[Report] Belfast / Game of Thrones Tour / Giant’s Causeway / Dublin

RicardoGil

Membro Conhecido
Olá a todos,

Para começar as hostilidades, a pergunta que se coloca é: como nasceu a ideia de visitar a Ilha Esmeralda? Vários motivos contribuíram para que a viagem se tornasse uma realidade.

Em primeiro lugar, Dublin por razões associadas à logística (voos a preços razoáveis desde Lisboa e estadia grátis, como irei detalhar mais à frente). Em segundo lugar, Belfast por manifesta curiosidade sobre o testemunho vivo (nos murais, e não só) dos conflitos entre católicos e protestantes. Uma lição de história.

Por fim, e directamente relacionado com o anterior, porque a capital da Irlanda do Norte representa o ponto nevrálgico para conhecer Glens of Antrim (depois explico) e Giant’s Causeway (incluindo o Game of Thrones Tour), o que dispensa apresentações.

Em termos de organização, até para facilitar a leitura, decidi apresentar alguns tópicos que servem como introdução à crónica propriamente dita. A saber: (i) planeamento da viagem; (ii) descrição de alguns gastos; (iii) Informação de carácter geral (sites úteis); e, (iv) comentários finais.

Por fim, de modo a tornar o report mais fluido, comunicar que houve a preocupação de intercalar o texto com imagens e, na medida do possível (limitação de fotografias), cada post corresponde a um dia de viagem.

Espero que gostem…

Planeamento da aventura

A expedição por terras irlandesas foi partilhada com a minha mulher pelo que o pronome “nós” fará sempre parte da descrição. Para a realização deste passeio, tirámos 4 dias de férias, com início a 11 (segunda-feira) e término a 15 (sexta-feira) do passado mês de Junho.

Como referido anteriormente, o objectivo principal passava por conhecer duas capitais europeias - vivenciar um pouco das duas Irlandas (do Norte, mais british style; da República, mais cosmopolita) – e, como ponto alto desta aventura, visitar Giant’s Caseuway, Património da Humanidade. O plano era o seguinte:

Dia 1 -> Lisboa – Dublin – Belfast (City Hall);
Dia 2 -> Belfast (Royal Botanic Gardens / Queen’s University / Crown Liquor Saloon / Titanic Quarter / St Anne’s Cathedral / Duke of York);
Dia 3 -> Game of Thrones To (Glenarm / Glencloy / Cushendun Caves / The Dark Hedges / Giant’s Causeway / Ballintoy Harbour / Carrick-a-Rede Ropebridge);
Dia 4 -> Belfast (Political Murals & The Peace Line) – Dublin (Trinity College / Ha'penny Bridge / Temple Bar); e,
Dia 5 -> Dublin (Castle / St Patrick’s Cathedral / Temple Bar / St Stephen’s Green) – Lisboa.

Algumas Despesas:
  • Voos – Lisboa / Dublin (Ryanair) / Lisboa (Aer Lingus), aproximadamente 150€/pax;
  • Transportes – Dublin / Belfast / Dublin (Aircoach), 17€/pax na ida e 10€/pax na volta;
  • Game of Thrones Tour & Giant's Causeway, por 35 libras/pax;
  • Political Murals & The Peace Line Black Cab Tour, por 35 libras/2 pax; e,
  • Entradas - Carrick-a-Rede Ropebridge, por 8 libras/pax e St Patrick’s Cathedral, por 7€/pax.
Sites úteis:

Welcome | Aircoach;
Visit Belfast;
Titanic Belfast: Home;
The Duke of York and Surrounding Bars;
McComb's Coach Travel;
Home - The Giants Causeway Official Guide; e,
Belfast Famous Black Cab Tours.

Comentários finais:

Como não poderia deixar de ser, gostaria de agradecer ao ‘Portal das Viagens’ pela informação aqui disponibilizada que, em conjunto com diversas outras fontes de pesquisa, revelou-se uma preciosa ferramenta na preparação logística dos destinos visitados.

De referir que, comparativamente para o nosso poder médio de compra, a vida na Ilha Esmeralda é onerosa: na Irlanda do Norte, há que suportar a conversão de euros para libras esterlinas; na República da Irlanda, até por ser um destino mais turístico, as bebidas, as refeições, o alojamento (entre outros gastos gerais), podem reclamar alguma ginástica orçamental. Nada que um estudo prévio, aliado a uma boa definição de prioridades, não resolva.

