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[Report] A ilha lilás

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
Depois de nos termos deslumbrado com a extraordinária beleza de S. Miguel, ficou assente que a próxima ilha a visitar do Arquipélago dos Açores seria a Terceira. E foi.
Tínhamos noção que são ilhas diferentes, em termos geográficos, culturais, e de paisagem natural. Mas têm vários pontos em comum, como as hortênsias ao longo das estradas (infelizmente em setembro já não estão no esplendor máximo da sua beleza), ou as imensas pastagens verdes povoadas de vaquinhas leiteiras.

Fomos em setembro, e destinámos 5 dias para conhecer a ilha. Ficámos alojados em Angra do Heroísmo e percorremos todos, ou quase todos os cantinhos da ilha, visitámos os principais monumentos e os pontos turisticamente mais conhecidos, fizemos alguns trilhos pedestres, tomámos banho nas Piscinas naturais, e saboreamos a fantástica gastronomia.

Deixo-vos a seguir o que foi o nosso roteiro pela Ilha Terceira.

DIA 1
  • Praia da Vitória – visita aos principais pontos da cidade
  • Seguimos até aos Altares. Almoço no Restaurante Caneta (alcatra tradicional, queijo fresco com pimentão, morcela com laranja)
  • Tarde na Serreta – Festas, tourada de cordas
  • Angra do Heroísmo, passeio pelo centro
  • Jantar: esplanada do Café Central. Passeio pelo centro.
Chegámos bem cedo à Ilha Terceira, pelas 9:30h já estávamos no aeroporto das Lages. Levantámos o carro que tínhamos reservado previamente na Ilha Verde, e como tínhamos partido de casa de madrugada, aproveitámos para tomar o pequeno almoço na Praia da Vitória, numa pequena pastelaria da rua principal.
O sol espreitava e a temperatura estava muito agradável. Agradou-nos de imediato o ambiente tranquilo e o colorido desta pequena cidade, onde encontrámos sobretudo habitantes locais, nas suas rotinas diárias, e muito poucos turistas.

Levávamos um roteiro com tudo o que devíamos conhecer na ilha, e aqui deixo um agradecimento muito especial à @PaulaCoelho e à @SEDA , que me facultaram os seus roteiros assim como toda a informação que tinham da ilha, e que nos foi muito útil, muito obrigada a ambas! 🥰
Dispondo de toda a informação necessária, fomos construindo e planeando o nosso roteiro dia a dia. No primeiro dia, pareceu-nos que dar início à descoberta da ilha na cidade de Praia da Vitória, seria um óptimo programa, e assim fizemos.

Praia da Vitória

Situa-se na costa este, junto ao aeroporto das Lages, é dona da maior baía dos Açores e tem um invejável património histórico, material e imaterial. Começou por ser baptizada por “Praia”, mas em 1829 depois de ter tomado o partido dos Liberais contra os Absolutistas e ter resistido à armada Miguelista, ganhou o topónimo de “Vitória”. E assim nasceu a Praia da Vitória.



A cidade conheceu um enorme desenvolvimento com a construção da Base das Lages, criada no contexto da Segunda Guerra Mundial. Durante várias décadas os americanos permaneceram na ilha, tendo construindo um bairro próprio (quase uma aldeia) junto à base (uma espécie de enclave dos EUA nos açores) e eram, seguramente, o principal motor da economia da Terceira. A base chegou a ter mais de 2000 militares americanos e de 2000 trabalhadores portugueses. Em 2015 foi iniciado um processo de redução drástica de pessoal, por parte dos EUA, e em setembro de 2017 a última centena de moradores abandonou o Bairro Americano. Hoje os militares da Força Aérea dos EUA e civis que trabalham na base são muito poucos. Passaram a receber um subsídio de renda e vivem em casas por toda a ilha. A ilha conta ainda com a Base Aérea nº4 que é portuguesa.

O que ver na cidade?

O centro histórico é o seu principal ex-libris, onde as ruas calcetadas com muita arte e uma arquitectura típica, ocupam um lugar de destaque.

Mas há também muitos monumentos e imóveis muito bonitos, como a Igreja Matriz de Santa Cruz, do século XV, o Forte de Santa Catarina ou a maravilhosa Igreja do Senhor Santo Cristo (século XVI), que conta com a particularidade de ter dois altares principais.

