolução rosa em 2008 a Geórgia adoptou uma postura de aproximação à União Europeia e à NATO, o que originou uma conturbada relação com a Rússia, sendo o momento mais crítico a guerra em 2012 que resultou na perda da Ossétia do Sul pelas autoridades georgianas. Esta região, tal como a Abkhazia, é controlada por forças independentistas apoiadas pela Rússia, apesar de internacionalmente serem reconhecidas como parte da Geórgia.

2 – TBILISI

Aterro na capital da Geórgia por volta das 3 e meia e rapidamente apanho as malas e viajo para o meu apartamento, onde chego uma hora depois. O aeroporto situa-se a cerca de 15 km do centro da cidade e a esta hora ainda há algum trânsito na estrada que serve o aeroporto, até porque a maioria dos voos em Tbilisi operam de madrugada.

Vou ficar em Tbilisi até sábado, e a ideia é guardar dois dias para visitar a cidade e os restantes para fazer excursões, que já estavam apalavradas com uma agência de viagens. Este primeiro dia, como irei acordar tarde, será um dos dois em que irei ficar em Tbilisi.
O apartamento onde fiquei situa-se junto à estação de comboio, mas infelizmente a estação fica a cerca de 4 km do centro da cidade. A distância faz-se em 6 minutos numa viagem de Metro que custa 0,50 Lari (= 0,20€).

Tbilisi é um misto de culturas, tem um pouco de russo e um pouco de oriental. Tem um centro histórico sinuoso numa encosta, algo degradado (principalmente devido ao sismo que assolou a cidade no início deste século), sobranceira à fortaleza Narikala que domina esta parte da cidade. Mais a Norte situa-se a zona mais nobre, com edifícios mais grandiosos, mas não se nota grande influência soviética. A Sul situam-se os banhos turcos, uma área com arquitectura marcadamente turca.

A estação de Metro que serve o centro da cidade situa-se na Freedom Square. Tem uma história semelhante à Maidan Square de Kiev, foi o centro dos acontecimentos durante a Revolução Rosa de 2008, a diferença foi que nesta não houve derramamento de sangue. Até a estátua (que substitui uma de Lenine em 1991) é semelhante à de Kiev:



O caminho para a Old Town é feito através de ruas com grande actividade turística, agências de viagem a oferecerem excursões pelo país, restaurantes, lojas de vinho (uma das principais actividades do país) e de souvenirs.







A praça de entrada para a Old Town:




Em frente a esta praça, na outra margem do rio Kura, ergue-se uma Igreja de onde se tem a melhor vista para a Old Town:




E para a Praça da Europa:



É da Praça da Europa onde se apanha o Teleférico para a Fortaleza de Narikala, que sobrevoa a Old Town:





As vistas desde a Fortaleza:






 

David sf

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No topo da colina onde está a Fortaleza foi erigida a estátua da Mãe-Geórgia (Kartlis Deda), outra semelhança com Kiev:



Para baixo voltei a pé passando por algumas ruas do centro histórico:



Nas Igrejas Ortodoxas na Geórgia os sinos estão separados do edifício da Igreja em si:



Na zona mais moderna da cidade, a principal avenida é a Rustaveli, uma espécie de Avenida da Liberdade de Tbilisi, com algum comércio de luxo. É aqui que se situam algumas das principais instituições do país, como o Parlamento:






Alguns edifícios com clara influência turca, este muito semelhante com a biblioteca de Sarajevo:



Uma nova sala de espectáculos com formato pouco ortodoxo, e em segundo plano a residência oficial do Presidente da Geórgia:



Outras imagens a zona mais moderna de Tbilisi:





3 – DAVID GAREJA

Para este dia tinha já uma excursão combinada via mail com uma agência de viagens local. No dia anterior enquanto percorria as ruas de Tbilisi descobri várias companhias que faziam excursões similares a preços inferiores, mas resolvi manter a palavra dada. O problema é que chega a hora da excursão e o escritório da agência de viagens está fechado e não aparece ninguém. Contacto a agência e ninguém me responde, e esta foi a minha deixa para marcar a mesma excursão noutra agência por preço inferior (no dia seguinte informaram-me que as excursões partiam de outro local, não do escritório, mas em lado nenhum constava esta informação).

Perdida a hora das excursões, optei por ir logo neste dia ao mosteiro de David Gareja, situado no sueste do país, junto à fronteira com o Azerbaijão. O acesso é complicado, sendo os últimos 20 km por estrada de terra, mas há uma companhia dedicada a fazer o transporte desde Tbilisi até lá por 25 GEL (9€) ida e volta com espera de 3 horas e paragem para almoçar incluídas.

Esta região da Geórgia é a mais árida, fazendo lembrar o nosso Alentejo, mas com alguma montanha.







 

David sf

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O Mosteiro de David Gareja, fundado no séc. VI pelo monge assírio com o mesmo nome, ainda hoje é habitado por 10 monges. A sua parte mais antiga foi escavada na terra.









O sistema de reaproveitamento das águas pluviais no Mosteiro, escavado na rocha:



No topo da colina onde está o Mosteiro existem pequenas capelas, também elas escavadas na rocha, datadas do séc. XI. O caminho até elas é complicado, uma subida de mais de 100m em cota, que em alguns troços se assemelha mais a alpinismo, por um estreito caminho de terra. Fomos avisados para só pisarmos o caminho de terra para evitar importunar alguma das muitas cobras venenosas que habitam a região.
O topo da montanha marca a fronteira entre a Geórgia e o Azerbaijão, portanto estas capelas, devem estar em território azeri. Ambos os países afirmam que as capelas ficam no seu território.