É provável que alguns pormenores tenham ficado omissos (mais que não seja por esquecimento), mas sintam-se confortáveis para comentar, questionar e/ou colocar eventuais dúvidas. Terei (mesmo) todo o gosto em responder a perguntas e, no que depender de mim, ajudar no que for preciso a planear uma eventual viagem que pretendam efectuar.

Bem, vamos ao que interessa?

Dia 1

A manhã do dia 11 de Junho (segunda-feira) começou cedo, pois o voo com destino a Dublin estava marcado para as 10:00 (acabou por atrasar 45 minutos). O check-in online foi feito com antecedência (incluindo a compra de 2 lugares por 6€) e o embarque decorreu de forma célere. Para os mais distraídos, chamar a atenção para a vigente política relativa a bagagem de mão. A viagem foi tranquila e perto das 13:30 já se vislumbrava terra:


Como o atraso não foi significativo, o plano inicial - após a recolha das malas, adquirir os bilhetes na Aircoach (fácil de encontrar, à saída do aeroporto) - manteve-se dentro do programado. Os autocarros para Belfast (bem confortáveis, diga-se) respeitam uma periodicidade de hora a hora e, não sendo possível apanhar o mesmo às 14:00, o transporte das 15:00 serviu as pretensões - chegada prevista à capital da Irlanda perto das 17:00 (duas horas de percurso, sensivelmente).

Tal como qualquer outra cidade europeia, Belfast engloba diversas zonas, ou bairros, destacando-se os seguintes: Cathedral Quarter, Queen's Quarter, Titanic Quarter. A seu tempo (dia 2), falarei de cada um em maior detalhe.

A escolha do hotel não foi, por isso, inocente: por um lado, está localizado 5 minutos a pé da Glengall Street (local de origem/destino do transporte Dublin - Belfast - Dublin), o que evitava despesas adicionais em transfers; e, por outro lado, está situado numa zona bastante central, a meio caminho dos vários quarters.

Quanto ao Park Inn by Radisson, sem deslumbrar, conta com algumas comodidades interessantes - incluindo um simpático restaurante Red Bar & Grill - e, no geral, correspondeu às expectativas (pontuação de 8,5 no Booking):


Depois de estarmos convenientemente instalados, decidimos dar os primeiros passos (e foram muitos, ao longo da semana) na zona à volta do City Hall:


Vou partilhar uma confissão: talvez derivado ao cansaço das viagens, talvez por o final de tarde começar a gritar por uma refeição substancial, a primeira impressão sobre Belfast não foi positiva. A maioria das lojas fechou às 18:00, os habitantes respeitavam a sua rotina diária (saída dos empregos) e não vislumbrava muitos focos de interesse. Como tal, as primeiras horas foram utilizadas a sentir o pulso da cidade (observar os locais, descobrir espaços de restauração, olhar para alguns edifícios):


Assim, a decisão foi unânime: petiscar qualquer coisa no restaurante do hotel, relaxar um bocado no bar, decidir o roteiro para o dia seguinte e retemperar forças para o que aí vinha:


Antes de adormecer, um bocadinho de leitura relembrou-me que a Lonely Planet fez referência a Belfast e à região de Glens of Antrim & Causeway, como uma das regiões a visitar no presente ano. Como mais tarde pude comprovar, as maiores revelações (e surpresas) ainda estavam por chegar.

O primeiro dia foi uma espécie de "aquecimento". A partir daí, foi sempre em crescendo. Avançamos para o dia 2?
 
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RicardoGil

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Dia 2

Após uma noite bem dormida, e um pequeno-almoço bem calórico, saímos de manhã bem cedo para começar a calcorrear a capital da Irlanda do Norte. O dia seria cansativo (12 km a pé!) embora bastante produtivo.

Como o hotel estava localizado numa zona central, perto das atracções principais, optámos pelo seguinte roteiro: (i) rumar a sul, em direcção ao Queen's Quarter (Botanic Gardens, Ulster Museum); (ii) regressar pela Great Victoria Street (Europa Hotel, Grand Opera House, The Crown Liquor Saloon); (iii) almoçar e descansar junto ao rio Lagan (The Big Fish); (iv) avançar para o Titanic Quarter (SS Nomadic, Titanic Museum); e, (v) a meio da tarde, voltar para Cathedral Quarter (St Anne's Cathedral, The Duke of York).