Igreja Matriz de Santa Cruz




Igreja do Senhor Santo Cristo






As Ermidas de Nossa Senhora dos Remédios, de São Salvador e de São Lázaro, o bonito edifício dos Paços do Concelho, a interessante Casa da Alfandega ou a Casa Museu de Vitorino Nemésio, onde nasceu o poeta, um belo edifício do século XVII, são igualmente dignos de relevo.

Praça e edifício dos Paços do Concelho



Casa/museu de Vitorino Nemésio


A Serra do Facho, e o seu miradouro com vista sobre a cidade, é um dos locais mais procurados da Praia da Vitória. Podemos subir até lá numa boa caminhada, ou ir de carro.









Jardim Municipal



Nas igrejas e museus está sempre alguém disponível para nos prestar informação histórica, e para nos acompanhar na visita, o que é louvável e enriquece muito a visita. Sentimos muito empenho e disponibilidade nos guias que nos receberam e acompanharam.




Obrigatório na cidade, sem dúvida, é passear pelo seu bonito centro histórico, apreciar a arquitectura tradicional, visitar as igrejas, e percorrer o passeio marítimo.

Conhecida e cidade e os seus pontos principais, seguimos para Altares para almoçar no restaurante Caneta, previamente reservado.
O almoço correspondeu inteiramente às expectativas. Pedimos uma alcatra tradicional, acompanhada de pão lêvedo, para prato principal. De entradas, o típico queijo fresco de vaca com massa de pimentão, e uma fantástica morcela com laranja. Como sobremesa, queijadas D. Amélia. Uma refeição perfeita para início da incursão à gastronomia típica da Ilha Terceira, onde nem faltou o vinho dos Biscoitos.
 
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Antonia.M.S.

Membro Conhecido
Junto à costa, e depois dos Biscoitos surge a Serreta, onde era dia de festa.

Serreta
Na Terceira, festa que se preze inclui a tourada à corda, tão típica desta ilha dos Açores. Independentemente das nossas preferências, e opinião sobre este tipo de divertimento, gostamos sempre de conhecer as tradições dos locais que visitamos, porque fazem parte da identidade e da cultura. Por isso não quisemos perder a tourada, e a tarde foi passada na Serreta, passeando, visitando a igreja e o Império, enquanto aguardávamos o início da festa.



Não posso dizer que valeu a espera porque definitivamente, e ainda que estas touradas não se comparem às tradicionais, não fazem o género de espetáculos que apreciamos. Porém, é muito interessante observar todos os rituais em volta da festa. Multiplicam-se os vendedores de doces típicos locais, especialmente donetes (muito parecido com donuts), chocolates, e até gelados artesanais, há barraquinhas de comes e bebes, e todas as casas da aldeia estavam decoradas com ramos de flores naturais. Isso sim, muito bonito.



Seguimos depois calmamente para Angra, onde finalmente iríamos conhecer o nosso alojamento.

O final da tarde na estrada entre a Serreta e Angra é magnífico. Ao longe, no mar, à nossa direita, avistamos por momentos e entre a neblina, as ilhas de S. Jorge e Pico.




Em frente na estrada, e até Angra, acompanha-nos a imponência do Monte Brasil.



Terminámos a o dia na esplanada do Café Central, ao som de boa música ao vivo.

DIA 2
  • Angra do Heroísmo
  • Caminhada até ao Monte Brasil
  • Serra do Cume
  • Porto Judeu
  • Piscina Natural do Refugo
  • Fonte do Bastardo
  • Almoço no Restaurante Fonte das Sete Bicas (alcatra de polvo, queijo fresco com pimentão)
  • Fonte das Sete Bicas
  • S. Sebastião
  • Lagoa das Patas
  • Biscoitos – Visita ao Museu do Vinho
  • Altares
  • (Miradouro dos Altares)
  • Doze Ribeiras
  • Santa Bárbara
  • Miradouro da Ponta do Queimado
  • S. Mateus da Calheta
  • Jantar – Pastelaria em Angra do Heroísmo
Deste dia, que foi também de passeios sem rumo, puramente à descoberta, destaca-se a subida do Monte Brasil a pé, logo pela manhã, a partir do Forte de S. João Batista, a visita à Serra do Cume, à Lagoa das Patas e ao Museu do Vinho nos Biscoitos.