Vista para o Azerbaijão:



O estreito caminho, entre as cobras e o precipício:




Ao fundo no alto, militares azeri guardando a fronteira:



Já na descida:



Após a cansativa visita a David Gareja, o autocarro para durante uma hora em Udabno (às 17h!!!) para almoçarmos no Oasis Club, um restaurante rústico pertencente a um casal polaco.


 

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Tudo em Udabno remete para o Faroeste americano, uma atmosfera de fim do mundo, com vacas e cavalos a pastarem na esplanada do restaurante:









4 – KAZBEGI


A primeira excursão que realizei foi à região de Kazbegi, situada no Alto Cáucaso, junto da fronteira com a Rússia. A saída de Tbilisi ocorreu às 9 horas e a chegada pouco antes das 20h e custou 45 lari (17€), almoço pago à parte.

A estrada percorrida até 10 km antes da fronteira com a Rússia (junto à cidade de Vladikavkaz, na Ossétia do Norte), é chamada a Estrada Militar, ou para os georgianos, a “estrada das invasões”, pois sempre que os russos os invadiam a Geórgia chegavam por aquela estrada. A cordilheira do Alto Cáucaso estende-se por toda a fronteira a altitudes sempre superiores a 3 000m, exceptuando na zona que a estrada atravessa, onde o ponto mais alto situa-se a 2600m.

A primeira paragem da viagem é na fortaleza de Ananuri, muito bem situada junto à albufeira de uma barragem:















A partir de Ananuri, o caminho passa a ser de alta montanha, com grandes vistas, curvas fechadas e vacas tranquilamente pastando no meio da estrada:









A confluência de dois rios com cores diferentes:




 

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A última paragem antes do destino final ocorre no monumento contruído pelos russos para celebrar a “união” entre os povos russos e georgianos, num dos pontos mais altos da estrada (À cota 2500):

















O ponto final da viagem situa-se na cidade de Stepatsminda, mais concretamente a Igreja de Gergeti, situada no alto de uma montanha sobre a cidade.







Para se lá chegar é necessário apanhar um "taxi" de tracção a 4 rodas, uma vez que a estrada está num estado inqualificável. Eramos 5 no carro e paguei 10 lari (2,7€):





A Igreja em si não tem grandes pormenores que a distinga das restantes, mas a vista lá do alto era magnífica. A montanha rodeada de nuvens é o monte Kazbegi, que dá nome à região, com altitude de cerca de 5200m:

















Paramos para almoçar às 16h em Gudauri, uma estância de esqui situada próximo do monumento à união entre Rússia e Geórgia e voltamos para Tbilisi numa emocionante viagem a alta velocidade entre curvas e contracurvas.
 

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5 – MTSKHETA e GORI

Mtskheta e Gori são duas cidades relativamente próximas de Tbilisi, cada uma com o seu lugar na história da Geórgia. Mtskheta pode dizer-se que foi onde nasceu o Cristianismo na Geórgia, Gori foi onde nasceu o georgiano mais famoso do mundo, Josef Vissariónovitch, mais conhecido por Estaline.
Na excursão desde Tbilisi, que durou o dia todo (9-20h) e custou 45 lari (17€), visitou-se também a cidade escavada na pedra de Uplistsikhe, datada do séc. II DC.
Mtskheta é a capital espiritual da Geórgia, local onde o rei Mirian se converteu ao Cristianismo no ano 334. É onde se situa a principal Catedral do país, Svetitskhoveli, mas o principal centro de peregrinação é a Igreja Jvari (Cruz), situada no topo da colina sobre a cidade. É aí que se inicia a visita à cidade:





Do alto avista-se a confluência dos dois rios que banham a cidade, Kura e Aragvi:



Lá em baixo no centro da cidade, a Catedral Svetitskhoveli:



Após visita à Jvari, descemos para a cidade em si, toda ela agradavelmente arranjada e com casas abastadas:



A vista da Jvari desde cá de baixo:



O rio Aragvi:



A Catedral Svetitskhoveli:







Também em Mtskheta situa-se o Convento Samtavro, onde segundo a lenda habitou Santa Nino:




Já perto de Gori situa-se a cidade troglodita de Uplistsikhe. Já está bastante deteriorada, no dia seguinte visitei uma outra cidade do tipo, Vardzia, que me impressionou mais, mas vale a pena a visita, nem que seja pelas vistas do vale do rio Aragvi:






 

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Após almoço, já em Gori e desta vez mais “cedo” (15h), visitamos o Museu dedicado a Estaline. Este museu, mandado construir desde Moscovo e onde Estaline nunca esteve (nunca visitou Gori após a revolução bolchevique), conta a história da vida do antigo líder soviético, expondo alguns artigos pessoais e presentes recebidos por conta de aniversários e outras celebrações.
No interior do recinto situa-se a casa onde Estaline nasceu, bem simples, mas agora rodeada por uma “protecção” em estilo clássico. Durante a construção do museu, todas as casas da rua onde Estaline nasceu foram demolidas, com excepção da sua.
Outro ponto interessante do museu é a carruagem de comboio usada por Estaline nas deslocações (não usava o avião porque tinha medo). Foi construída ainda no tempo do czarismo, mas Estaline aproveitou-a para o seu próprio uso.
Em quase todos os guias de viagem e fóruns da internet critica-se a homenagem a Estaline que este museu representa. Dizem que os habitantes da cidade têm orgulho no filho da terra. Pela amostra, pouco representativa, que conheci (o guia do museu) tal não é verdade. A descrição do guia foi totalmente independente, bastante negativa para o “homenageado”. Claro que pode ser “para inglês ver” (era o único guia que falava inglês)…

Edifício principal do museu:



Estátua no recinto do museu:



Interior do museu:






A réplica do escritório de Estaline no Kremlin, com o mobiliário que ele de facto usava:



O famoso casaco:



A casa onde Estaline nasceu:





A carruagem de comboio que usava nas suas deslocações:




Última paragem do dia na fortaleza de Gori, em mau estado de conservação, mas com vista panorâmica sobre a cidade. A selecção portuguesa de sub-19 de futebol jogou no passado domingo no estádio que se vê na imagem, contra a Geórgia.