A zona de Queen's Quarter, repleta de cafés informais e lojas independentes, apresenta um ambiente dinâmico e simpático. Sem pressas, com o olhar atento ao que nos rodeava, descemos a Dublin Road e, ao invés da comercial (e movimentada) Lisburn Road, virámos para a Botanic Avenue:


Até que, por fim, chegámos ao nosso alvo principal para o início da manhã:


Foi agradável passear por ali um bocado, na tranquilidade de espaços verdes bem cuidados. No mesmo local, não visitámos o Ulster Museum mas vimos a estátua de Lord Kelvin, um proeminente cientista ligado à física moderna:


Entretanto, as pernas (e o estômago) pediam um intervalo e, mesmo ali nas redondezas, demos de caras com o afável Maggie Mays Belfast Cafe (vale a pena espreitar a página). Após esta curta paragem, subimos (desta feita) pela University Road onde, como o nome deixa adivinhar, se situa a Queen's University Belfast e uma igreja com uma bonita fachada:


No entanto, o objectivo era outro e, por sinal, bem definido (um dos sítios mais icónico de Belfast). Refiro-me, mais concretamente, ao famoso Crown Liquor Saloon Bar. Com origem no longínquo ano de 1826 (sofrendo remodelações posteriores), o espaço parece um autêntico palácio: azulejos, painéis de madeira, vitrais, entre outros pormenores decorativos. Como a seguir as fotos documentam, este pub é, reconhecidamente, um marco histórico da cidade:


De saída, mesmo em frente, o famoso Europa Hotel - conhecido por ter sido alvo de vários atentados - e o Grand Opera House, bonito e original edifício histórico utilizado para eventos (concertos, dança, musicais, teatro):


Nas ruas, o crescente movimento dos transeuntes indicava hora de almoço pelo que, acelerando o passo, avançámos pelo City Hall, subimos em direcção à Victoria Square e virámos no Albert Memorial Clock. Destino: Titanic Quarter.

Antes de prosseguir com o delineado, resolvemos copiar o hábito dos locais e improvisámos uma espécie de piquenique com vista para o rio Lagan, junto à escultura do The Big Fish (também conhecido como The Salmon of Knowledge):



Chegou o momento de virar a página (continuar noutro tópico), mas o dia não terminou aqui: seguem mais fotografias, dentro de momentos...
 
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RicardoGil

Membro Conhecido
Do outro lado do rio Lagan, após um processo de reabilitações nos anos mais recentes, mora um bairro mais modernizado: salvo as devidas comparações, é quase uma espécie de Parque das Nações de Belfast. Refiro-me, como devem adivinhar, ao Titanic Quarter com renovados motivos de interesse:


Uns passos adiante, um barco a vapor não menos célebre. Espaço para introduzir um curto apontamento histórico: o SS Nomadic foi lançado, em Belfast, no dia 25 de Abril de 1911 com o propósito de auxiliar o RMS Olympic e o RMS Titanic. Presentemente, está transformado em navio-museu sendo o único barco preservado da White Star Line:


No horizonte, quase impossível de ser visualmente ignorado, o Titanic Museum (inaugurado em 2012) é um dos símbolos da cidade tendo, como já vimos, dado o nome a esta zona da capital. As imagens seguintes confirmam a beleza do edifício:


Acredito que, para os verdadeiros fãs, o Titanic Experience seja algo a não perder. Contudo, decidimos entrar no complexo, espreitámos a loja de souvenirs, mas prescindimos de uma visita que iria durar um par de horas. A etapa seguinte passava por regressar à Cathedral Quarter e ver a St Anne's Cathedral mais de perto:


A arquitectura da St Anne's Cathedral é imponente, com uma fachada bonita e bem preservada. Porém, a entrada para uma visita alargada é paga e, mais por curiosidade, apenas observámos o seu interior.