Lagoa das Patas

A Lagoa das Patas, também conhecida como Lagoa da Falca, localiza-se na Reserva Florestal de Recreio da Lagoa das Patas, junto à estrada das Doze Ribeiras, na freguesia das Doze Ribeiras, no concelho de Angra do Heroísmo. É um local muito bonito e tranquilo. Perfeito para uma caminhada em redor da lagoa (que como o nome indica, tem muitos/as patos/as), ou um pic-nic.


Serra do Cume
A Serra do Cume é um dos ex-libris da Ilha e justiça lhe seja feita a vista, a manta de retalhos verde que se estende até ao mar é de uma beleza impar.



Os Miradouros da Serra do Cume, de elevado interesse paisagístico, localizam-se no topo do complexo desmantelado da Serra do Cume, no concelho da Praia da Vitória e oferecem uma das mais belas paisagens da ilha. De um lado, a 542 metros acima do nível do mar, a baía e cidade da Praia da Vitória, planície das Lajes e Base Aérea das Lajes e, do outro, a 545 metros acima do nível do mar, a grande planície do interior da ilha, com os seus típicos “cerrados”, separados por muros de pedra vulcânica e hortênsias.

O complexo constitui-se nos restos de um primitivo vulcão, possivelmente o primordial da ilha, que apresenta uma vasta caldeira com um diâmetro de aproximadamente 15 quilómetros. A sua erupção formou um maciço de grandes dimensões que ampliou em vários quilómetros os limites da ilha. O interior da caldeira constitui-se numa vasta planície, atualmente ocupada por largas extensões de vegetação e áreas de pastagem. É possível ainda observar pequenos domos vulcânicos, formados por erupções posteriores, que se alinham ao longo de uma falha vulcânica.








O almoço deste dia foi na Fonte do Bastardo, no Restaurante Fonte das Sete Bicas, uma magnífica alcatra de polvo. Um estabelecimento simples, sem luxos, mas que recomendamos muito. Almoçámos na esplanada, e tanto a comida como o atendimento foram do melhor.

Baía da Salga

Localizada na costa sul da ilha Terceira, na freguesia vila de São Sebastião é uma baía histórica.
Foi palco da famosa Batalha da Salga, contenda travada no dia 25 de julho de 1581 entre uma força militar de desembarque castelhana e as tropas que, em nome de D. António I de Portugal, pretendente ao trono de Portugal defendiam a ilha Terceira em oposição à união pessoal com Castela, no contexto da crise de sucessão de 1580.

Junto à baía existe um monumento a Brianda Pereira, mulher que se destacou durante a contenda. Conta a lenda que as mulheres lideradas por Brianda venceram os espanhóis soltando uma manada de touros bravos, obrigando o exército a retornar às embarcações e a retirar. Graças a este acontecimento a ilha Terceira conseguiu resistir aos invasores durante mais dois anos. Período em que a ilha Terceira foi o único território português independente.
Actualmente o lugar está transformado em zona de lazer, tendo nas suas imediações um parque de campismo, um porto de pequena dimensão e uma piscina natural.



Museu do Vinho – Biscoitos


O Museu do Vinho é um museu particular nos Biscoitos, onde tivemos oportunidade de conhecer melhor a vinha, tão característica desta região, porque é cultivada em terrenos de pedra vulcânica, a produção do vinho, toda a maquinaria implicada no processo, e provar o magnífico néctar.
O dono do Museu e da adega, senhor muito prestável e comunicativo, teve a amabilidade de nos acompanhar na visita, prestando todos os esclarecimentos, relatando as dificuldades com que se deparam nesta actividade, e contando-nos a história da família, há muito ligada à produção do vinho. E não podia faltar a prova do delicioso vinho dos Biscoitos (o licoroso) na adega.


Terminámos o dia na Ponta do Queimado com um arrebatador pôr-do-sol.