À entrada da fortaleza, um conjunto de estátuas homenageia todos os povos que apoiaram a Geórgia nas muitas batalhas que travou ao longo da sua história:


 

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6 – BORJOMI e VARDZIA

A quarta e última excursão em terras georgianas foi a maior de todas, até ao Sudoeste do país, próximo da actual fronteira com a Turquia. Os destinos eram Borjomi, estância termal que a elite soviética costumava frequentar, e hoje famosa em toda a Europa Oriental pela sua água mineral, a fortaleza de Rabath em Akhaltsikhe, que combina no mesmo recinto uma mesquita e uma igreja ortodoxa (e a consequente mistura de estilos arquitectónicos) e Vardzia, antiga cidade escavada na rocha, datado do século X.
A excursão iniciou-se às 9h e só regressamos a Tbilisi depois das 23h (a viagem era longa e incluiu duas paragens para se limpar o vómito de uma criança). Custou 80 lari (30€) sem almoço nem entradas incluídas.
No caminho para Borjomi (o mesmo do dia anterior para Gori) passa-se a meia dúzia de metros do território da Ossétia do Sul, actualmente controlada por forças independentistas pró-russas. Durante o conflito de 2008 a cidade de Gori foi bombardeada, tendo havido algumas vítimas mortais civis. A vista (possível) para a Ossétia do Sul desde o vidro do minibus:



Após duas horas e meia de viagem chega-se a Borjomi, cidade encaixada num vale bastante verdejante. Nota-se aqui uma mudança de paisagem, mercê da maior proximidade ao mar Negro. A cidade não tem grandes motivos de interesse, apenas o parque termal situado junto ao rio merece algum destaque.








Em alguns locais da Georgia notam-se bandeiras, grafitis e outras mensagens de apoio à Ucrânia, país que actualmente vive uma situação idêntica à Geórgia na sua relação com os vizinhos russos:



O maior edifício do parque é a antiga fábrica onde se engarrafava a água mineral, e onde hoje existe uma exposição sobre a história da mesma:






A paragem seguinte é na cidade de Akhaltsikhe, bem próxima da fronteira actual com a Turquia (e isso nota-se bem). O ex-libris da cidade é a fortaleza Rabath, onde convivem lado a lado edifícios religiosos cristãos e muçulmanos. A recente restauração dá-lhe um aspecto um pouco artificial, mas creio que com o passar dos anos venha a diminuir progressivamente.









 

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A meio caminho entre Akhaltsikhe e Vardzia paramos para almoçar num local com esta vista:



A estrada é sinuosa e muitas vezes é necessário abrandar a marcha por aparecer um grande pelotão de ovelhas:




E já ao fim da tarde chegamos a Vardzia. Comparativamente a Uplistsikhe que visitei no dia anterior, Vardzia é mais imponente, mercê da sua localização numa ravina. É também mais recente e ocupa uma área muito maior. Apesar disso já pouco resta da cidade que existiu, mercê dos muitos sismos que assolam a região que originam desmoronamentos na ravina e da destruição levada a cabo pelos otomanos durante a conquista da cidade no fim da Idade Média.
Circular por Vardzia não é fácil. Inicialmente realiza-se uma subida bastante íngreme, mas em bom piso, depois no interior da cidade os caminhos são estreitos, alguns escorregadios, e os túneis pouco apropriados para pessoas altas.
Ficam as fotografias:














Às 19h voltamos para Tbilisi para uma atribulada viagem de mais de 4 horas.
 

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7 – TBILISI

O último dia na Geórgia foi passado em Tbilisi para visitar o que tinha ficado em falta do primeiro dia. A primeira paragem foi na principal catedral da cidade, Sameba, inaugurada em 2004. É a terceira catedral Ortodoxa mais alta do mundo:







Uma pequena Igreja situada no recinto da Sameba:



A Sameba é das poucas atracções turísticas que se localizam na margem esquerda do rio Kura, bastante longe do centro histórico. Percorri a pé a longa distância que separa a Sameba da Old Town e deu para verificar com algumas casas ainda não recuperaram do sismo de 2002:



Tbilisi é um pandemónio de automóveis, muitos deles com o volante do lado direito. Isso deve-se ao facto de muitos carros serem importados directamente do Japão (onde se conduz “à inglesa”) e de serem vendidos a preços bastante reduzidos. O motorista que me foi buscar ao aeroporto conduzia uma carrinha Nissan de nível médio, pela qual pagou, em 2ª mão, mas com apenas 2 anos, o equivalente a 2500 dólares. Por essa razão quase todos os georgianos têm carro. Por essa razão também, proliferam oficinas e serviços de lavagem de automóveis por toda a cidade. Havia ruas onde praticamente todos os estabelecimentos eram oficinas:




Atravessando o rio a caminho da Old Town, com a nova ponte e a fortaleza Narikala ao fundo:



E a Kartlis Deda:



A torre do relógio de Tbilisi é famosa pela sua peculiar forma:




A vista para o palácio presidencial:

 

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Seguidamente apanhei o funicular para o alto de Mtatsminda, o ponto mais alto da cidade, cerca de 300m acima da parte central, onde se situa uma espécie de Feira Popular:








A avenida Rustaveli, com a Freedom Square ao fundo:



A vista para a Sameba desde a Old Town:



Ao fim do dia visitei os banhos turcos, no extremo sul da Old Town:





Os banhos turcos localizam-se no vale de um afluente do rio Kura, que se inicia numa cascata:



E por fim, algumas fotos nocturnas de Tbilisi:






 

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8 – HAGHPAT e SANAHIN

Despeço-me da Geórgia nesta manhã de sábado, deixando para uma próxima visita a região de Kakheti, no extremo oriental o país, e principalmente a região de Svaneti no Noroeste do país. A Geórgia é grande demais para ser vista numa semana e havia que fazer escolhas.
Para viajar para Yerevan, capital da Arménia, aproveito a excursão do Hostel Envoy, que une as duas capitais, com várias paragens no caminho. O preço é relativamente alto (29 900 AMD, 56€), mesmo incluindo almoço na casa de um particular e lanche numa padaria já perto de Yerevan. A viagem começa às 9h e termina 12 horas depois na capital da Arménia.
Por volta das 10 e meia chegamos à fronteira da Geórgia (a foto proibida possível).



Há um grande grupo à nossa frente e apenas dois postos abertos; temos que esperar cerca de meia hora para todos voltarmos a entrar no minibus. Na fronteira da Arménia outra meia hora; apesar de haver mais postos abertos, o outro grupo deveria ter estado anteriormente no Azerbaijão e cada pessoa foi sujeita a um longo interrogatório. Ao meio-dia entramos oficialmente na Arménia.

ARMÉNIA

A Arménia é o mais pequeno dos três países do Cáucaso. Sem qualquer acesso ao mar, tem no lago Sevan, a 1900m de altitude, a sua maior massa de água, sendo esta a principal estância balnear do país. Quase todo o território situa-se a elevada altitude, sendo atravessado pelas montanhas do Baixo Cáucaso.
Foi o primeiro país a adoptar o Cristianismo, no ano 301 e tem a sua própria Igreja. Quase todos os locais turísticos do país são de índole religiosa (Igrejas, Mosteiros), localizados em locais fabulosos do ponto de vista natural. As Igrejas arménias contrastam com a ostentação e o dourado da Igreja Ortodoxa Russa. São escuras, com aberturas no topo para os raios do Sol entrarem (de manhã iluminam a Bíblia que se localiza no altar, razão pela qual os altares se situam sempre na fachada Oriental das igrejas). Outra atracção religiosa, Património Imaterial da Humanidade, são os Khachkar, um estilo de pedras tumulares ornamentadas, que existem em grande quantidade por todo o país.
A História da Arménia é similar com a da Geórgia até ao início do século XX. OS arménios ocupavam grande parte desta região, desde o mar Cáspio à Anatólia Central, mas raramente constituíram um país independente, estado sempre sob domínio, de forma alternada, de otomanos, persas, romanos e russos.
O período mais negro da História da Arménia ocorreu no início do século XX. Durante a I Guerra Mundial, um dos principais pontos de conflito ocorria entre o Império Otomano, liderado pelos “jovens turcos” e a Rússia czarista. O território que constitui a Arménia Ocidental, hoje ocupado pela Turquia, assistiu a violentos combates. Vários arménios estavam alistados no exército otomano, mas em Istanbul havia cada vez mais suspeitas de que os arménios na sua maioria estavam do lado dos russos. Não se sabe se tal corresponde à verdade ou se fazia parte da propaganda otomana como desculpa para exterminar os arménios, tal como aconteceria anos depois com os judeus na Alemanha pré WWII.
A 24 de abril de 1915 é dada ordem para o início daquele que hoje se define como Genocídio Arménio, iniciando-se com a detenção e posterior assassinato da elite intelectual arménia de Istanbul. Ainda houve vários focos de resistência, principalmente na cidade de Van, onde a população arménia resistiu vários dias de forma estoica, mas rapidamente os arménios foram esmagados, mortos alguns, deportados outros nas marchas para a morte, em condições desumanas até ao deserto sírio. Na cidade síria de Deir es Zor, para onde uma grande quantidade de arménios foi encaminhada e posteriormente morta em campos de concentração existiu até há dois anos atrás um memorial em homenagem a todas as vítimas do Genocídio. Há dois anos atrás o Estado Islâmico destruiu-o.
Os arménios do Oriente pareciam estar a salvo. Estando em território ocupado pela Rússia, tinham a sua protecção e sabendo o que se passava na Arménia Ocidental os arménios mobilizavam-se para apoiar os russos. Mas após a revolução de outubro a Rússia abandona as suas posições e os otomanos avançam para Oriente. O avanço dos otomanos era rápido e parecia que rapidamente toda a Arménia seria esmagada mas uma milagrosa vitória em Sardarapat, às portas de Yerevan, permite à Arménia manter o pequeno território que ainda hoje lhe resta. O exército arménio estava em menor número, menos apetrechado e desmoralizado mas venceu em Sardarapat. Se não fosse esta vitória era muito provável que hoje a Arménia não existisse.
Um dos vários arménios na diáspora que conheci na viagem a Nagorno Karabagh tem uma teoria sobre esta e outras vitórias militares milagrosas dos arménios. “Os outros lutam por terras, minérios, espalhar a religião, mas nós lutamos pela nossa vida. Sabemos que se perdermos somos exterminados”.
Pouco depois de Saradarapat a I Guerra Mundial termina com a derrota dos otomanos e a Arménia declara independência. Tal como aconteceu com a Geórgia, esta apenas dura 3 anos, sendo a Arménia integrada como República Soviética em 1921. Nessa altura, como agradecimento de Estaline ao Azerbaijão por este se ter integrado voluntariamente na URSS (a Arménia foi integrada à força) os territórios de Naquichevão e de Nagorno Karabagh são integrados na República Soviética do Azerbaijão, o que mais tarde originaria o conflito de Nagorno Karabagh.
Hoje a Arménia vive uma guerra sem fim contra o Azerbaijão, país que devido aos combustíveis fósseis está-se tornando cada vez mais rico, com gastos milionários na Defesa. A Arménia é um país relativamente pobre, a sua maior riqueza provém da diáspora que se espalhou pelo Mundo durante o Genocídio, e que para além do investimento que fazem no país de origem conseguem ser em quantidade suficiente para influenciar a política de alguns países como a França e os EUA. Mas a balança pende claramente para o Azerbaijão, e a guerra parece inevitável. Há muito ódio de ambas as partes e a radicalização islâmica que também tem ocorrido no Azerbaijão a reboque do que se passa no país irmão (Turquia) e do surgimento do Estado Islâmico (a cidade recém libertada de Mossul fica a menos de 400 km da fronteira arménia) fazem temer o pior.
O custo de vida na Arménia é ligeiramente inferior ao da Geórgia. Nota-se alguma pobreza nas zonas rurais mais afastadas de Yerevan. A ruralidade fora de Yerevan é ainda mais vincada que nas zonas mais recônditas da Geórgia.
Entramos na Arménia pela província de Lori, que outrora prosperou com a exploração mineira. Hoje está em decadência, e é de todas as regiões da Arménia onde estive a que me pareceu mais pobre.
A primeira paragem, ainda bem perto da Geórgia é na Fortaleza/Mosteiro de Akhtala. Para além da catedral de Echmiadzin, a sede da Igreja Arménia, esta foi a única igreja que visitei que fugia aos tons escuros, uma vez que durante vários anos pertenceu à Geórgia e foi usada pelos Ortodoxos Russos:








Após Akhtala, visitamos o Mosteiro de Haghpat, Património Mundial da UNESCO. Actualmente decorrem obras de requalificação financiadas pela Fundação Calouste Gulbenkian, também ele descendente de arménios.
Haghpat significa “vitória” em arménio. Conta a história que um aluno apostou com o seu mestre que conseguiria fazer um mosteiro mais bonito que o que ele havia feito (Mosteiro de Sanahin, localizado na encosta em frente, iríamos visitar após o almoço). Depois de vários anos a trabalhar neste mosteiro, o mestre reconhece que o aluno o ultrapassara, batizando o mosteiro como Haghpat. Em contrapartida, o aluno reconhece que o do mestre é mais antigo, denominando-o de Sanahin, “mais antigo”.







Khachkares:




Estes dois mosteiros localizam-se no desfiladeiro do rio Debed:



Fomos almoçar, a casa de uma senhora perto de Haghpat e, após uma valente trovoada com granizo do tamanho de berlindes, descemos para Alaverdi, a principal cidade da região e espelho da sua decadência:




 

David sf

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Já com o Sol a querer reaparecer chegamos a Sanahin, também Património Mundial:






O caminho para Yerevan seria longo e por estradas em mau estado. Paramos ainda para tirar umas fotos ao Desfiladeiro do Rio Debed:





E a um pastor e seus animais:




Um campo de papoilas:



E seguimos para uma viagem de quase 4 horas até Yerevan. Pelo caminho passamos pelo Monte Aragats (4090m), o mais alto do território actual arménio, embora o símbolo do país seja o Monte Ararat (5137m), actualmente em território ocupado pela Turquia.



9 – SEVAN
Tal como fiz na capital da Geórgia, usei Yerevan para explorar a Arménia através de excursões, mas com uma diferença, a viagem a Nagorno Karabagh iria durar três dias, pelo que a minha estadia em Yerevan iria ser interrompida a meio.
Ao contrário do que se passou na Geórgia, fui para a Arménia com todas as excursões marcadas, através da profissionalíssima Hyur Service, que oferece 4 diferentes excursões por dia com partida garantida e fácil reserva através do seu site. Tudo na Hyur Service me pareceu impecável, preços baixos, horários cumpridos, transportes de qualidade, guias profissionais, provavelmente o serviço de turismo mais perfeito que alguma vez usei.
Com três dias ocupados pela viagem a Karabagh, que incluía passagem por vários locais interessantes no sul da Arménia, sobravam-me quatro dias na Arménia. Guardei um para Yerevan e marquei três excursões, relativamente curtas (6/7 horas) a locais a menos de 100 km da capital arménia.
A primeira foi ao Lago Sevan (8000AMD, 15€, com um bolo a meio da manhã, água à descrição, almoço e passeio de barco incluídos), a maior massa de água da Arménia, situada a 1900m de altitude. Vários habitantes de Yerevan fazem do lago a sua estância de férias, apesar de pelo menos no dia em que lá estive, a temperatura não ser nada convidativa para ir a banhos (e estava um dia relativamente quente em Yerevan).
Durante o domínio soviético um desastrado projecto de transvases fez o nível do lago baixar vários metros. Felizmente esse projecto foi abandonado poucos anos depois de ter sido colocado em prática, mas o dano já estava feito.
Ao contrário das restantes estradas do país, o acesso ao algo Sevan é feito por uma via rápida em muito boas condições:



Antes de se chegar ao lago passa-se na cidade de Tsaghkadzor, parando-se para se visitar dois locais: o mosteiro de Kecharis e a estância de esqui próxima à cidade, uma das principais do país.