Como o final da tarde se aproximava a passos largos, achei que seria boa ideia ir à descoberta do Cathedral Quarter até porque trazia de Portugal uma referência para jantar. Enquanto deambulávamos, por entre ruas e ruelas (sem destino certo), demos de caras com a singular Commercial Court:


Toda a área envolvente é popularmente conhecida como The Duke of York and Surrounding Bars, sendo o centro da vida nocturna de Belfast. Nas redondezas, existem vários pubs que são notáveis instituições pela categoria e bom gosto na decoração. Acabei por provar mais uma cerveja no The Duke of York Bar e ficámos ali um bocado a relaxar e descansar as pernas...


Ainda entrei no The Harp Bar (só para dar uma olhadela) quando, já de regresso à Commercial Court, fascinado com toda aquela atmosfera boémia, uma das maiores surpresas despontou sem que nada fizesse prever (a sequência de imagens fala por si):
 
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RicardoGil

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Brutal, verdade? Este local intitula-se The Dark Horse Bar & Coffee e fiquei maravilhado com a perfeição da arte urbana ali existente. Para terminar o dia, jantámos no recomendado Dirty Onion & Yardbird (já tinha pesquisado em Portugal), bastante frequentado pelos locais e com óptimo ambiente:


Dali seguimos directamente para o descanso do hotel: o dia revelou-se bastante cansativo (vários quilómetros percorridos a pé), embora com a certeza de que todos os passos tinham valido a pena. Para além do mais, na manhã seguinte (bem cedo) teríamos de estar rejuvenescidos para o aguardado Game of Thrones Tour.
 
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RicardoGil

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Dia 3

Para começar, porquê esta excursão - perguntam vocês? Fácil. Em primeiro lugar, porque uma viagem pela espectacular Causeway Coastal Route era o que se designa por must watch (na categoria Road Trip, a região de Glens of Antrim está classificada nas cinco melhores do mundo). Em segundo lugar, porque a juntar à beleza paisagística, podia englobar a Calçada do Gigante com o bónus (para os fãs, mas não só) de percorrer locais de filmagens da prestigiada série Game of Thrones.:


Em traços gerais, atravessámos quatro dos nove Glens, passando por localidades como Ballycastle, Ballintoy, Ballymena, Ballymoney, para citar alguns exemplos, e o programa contemplava as seguintes paragens: Cushendun Caves, The Dark Hedges, Giant's Causeway, Ballintoy Harbour e Carrick-a-Rede Rope Bridge.

Antes de algumas fotografias (vêem já a caminho), e para os mais curiosos, partilho um curto vídeo sobre o Game of Thrones e, directamente relacionado, sobre alguns spots da Irlanda do Norte:


O dia começou cedo. Como às 08:20 estava marcado o pickup (simpaticamente, à entrada do nosso hotel), saímos de manhã bem cedo para tomar o pequeno-almoço e comprar alguns mantimentos para o passeio. À hora marcada (pontualidade britânica), começou a aventura.

Uma das primeiras paragens (de aproximadamente 20 minutos) foi em Glencloy. Foi o suficiente para beber um café, observar as redondezas e tirar algumas fotografias (inclusive de um local de filmagem da personagem Arya Stark):


De seguida, mais uma paragem relativamente rápida (o melhor estaria reservado para mais tarde) em Cushendun Caves (outro local onde algumas cenas da série foram filmadas). A verdadeira atracção não é tanto a caverna, mas sim toda a envolvente paisagística:


A expectativa sobre The Dark Hedges era grande e, na minha opinião, acho que foi cumprida. O cenário é, de certa forma, especial e vale a pena percorrer o corredor formado por árvores centenárias:



Ainda antes de almoço, um dos pontos altos da excursão -
Giant's Causeway, Património da Humanidade. No local, o The Visitor Centre conta com várias opções disponíveis: espaço de refeições, hotel, loja, etc. No nosso caso (e do grupo em que estávamos inseridos), avançámos decididos e entusiasmados para este lugar mágico. Um aparte importante (bastante repetido pelo nosso guia turístico): a entrada é completamente grátis. Apesar de existirem alguns turistas (como seria de esperar), nem por isso se perdia a sensação de fascínio e tranquilidade. Por ali andámos cerca de uma hora, tempo suficiente para absorver o encantamento do que a vista alcançava:

Logo a seguir à prazenteira caminhada, a merecida pausa para almoço no singular Fullerton Arms.
 