Ponta do Queimado
Também conhecido por Ponta da Serreta, é um promontório e o ponto extremo ocidental da ilha. Estende-se por cerca de 100 metros adentro do mar, caracteriza-se por altas fragas e algumas grutas, e está localizado na freguesia da Serreta. Aqui encontramos também o Miradouro da Ponta do Queimado.




 
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DIA 3
• Percurso das Baías de Agualva
• Praia dos Biscoitos
• Almoço na Praia dos Biscoitos – Restaurante Porto dos Biscoitos
• Serra de Santa Bárbara
• Monte Brasil
• Furnas do Enxofre
• Lagoa do Negro
• Algar do Carvão
• Caldeira Guilherme Moniz
• Miradouro dos Altares
• Jantar no Restaurante Beira Mar em S. Mateus da Calheta


PR2TER/ Baías da Agualva

A manhã começou na Serra de Santa Bárbara, onde o nevoeiro nos impediu de usufruir da magnífica vista. Seguimos até Agualva, já com um céu limpo e um sol radioso e o objectivo de percorrermos o belo trilho das Baías de Agualva.



O PR2TER/ Baías da Agualva, é um trilho linear, fácil e com uma extensão de 4km. Não fizemos o percurso todo, mas quase todo, e demorámos cerca de 1:30m a percorrê-lo, com calma e sempre a apreciar a paisagem.









Para descansar da caminhada, nada melhor que um bom banho na Piscina natural dos Biscoitos. Almoçámos (muito mal, a pior refeição na ilha), junto às Piscinas, no Restaurante Porto dos Biscoitos.

Piscina natural dos Biscoitos

Conjunto de formações geológicas marítimas, com origem em escoadas de lava de erupções vulcânicas, que ao entrarem em contacto com a água do mar, e com as diferenças de profundidade, deram origem a curiosas formações geológicas que a abrasão marinha, ao longo do tempo, se foi encarregando de acentuar. Em 1969, aproveitando-se a disposição natural destas formações, criou-se a zona balnear dos Biscoitos, que foi sendo melhorada ao longo dos anos.







De tarde subimos novamente até ao interior da ilha para visitarmos as Furnas do Enxofre, que não deslumbram, a Lagoa do Negro, com muito pouca água, o Algar do Carvão e a Caldeira Guilherme Moniz.

Furnas do enxofre


Localizam-se na freguesia do Porto Judeu, e constituem-se em um campo fumarólico, ou seja, numa área que compreende diversas saídas de gases vulcânicos agressivos, a diversas temperaturas, algumas bastante elevadas.


Algar do Carvão
Decidimos não visitar a Gruta do Natal, mas ficámos absolutamente encantados com o Algar do Carvão. O ingresso de entrada custa €12, mas merece cada cêntimo. Sobretudo para que ajude a conservar a beleza daquele lugar.

É uma cavidade vulcânica localizada na freguesia do Porto Judeu, e inserida na Caldeira Guilherme Moniz, um antigo vulcão adormecido. Descendo cerca de 100 metros de profundidade através de uma entrada artificial desenvolvida para esse fim (túnel) podemos observar as estalactites únicas no mundo pelas suas características de silicatos, e uma lagoa subterrânea de águas cristalinas. Está classificado como Monumento Natural Regional e é um local incrível.




Gruta do Natal



Miradouro dos Altares





Neste dia ainda voltámos aos vários miradouros do Monte Brasil, onde nos maravilhámos com as vistas, terminando o dia num belo jantar no Restaurante Beira Mar em S. Mateus da Calheta.
 
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Antonia.M.S.

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S. Mateus da Calheta

Uma bonita aldeia piscatória e freguesia do concelho de Angra. Conta com um património religioso muito significativo, de que se destacam a Igreja Paroquial de São Mateus e as Ermidas de Nossa Senhora da Candelária, de São Tomás da Vila Nova, de Nossa Senhora das Mercês, de Santo António dos Milagres, de São João Baptista, de São Diogo e São Vicente e a de Nossa Senhora da Luz. Noutros tempos possuiu vários fortes de protecção (agora em ruínas ou já desaparecidos), já que era muito fustigada por ataques de piratas. Tem também uma forte tradição baleeira.