Em pleno verão não há muito que contar sobre a estância de esqui, do mosteiro ficam as fotografias:






 

David sf

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Perto da hora de almoço chegamos ao Lago Sevan, e subimos ao mosteiro de Sevanank, localizado numa península:








O parque automóvel da Arménia é dominado por antigos Lada, embora se vejam esporadicamente alguns carros de luxo:



Almoçamos perto ao lago, num restaurante com uma bela vista:



E depois de almoço há tempo para um curto passeio de barco:








Chegamos a Yerevan por volta das 16 horas, e ainda sobrava tempo para começar a explorar Yerevan.

9/10 – YEREVAN
O segundo dia em Yerevan ficou guardado para visitar a cidade, mas comecei logo no dia anterior pela tarde.
Yerevan foi quase toda construída durante a década de 1920, tendo portanto uma forte influência soviética. É chamada a cidade rosa porque a pedra usada na construção de grande parte dos edifícios do centro da cidade é dessa cor (a cor da rocha predominante na região). A mistura do estilo soviético com uma cor garrida dá à cidade um aspecto original.
Turisticamente, Yerevan é uma cidade pouco interessante, vale sobretudo pela muita vida nas ruas da cidade e pela animação de algumas praças, com fontes luminosas e dançarinas, mercados ambulantes, parques e jardins com várias esculturas espalhadas.
Nesta tarde visito a zona da Cascata, construída recentemente numa colina adjacente ao centro da cidade. O conceito é de uma fonte com vários patamares, desenvolvendo-se por várias dezenas de metros em altura, mas tinha que correr muito mais água para o efeito ser o desejado. As vistas do alto são das melhores da cidade.




 

David sf

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No parque em frente à Cascata havia várias obras de escultores famosos, incluído um bule da portuguesa Joana Vasconcelos:








A Ópera, um dos mais emblemáticos edifícios da cidade:



O chamado “Lago dos Cisnes”, ao lado da Ópera:



Mais imagens do centro da cidade:







A Praça da República, a maior e mais importante de Yerevan:






Em toda a cidade estão espalhadas várias referências a arménios famosos (ou descendentes de) e que estão espalhados pelo mundo. Muitos descendentes de arménios são hoje bastante conhecidos pelo seu brilhantismo (Charles Aznavour, Cher, David Nalbandian, entre outros), havendo também outros que são famosos, apesar de não terem qualquer brilhantismo (clã Kardashian):

 

David sf

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Ao início da noite, na Praça da República, existe diariamente durante o verão um espectáculo chamado “dancing fountains”, em que jactos de água “dançam” ao som de muitas músicas de vários os estilos durante duas horas. Fui lá dar uma espreitadela, e acabei por ficar duas horas e ainda voltei num dia mais tarde:





No dia seguinte acordo um pouco mais tarde, Yerevan não tem já muito por oferecer, e estando num apartamento no centro da cidade não preciso de perder tempo em deslocações. Apesar de ter marcado um apartamento (por cerca de 30€/noite) a cerca de 2km do centro da cidade, o dono colocou-me num outro mesmo em frente à Ópera, no coração de Yerevan, porque o hóspede que estava naquele que eu tinha marcado quis ficar mais uns dias. O mesmo aconteceu quando voltei de Karabagh, fui para outro apartamento, no centro da cidade, e com 4 assoalhadas.
Neste segundo dia saí do centro da cidade e decepcionei-me um pouco. A cidade tem potencial, muitos espaços verdes, mas com excepção do seu centro está mal cuidada e é pouco amigável para os peões. A vida animada que a cidade apresenta no seu centro, com muita gente na rua, esplanadas, diversão, etc., não tem correspondência quando nos afastamos um pouco. Nas zonas residenciais há pouca gente na rua, nalguns lugares até assusta, e os carros passam a alta velocidade nas estradas.
Uma Igreja junto ao apartamento onde fiquei:



O caos de carros na Praça da República:



Uma zona de esplanadas, a sul da Praça da República:



A única rua pedonal de Yerevan:



A nova Catedral de Yerevan, demasiado nova e austera para ser interessante:




Zonas pouco cuidadas junto à catedral:




Muitos espaços verdes, mas pouco cuidados:



O mais interessante dos espaços verdes eram as esculturas, havia sempre muitas em todos eles:




Depois de almoço fui ao Memorial do Genocídio, localizado a cerca de 3 km do centro da cidade. Apanhei o metro até à Avenida de Kiev, e andei cerca de quilómetro e meio até ao Memorial.
A Avenida de Kiev:



O vale do rio Hrazdan, muito mal aproveitado. Uma cidade que tem um rio próximo do centro e naturalmente tão bem localizado deveria aproveitá-lo melhor:



O pavilhão desportivo da cidade, junto ao Memorial:

 

David sf

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O Memorial é composto por uma pira onde arde uma chama em homenagem às vítimas do Genocídio. Existe um museu nas proximidades, mas estava fechado por ser segunda-feira. No dia anterior estaria fechado por ser domingo. 24 horas depois estaria também fechado pois apenas abre entre as 11 e as 16!