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RicardoGil

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Calorias repostas, não havia tempo a perder. Próxima paragem: Ballintoy Harbour, local extremamente fotogénico e palco de filmagens do Game of Thrones (a área continua a ser utilizada para cenas da próxima 8.ª temporada).

Infelizmente, as fotografias não fazem jus à beleza natural do lugar. O facto de estar nublado (pouca luz solar) também não ajudou. De qualquer modo, sem edição e sem filtros, partilho mais umas quantas (espero que dê para transmitir a beleza da zona envolvente):



No decorrer do passeio, o simpático guia informou que a entrada na
Carrick-a-Rede tinha um preço individual de 8 libras. Apesar da minha mulher "morrer de medo" com a perspectiva, sabíamos que não podíamos perder a experiência.

Trata-se de uma ponte suspensa de cordas (a fazer lembrar o filme 'O Templo Perdido' de Indiana Jones) com 20 metros de comprimento e situada a 30 metros sobre o mar. A passagem mete respeito, até porque chuviscava e fazia algum vento (sim, a ponte abanava um bocadinho). Contudo, foi dos melhores momentos da excursão.

Foram disponibilizadas perto de duas horas, tempo mais do que suficiente para uma caminhada (ida e volta) e para a travessia da ponte (apenas 8 pessoas de cada vez) em direcção a uma pequena ilha com uma vista incrível. É, sem dúvida, uma das grandes atracções turísticas da Irlanda do Norte:



Terminada a aventura, hora de regressar a Belfast (chegada às 19:00 em ponto). Devo dizer que para o sucesso da viagem, muito contribuiu o profissionalismo e boa disposição do nosso guia (o Derek provou ter enorme jeito para stand up comedian). A McComb's Coach Travel está de parabéns.

Neste dia percorremos cerca de 14 km pelo que estávamos exaustos. Fomos directamente para o hotel e chegámos a pensar nem sair para jantar. Todavia, um duche quente deu o necessário impulso para conhecer o típico Robinsons Bars e, finalmente, provar o Steak & Guinness Pie.

 
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RicardoGil

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Dia 4

Os dias anteriores tinham sido cansativos e decidimos ficar a dormir até mais tarde. Para além disso, o plano passava por sair de Belfast ás 14:30 (novamente via Aircoach) para que, ao final da tarde, pudéssemos ir ter com a nossa amiga a Dublin.

Assim, pouco passava das 11:00 quando saímos para um pequeno-almoço reforçado. No entanto, interiormente, ainda não estava preparado para despedir-me da Irlanda do Norte em definitivo. Faltava qualquer coisa. A peça final do puzzle chamado Ulster. Já ouviram falar na expressão The Troubles?

Como um bocadinho de história não faz mal a ninguém, aqui vai (resumidamente): a expressão resulta do conflito entre a população protestante (maioria), em favor de preservar os laços com o Reino Unido, com a população católica (minoria), em favor da independência ou a integração da província com a República da Irlanda.

A espiral de violência durou cerca de 3 décadas (desde o final dos anos 60) até à assinatura do Acordo de Belfast em 1998. Durante este período, a capital da Irlanda do Norte era das mais perigosas da Europa. Eventualmente, talvez se lembrem da televisão transmitir inúmeras notícias sobre o tema.

Até que me virei para a minha mulher e disse algo do género: "ainda falta uma derradeira aventura; um Black Cab Tour pelos históricos bairros protestante (Shankill Road) e católico (Falls Road)". Num ápice (pouco mais de 5 minutos), conseguimos marcar na recepção do hotel uma volta de hora e meia com o Paddy Campbell's.

O senhor que nos guiou, já com vários cabelos brancos, rapidamente encetou um diálogo e contou algumas "curiosidades". Alguns exemplos: (i) os táxis azuis são para uso (quase exclusivos) de protestantes; (ii) as crianças frequentam escolas/colégios protestantes e/ou católicos, consoante a convicção religiosa/política. Tomar contacto com uma realidade de segregação é... estranho.