DIA 4
• Miradouro da Cruz do Canário
• Ponta das Contendas
• Porto Martins
• Porto Judeu
• Almoço no Restaurante Boca Negra em Porto Judeu
• Praia da Vitória
• Passeio pelo interior
• Queijo Vaquinha
• Angra do Heroísmo
Sem grandes planos, andámos um pouco na serra pela manhã, mas tivemos de “fugir” porque havia uma prova do Rally, demos um passeio ao longo da costa, e percorremos uma parte do trilho pedestre da Ponta das Contendas.
Depois visitámos Porto Martins e as suas bonitas Piscinas Naturais. O almoço foi no Restaurante Boca Negra em Porto Judeu.


Porto Judeu
A Vila de São Sebastião-Porto (do) Judeu, também designada por Vila de Porto Judeu, é freguesia do concelho de Angra do Heroísmo, e está localizada na costa sueste da ilha. Possui cerca de 2 501 habitantes, segundo o censo geral de 2011, ocupando-se a população activa em actividades diversas como a agro-pecuária, a pesca, construção civil, marcenaria e carpintaria, panificação, restauração e similares e serviços. Tem um porto, uma excelente zona balnear, e um património arquitectónico muito bonito e colorido, em sintonia com o resto da ilha.




Neste dia passámos ainda pelo Miradouro da Cruz do Canário, de onde se obtém uma vista privilegiada para o Ilhéu das Cabras




Ilhéu das Cabras

Considerado o maior ilhéu dos Açores, são duas ilhotas de origem vulcânica, e resultam do contato da lava basáltica com a água, fruto da erupção do vulcão surtseiano, formando assim cones litorais vulcânicos desmoronados pela erosão marinha e por movimentações tectónicas. São hoje um dos ex-libris da Ilha Terceira.
São visitáveis e estão a aproximadamente a 15 minutos do Porto de Angra do Heroísmo. A melhor época para visitar é no verão, com passeios de barcos até ao local, havendo restrição ao número de visitantes. É possível observar a variedade de espécies de aves que fizeram do local o seu habitat, de entre elas o cagarro, o garajau-comum, o garajau-rosado, a garça-real ou a gaivota e outras. Além das aves, destacam-se, ainda, os pequenos cetáceos, como a toninha-brava e tartarugas. Todos estes animais são protegidos por decreto regional.



Piscinas Naturais de Porto Martins
Porto Martins é uma freguesia da Praia da Vitória. As piscinas naturais são das mais procuradas e têm um enquadramento paisagístico fantástico.






O almoço no Boca Negra, foi a alcatra de congro, para a qual não tinha grandes expectativas, mas que é qualquer coisa de extraordinário. Um peixe fresquíssimo e muito saboroso. Os temperos, banha, pedaços de toucinho, vinho e pimenta da Jamaica, conferem a este prato, que só acompanha com pão, um toque único, especial. É uma magnífica experiência gastronómica.

Ponta das Contendas
Outro local magnífico e onde se pode percorrer um dos trilhos pedestres mais conhecidos, e de que fizemos também apenas uma pequena parte, desde a estrada de asfalto até ao miradouro com vista para o Farol das Contendas e Ilhéu das Cabras.


No final do almoço fomos conhecer um pouco melhor Porto Judeu, e seguimos para a Praia da Vitória.
Parámos pelo caminho sempre que a paisagem ou o lugar o justificava. Na Praia da Vitória tinha-nos faltado o Miradouro do Facho e fomos até lá acima, apreciar a magnífica paisagem que o lugar oferece.

Serra de Santa Bárbara

Voltámos pelo interior da ilha, fomos novamente à Serra de Sta. Bárbara, que se apresentava sob um céu limpo, na ilusão de que talvez fosse generosa. Mas não, lá no topo concentravam-se meia dúzia de nuvens abaixo de nós que nos voltaram a impedir de usufruir do maravilhoso cenário.



É o ponto mais alto da ilha. Eleva-se a 1 021 metros acima do nível do mar e é constituída pelos restos de um vulcão inactivo e o maior da ilha. Em dias limpos oferece uma das vistas mais espectaculares da Terceira.




Descendo da Serra seguimos à Canada do Pilar, para visita à fábrica do queijo Vaquinha. Provámos e comprámos, mas não ficámos deslumbrados com este queijo. O meu preferido dos Açores é mesmo o de S. Jorge, de sabores intensos.