Uma estátua em homenagem a todas as mães que fugiram com os seus filhos, e que ajudaram a estabelecer a diáspora arménia pelo mundo:



A vista para a cidade desde o Memorial. Ao longe o Monte Ararat onde reza a lenda que atracou a Arca de Noé após o dilúvio. É o símbolo nacional da Arménia, mas está hoje em território ocupado pela Turquia. A URSS permitiu à Turquia ficar com aquele território de modo a ferir o nacionalismo arménio. Apenas em 15% dos dias o Ararat está totalmente visível. Este não era um deles:



O estádio onde Portugal jogou em 1996 e empatou 0-0 situa-se mesmo por baixo do memorial. Hoje parece abandonado e o relvado já é só erva daninha:



Ao longe começavam a aparecer umas nuvens ameaçadoras:



Volto ao centro, por uma estrada assustadoramente deserta de pessoas e repleta de carros. Janto numa esplanada debaixo de uma trovoada seca. Quando começam a cair as primeiras gotas, já depois de ter pedido a conta levanto-me e vou a caminho do apartamento. Quando só falta atravessar a estrada começa a chover a potes, acompanhada de granizo e tenho que me refugiar durante meia hora no café em frente ao apartamento. Mesmo depois de parar de chover tive que esperar muitos minutos para a água escoar; a estrada parecia um rio.





11 – KHOR VIRAP e NORAVANK

Chego às oito em ponto à agência de viagens, uma hora antes da hora prevista para o início da viagem para Nagorno Karabagh, na esperança de conseguir um dos lugares da frente do autocarro. A viagem é muito longa e vários sites que consultei diziam (e com razão) que a estrada passava por locais espectaculares, logo queria ficar nos melhores lugares para tirar fotos, mas houve quem chegasse antes de mim a eu apenas consegui o lugar na 2ª fila. Deste modo as cabeças do guia da viagem, do motorista ou do casal à minha frente irão aparecer em muitas das fotografias dos próximos três dias.
A viagem tem a duração de três dias, mas apenas o segundo é dedicado a Nagorno Karabagh. Os outros dois dias são ocupados pela longa viagem (em tempo, principalmente, porque a distância não é nada de extraordinário, cerca de 300 km) até a este país/ região (a definição correcta depende do país onde se está, como explicarei mais à frente), com paragens em algumas das mais importantes atracções turísticas da Arménia.
Viajei com um grupo de mais 18 pessoas e eu era o único que não descendia de arménios, apesar de nenhum deles ter nascido na Arménia. Havia pessoas oriundas do Canadá, EUA, Líbano, Irão e Austrália. Segundo o guia foi algo inédito, uma vez que habitualmente há um terço de arménios, outro de russos e outro de ocidentais.
E, na minha opinião, tive muita sorte. Pude testemunhar o amor que aquelas pessoas, que nasceram e vivem longe têm pela sua terra-mãe. Todos eles sabem de cor os poemas mais importantes e as músicas mais tradicionais arménias, e várias vezes durante a viagem o autocarro era um salão de baile com vários deles a dançar músicas arménias no corredor. A mim adoptaram-me como a ave rara, o visitante estrangeiro, e acabei por ficar a conhecer a tradição arménia por dentro pois todos queriam partilhar um pouco da Arménia comigo.
Saímos de Yerevan para Sul, pela única planície do país, sempre com o monte Ararat a dominar a paisagem. Tal como nos dias anteriores, hoje não é um dos poucos dias do ano em que ele está descoberto de nuvens. A primeira paragem é no mosteiro de Khor Virap, provavelmente o mais conhecido postal do país, com o Ararat em pano de fundo. Foi aqui que Gregório, o Iluminador ficou preso durante vários anos antes de converter a Arménia ao Cristianismo em 301.
Infelizmente, esta era a última semana de aulas na Arménia, que é dedicada a visitas de estudo, portanto a maior parte das atracções próximas de Yerevan estavam cheias de pessoas, principalmente crianças, não permitindo gozar a paz que aqueles locais devem transmitir em ambiente mais calmo.






 

David sf

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Khor Virap fica a poucos metros da fronteira com a Turquia, fechada devido ao corte de relações entre os dois países por causa do Genocídio e o seu não reconhecimento por parte das autoridades turcas. Na foto vêem-se as torres de vigia que guardam a fronteira.



Poucos quilómetros após Khor Virap a estrada faz uma inflexão para Este e entra-se numa zona mais montanhosa e muito árida. Se fossemos em frente entraríamos no enclave azeri de Naquichevão, por uma estrada em mau estado que actualmente é pouco utilizada. Devido ao conflito de Nagorno Karabagh a fronteira com o Azerbaijão também está fechada.



Nesta zona encontram-se quatro países em pouco mais de 10km. Para além da Arménia, Azerbaijão e Turquia, também se avista o Irão (as montanhas em fundo), o único país vizinho com quem a Arménia tem boas relações. Os templos arménios situados na Turquia e no Azerbaijão foram destruídos. Na Geórgia não o foram, mas os arménios estão proibidos de celebrar missa na sua língua. Apenas no Irão são totalmente livres.