A jornada teve início em Shankill Road, depois Falls Road e terminou na denominada Peace Line, um extenso muro de cerca de 5 km que separa nacionalistas Irish de unionistas British. Acabei por reunir dezenas e dezenas de fotografias, mas tive de reduzir a amostra pelo que partilho uma selecção das possíveis melhores:


Ao longo da viagem, o táxi estacionava por breves minutos para observarmos os murais políticos e tirarmos fotografias. Por vezes, rodeávamos um quarteirão até à paragem seguinte. Nunca me senti inseguro, mas há como que uma tensão invisível difícil de explicar. Mais uma sequência:


A certa altura, parámos junto a um bar com mais motivos políticos. Do lado protestante, é curioso comprovar a admiração que nutrem pela monarquia britânica. Dei por mim a imaginar o que seria uma República de Portugal do Douro para baixo e um Portugal do Norte fiel a Felipe de Espanha. Sem juízos de valor:


A próxima fotografia representa uma espécie de "monumento" utilizado para celebrar uma importante vitória protestante:


Já do lado católico, a imagem de Bobby Sands, um relevante militante do IRA que morreu após uma greve de fome de 66 dias:


De seguida, a sede do Sinn Féin - movimento político fundado em 1905 com o intuito de unir os grupos informais nacionalistas de resistência pacífica ao domínio britânico:


Antes de prosseguirmos para a Peace Line, finalizo com mais um fantástico exemplo de arte urbana. Belfast é um museu ao ar livre:

 
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RicardoGil

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A pergunta que coloco é a seguinte: muro da paz, ou muro da contenção? O muro divide as comunidades católica e protestante, com portões que abrem de manhã e fecham à noite. Há controlo. Há vigilância. Lembro-me do senhor (taxista) virar-se para mim e questionar: "não queres levar o muro para Portugal"? O que se responde a isto?


Uma vez mais, tenho dezenas de fotografias; o que mostrei é, apenas, um bocadinho do que vê numa extensão de alguns quilómetros. Talvez consiga editar um vídeo e partilhar mais tarde (caso mereça a pena). De qualquer modo, penso que dá para ter uma ideia. Repararam no arame farpado?

Agora sim, podia despedir-me de Belfast...

Em Dublin, tudo foi visitado mais a correr (mas, não necessariamente, menos interessante). Chegámos a O' Connel Street, mais ou menos, por volta das 16:30 e decidimos parar para fazer tempo. Ao final da tarde, apanhámos um táxi e fomos ter com a nossa amiga a casa.

Depois de instalados, e de conhecermos mais 2 amigos que nos iriam acompanhar nessa noite (portugueses, igualmente a viver e trabalhar na capital há 10 anos) fomos jantar ao The Church, um espaço muito porreiro:


Após um jantar muito animado, com boa conversa, a ideia passava por explorar a zona de Temple Bar, entrar (aqui e ali) num ou outro bar e conhecer algumas das principais artérias da cidade.

Para começar, atravessámos a Ha'penny Bridge e, aos poucos, fomos-nos embrenhando na confusão e movimento daquelas ruas apinhadas de gente. A primeira paragem: Doughnuts, que nos iriam deliciar ao final da noite.


Mesmo em frente, o icónico e inconfundível The Temple Bar. Ainda entrámos, só para espreitar o ambiente (diria que frequentado dos 7 aos 77) e, como não poderia deixar de ser, tirámos as fotografias da praxe:


Dali seguimos por entre uma série de ruelas que, confesso, já não me recordo exactamente o nome mas, sentia-se o espírito (sempre) festivo e divertido de quem por ali andava. Mais algumas fotografias:


Hora de virar a página e prosseguir...
 
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RicardoGil

Membro Conhecido
Nessa noite, em que o sol (tal como nós) teimava em adormecer, ainda passámos por locais como a Grafton Street, o Trinity College ou a estátua de Molly Malone, para citar alguns exemplos que conhecemos e fotografámos:


Já passava bem da meia-noite e havia que regressar a casa. Os nosso amigos iam trabalhar no dia seguinte e nós também estávamos cansados: o dia tinha começado bem cedo (ainda em Belfast) e os Doughnuts, com um chá reconfortante (sim, estava frio) esperavam por nós...

Dia 5

O último dia estava reservado para conhecer mais um pouco da capital da República da Irlanda. O voo de regresso seria ao final do dia pelo que havia que aproveitar as horas restantes para a caminhada final.

Obviamente, porque o tempo não daria para tudo, algumas atracções e/ou locais tiveram de ficar para uma segunda oportunidade. Um exemplo? Guinness Storehouse. Não hão-de faltar oportunidades...

Os nosso amigos foram trabalhar e, seguindo o plano, conseguimos acordar cedo (com a energia intacta e o entusiasmo de sempre) e saímos para a rua. Destino? Dublinia e, principalmente, Saint Patrick's Cathedral que foi prioridade para essa manhã. Para começar, conhecem esta escultura (Millennium Child)?


Não vos vou maçar com tudo o que está associado à Saint Patrick's Cathedral mas, como é da praxe, partilho (quase aos calhas) algumas das largas dezenas de fotografias que tirei do seu interior:


À hora de almoço, decidimos voltar à azáfama do Bairro de Temple Bar e, entre uma ou outra cerveja, andar por ali a cirandar (passando pelo Hall of Fame) e sentir o ambiente que ali se vive:


Numa das incursões por ali, quase por acaso, dei de caras com o Oliver St. John Gogart's e, não sei explicar bem porquê, foi dos sítios em Dublin onde senti aquela ponta de felicidade que parece fazer parar o tempo: toda aquela good vibe, desde uma Guiness irrepreensível até ao facto de estar a passar uma das minhas músicas preferidas, foi um momento especial:


Infelizmente, o tempo não pára. Em breve, teríamos de ir para o aeroporto e havia que meter os pés a caminho para uma última paragem. A meu ver, não se trata de um adeus, mas sim de um até já. Por agora, terminámos em St. Stephen's Green Park:


A crónica, super exaustiva (nem sei como consegui chegar até aqui) está prestes a encerrar. Deu-me (mesmo, mesmo) imenso trabalho mas, ao mesmo tempo, um imenso prazer partilhar esta aventura. Apenas umas breves palavrinhas, em jeito de resumo:

Perguntam vocês: gostaste mais de Dublin ou de Belfast? Se quiser ser "politicamente correcto", digo que adorei alguns locais em Belfast mas, a same time, também vivi óptimos momentos em Dublin. Porém, sendo o mais sincero comigo próprio (e com quem me está a ler), posso afirmar o seguinte:

É muito fácil ficar atraído pela alegria contagiante de Dublin, onde às 10h30 da manhã já existem despedidas de solteiro em curso. Seja do excesso de álcool, ou não, há sorrisos e boa disposição por todo o lado. É como se fosse um recreio, com cerveja, música e gente divertida. Quer se queira, quer não, toda essa boa onda cativa-nos.

Ao contrário, Belfast estranha-se. Não é "simpática" ao primeiro olhar, à primeira impressão. Mas, aos meus olhos, é mais autêntica e genuína. Desta vez, talvez porque tinha uma doida curiosidade histórica sobre tantos pormenores da cidade, tudo foi mais surpreendente e vivido intensamente. Há conversas e momentos inesquecíveis.

Depois, como devem ter percebido durante o texto, o dia dedicado ao Game of Thrones Tour foi o ponto alto desta viagem.

Apesar de longo, espero que tenham gostado do que leram e viram. Tenham a liberdade para colocar dúvidas, questões ou, simplesmente, deixar comentários. Terei todo o gosto em responder e ajudar no que puder.
 
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PaulaCoelho

Membro Conhecido
Que boas recordações me trouxe este report :D
O ano passado também andei uns dias pelas Irlandas e passei por alguns desses locais.... por outros não, pelo que é uma boa desculpa para regressar!
Gostava de ter essa sorte de apanhar os pubs meio vazios :rolleyes:
Obrigada por esta bela partilha ;)
 

rum

Moderador
Staff
Se algum dia for feito um compêndio de reports aqui do portal, este report certamente estará lá. Muito bem escrito e descrito. A arte urbana de facto é muito interessante. Também sou fã do Game of Thrones e conheço quem tenha feito a tour e também gostou bastante. Pode ser que um dia também a vá fazer... vá e dar uma voltinha pelos pubs.
 