E inicia-se a subida, a depressão junto ao Ararat situa-se à cota 700, grande parte da viagem foi à cota 2000/2200, com o topo a 2600m no Passo de Vorotan:



A paragem seguinte foi em Noravank (Novo Mosteiro), localizado num vale fechado com paisagem árida. Aqui, mais longe de Yerevan, o ambiente era já bastante calmo e deu para desfrutar da beleza do lugar:










Vista para o vale desde Noravank:



O autocarro onde viajei:



Pouco depois de sairmos de Noravank, almoçamos num hotel junto a um lago:



A estrada continuava a subir até perto dos 2600m no Passo Vorotan:

 

David sf

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Após o Vorotan a estrada prolonga-se durante vários quilómetros por um longo planalto acima dos 2000m, verdejante e florido, com belíssimas vistas.









Mais um engarrafamento:



Já perto da descida para a cidade de Goris começam a aparecer umas nuvens ameaçadoras:




E pouco depois aparece um nevoeiro denso:



Que obriga a uma circulação muito vagarosa. Os últimos quilómetros antes de Karabagh foram realizados a uma média de 30 km/h no meio de curvas, penhascos e nevoeiro.
Só quando entramos em Nagorno Karabagh e baixamos de altitude se começa a ver alguma coisa. No posto fronteiriço, apesar do chuvisco, já dava para apreciar a paisagem:





Após 20 minutos de formalidades seguimos por este país, que uns dizem que não existe, até à sua capital, Stepanakert, onde chegamos já de noite. No caminho o guia conta a versão arménia do conflito.
Logo em 1920, após o final da I Guerra Mundial, a má relação entre os dois países dá origem a uma série de incidentes, principalmente contra os arménios que viviam no Azerbaijão. Nesse ano uma revolução comunista toma o poder em Baku, capital do Azerbaijão, e filia o país voluntariamente na URSS. Após a anexação da Arménia, Estaline em agradecimento para com o governo azeri, oferece-lhes os territórios de Naquichevão e de Nagorno Karabagh.
Nos últimos anos de domínio soviético, e já a perceber-se o império a desmoronar-se, a região de Nagorno Karabagh vota em referendo favoravelmente à sua transferência para a Arménia, algo que era permitido pela constituição soviética. Os azeris não reconhecem os resultados do referendo e iniciam-se algumas escaramuças entre as duas repúblicas.
Após a declaração de independência dos dois países, os arménios ocupavam apenas uma pequena parte da região em redor da capital, Stepanakert, que era constantemente bombardeada desde Shoushi, a segunda maior cidade da região, situada no topo da montanha que ladeia Stepanakert, logo um ponto estratégico para os azeris. Em Shoushi ocorreu também um dos maiores massacres contra arménios deste conflito.
A guerra em larga escala inicia-se com a tomada de Shoushi pelos arménios, mais uma das suas vitórias miraculosas, em menor número e atacando de baixo para cima. Esta vitória foi o ponto de viragem a favor dos arménios, um ponto estratégico conquistado e uma vingança pelo massacre ocorrido anos antes nesta cidade.
Nos dois anos seguintes os arménios recuperaram quase a totalidade de Nagorno Karabagh e estenderam o seu território vários quilómetros para dentro do Azerbaijão. A conquista mais importante em território historicamente azeri foi a cidade de Aghdam, na altura com centenas de milhares de habitantes e hoje cidade-fantasma onde se é proibido entrar.
Após os acordos de Minsk celebrados em 1994, a guerra em larga escala terminou, mas as escaramuças têm sido frequentes, cada vez mais nos últimos anos. O fortalecimento económico do Azerbaijão e a radicalização do Islão não indiciam nada de bom para os arménios. A cidade de Mossul, até há um mês atrás capital do Estado Islâmico do Levante, situa-se a apenas 400 km em linha recta da fronteira arménia. O enfraquecimento económico do seu mais forte aliado regional, a Rússia (que recentemente vendeu armamento ao Azerbaijão), fez a Arménia virar-se nos últimos anos para o mundo ocidental, aproximando-se da NATO e da UE.
Para o governo azeri entrar em Nagorno Karabagh é proibido. Se me identificassem como autor deste texto eu entraria numa lista negra onde já aparecem vários políticos de renome, cantores, actores, escritores, etc. Como não me puseram o visto no passaporte (a agência de viagens levou folhas para o efeito) não há nenhuma prova que tenha estado em Nagorno Karabagh, mas se tivesse o visto no passaporte e tentasse entrar no Azerbaijão sujeitava-me a pena de prisão.

12 – NAGORNO KARABAGH

Inicio o dia dedicado inteiramente a Nagorno Karabagh por um passeio matinal na zona mais central de Stepanakert, onde se situava o hotel onde fiquei instalado, enquanto esperava pelo pequeno-almoço que só é servido após as 8 horas.
O edifício do Parlamento de Nagorno Karabagh:



Apesar de não ser reconhecido pela ONU nem pela esmagadora maioria dos restantes países, Nagorno Karabagh funciona de facto como um país independente (embora económica e militarmente dependente da Arménia). O Azerbaijão não tem qualquer controlo sobre este território há mais de 20 anos e a sua população é mais de 99% arménia.
Nas ruas de Stepanakert, bem como em todos os locais do país onde estive, nunca deu para perceber grandes sinais de que a guerra se desenrolava bem perto. Esporadicamente cruzei-me com veículos militares, mas nada que não seja visível em qualquer outro lugar do mundo. A presença de delegações da UE e da NATO na região nesta semana pode ter ajudado a acalmar os ânimos.
O hotel Armenia, onde fiquei hospedado, tinha todas as condições de qualquer outro hotel na Europa Ocidental, com um excelente pequeno-almoço. O preço da estadia estava incluído no total da viagem, pelo que não o posso especificar:



Após o pequeno-almoço, e já com o grupo todo junto, visitamos os principais locais da pouco interessante Stepanakert:



 
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