Ricardo_7

Membro Conhecido
Olá,
Muito obrigado pelo fantástico reports :)
Como aqui já foi dito, muito bem descrito e com todas as informações necessárias. A isto, junta-se as belas fotografias dos locais. Gostei bastante do que vi, confesso. E no fim de contas, não se tornou muito dispendioso. Mesmo com poucos dias, foi tudo aproveitado ao ao limite, sim senhor :)

Boas viagens :D
 

RicardoGil

Membro Conhecido
@RicardoGil
Olá
Belo report!
Obrigada por partilhares
@Leonorb, obrigado :)

Que boas recordações me trouxe este report :D
O ano passado também andei uns dias pelas Irlandas e passei por alguns desses locais.... por outros não, pelo que é uma boa desculpa para regressar!
Gostava de ter essa sorte de apanhar os pubs meio vazios :rolleyes:
Obrigada por esta bela partilha ;)
@PaulaCoelho, julgo que li qualquer coisa tua sobre o assunto... ou terá sido sobre a Escócia? Apanhei os pubs meio vazios porque visitei muitos durante o dia e consegui tirar algumas fotografias à decoração e interior. Há, de facto, espaços muito giros e porreiros para conviver com os amigos :D Obrigado pelo comentário :)

Se algum dia for feito um compêndio de reports aqui do portal, este report certamente estará lá. Muito bem escrito e descrito. A arte urbana de facto é muito interessante. Também sou fã do Game of Thrones e conheço quem tenha feito a tour e também gostou bastante. Pode ser que um dia também a vá fazer... vá e dar uma voltinha pelos pubs.
@rum, vindo de quem vem, é um enorme elogio :oops: Como dizes, a arte urbana é fascinante, desde as pinturas na zona The Duke of York, até aos murais políticos de grande valor histórico. Em certa medida, é como se fosse um museu ao ar livre. O dia dedicado ao Game of Thrones Tour foi, sem dúvida, o ponto alto da viagem: locais e paisagens fabulosas. Muito obrigado pelas tuas palavras :)

Olá,
Muito obrigado pelo fantástico reports :)
Como aqui já foi dito, muito bem descrito e com todas as informações necessárias. A isto, junta-se as belas fotografias dos locais. Gostei bastante do que vi, confesso. E no fim de contas, não se tornou muito dispendioso. Mesmo com poucos dias, foi tudo aproveitado ao ao limite, sim senhor :)

Boas viagens :D
@Ricardo_7, como deves calcular, tanto Belfast, como Dublin, não têm aquele chamamento comparativamente com outras cidades europeias. Não há aquela big attraction, até porque a grande mais-valia das "Irlandas" está na beleza natural. De qualquer modo, é sempre uma escapadinha a considerar. Como tive facilidade de estadia grátis em Dublin, consegui delinear um roteiro exigente, mas suficientemente versátil para aproveitar o máximo possível. E, para uma primeira incursão para aqueles lados, conhecer duas capitais europeias, com o bónus do Game of Thrones Tour, foi bastante bom: cumpriu as expectativas e, nalguns casos, como as fotografias provam, até superou. Muito obrigado pelo teu simpático comentário :)
 

PaulaCoelho

Membro Conhecido
[USER=15922]@PaulaCoelho, julgo que li qualquer coisa tua sobre o assunto... ou terá sido sobre a Escócia? Apanhei os pubs meio vazios porque visitei muitos durante o dia e consegui tirar algumas fotografias à decoração e interior. Há, de facto, espaços muito giros e porreiros para conviver com os amigos :D Obrigado pelo comentário :) [/USER]

Aqueles gajos enfiam-se nos pubs muito cedo para os nossos hábitos! Fui ao Crown Liqour a meio da tarde e estava à pinha. :p
Quando voltares à Irlanda certamente vais adorar Galway pois os pubs também são porreiros mas mais calmos que Dublin e Belfast... e provavelmente acabas à conversa com algum dos muitos portugueses/brasileiros que lá vivem. :D
 

rmonteiro

Membro Conhecido
Report muito bom ! :)
Uma excelente narrativa para acompanhar fotos e falar de locais menos falados por aqui.
Obrigado pela partilha ! ;)
 

RicardoGil

Membro Conhecido
Olá @rmonteiro :)
Obrigado pelas tuas palavras... se um dia pensares ir para aqueles lados, mais concretamente Belfast e Irlanda do Norte (não sei se conheces), não hesites em colocar questões ;)
Abraço!
 
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