De regresso a Angra, o resto do dia foi passado a passear pela cidade. Jardim Duque da Terceira, Porto e Centro Histórico. Decorria na ilha o Rally Ilha Lilás que terminou no final desse dia em grande festa no largo da Câmara Municipal.
 
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Antonia.M.S.

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DIA 5 - Angra do Heroísmo

Este seria o último dia da nossa visita, com voo para Lisboa ao final da tarde. Pareceu-nos por isso o dia ideal para dedicar à cidade de Angra do Heroísmo.

A linda capital da Ilha Terceira, classificada desde 1983 como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, é uma cidade de cores vibrantes aninhada entre o azul intenso do Atlântico e o verde vivo dos montes que a envolvem. Vista do alto do Monte Brasil, parece uma miniatura encantada onde nada foi deixado ao acaso.

Como ficámos alojados na capital fomos aos poucos, a cada dia, conhecendo melhor a cidade, que nos conquistou à primeira e que ficou no nosso top 10 das cidades mais bonitas de Portugal.

Para além de todos os atractivos turísticos, Angra do Heroísmo conta com um passado histórico assinalável. O seu heroísmo face ao domínio castelhano foi notório, tendo mesmo sido a sede do governo do país entre 1580 e 1583. Com a rendição das forças Espanholas em 1641, granjeou o título de “sempre leal cidade”. O topónimo “Heroísmo” deriva das lutas liberais do século XIX, onde Angra do Heroísmo se debateu fortemente pela defesa dos ideais de liberdade. Os Fortes do Castelo, de São João Baptista e o de São Sebastião foram os guardiões da cidade ao longo dos séculos, e são hoje monumentos de interesse público.
Há muito para ver e conhecer na cidade. Parques, jardins, praças, museus, igrejas, conventos, teatros, espaços desportivos e várias infraestruturas de lazer não faltam.

Comecemos pelas ruas. Desde o centro histórico aos bairros mais afastados do coração da cidade.


Percorrê-las, e apreciar o imenso e rico património arquitectónico que as ladeia, é como passear pelo arco-íris.


Praça Velha


Câmara Municipal



Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro



Porto das Pipas




Marina



Monumento ao Touro



Praça de Touros



Jardim Duque da Terceira

No centro da cidade destaca-se um dos jardins mais afamados do arquipélago, o Jardim Duque da Terceira criado em 1882, por iniciativa do Governador Civil Afonso de Castro, que ocupa uma área de cerca de 17 500 m2. Foi construído nas antigas cercas dos Conventos Franciscano e Jesuíta, que se localizam nas proximidades e inclui uma grande variedade de espécies botânicas que se dispõem ao longo da encosta que conduz ao alto da Memória, um belo miradouro sobre a cidade.


Monte Brasil
A cidade multiplica-se em pontos de interesse e locais de visita obrigatória, e a visita ao Monte Brasil, um dos ex-libris da cidade, é um deles. Podemos fazê-lo a pé, através do trilho Monte Brasil PRC4TER, ou de carro.


As paisagens que vamos encontrando de um lado e de outro do Monte, nos seus diversos miradouros e em ângulos de visão que por vezes rondam os 360º (sobre Angra e a Serra do Cume, o mar e o Ilhéu das Cabras ou a S. Mateus da Calheta e a Serra de Santa Bárbara), são absolutamente magníficas. Os miradouros do Monte Brasil são muito procurados pelas paisagens que proporcionam e merecem destaque.

• Miradouro do Pico das Cruzinhas
• Miradouro do Pico Zimbreiro
• Miradouro do Pico da Quebrada - Vigia da Baleia
• Miradouro do Pico do Facho
• Miradouro do Alto da Caldeira
 
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Antonia.M.S.

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A cidade vista a partir do Monte Brasil







Ao fundo, S.Mateus da Calheta




O Monte Brasil visto da marina



Se ao longo da semana fomos aproveitando para conhecer aos poucos o exterior da cidade, o domingo, último dia da nossa estadia foi dedicado às visitar igrejas, museus e outros monumentos.

Palácio dos Capitães-Generais



Castelo de São Filipe / Forte de São João Batista


Forte de S. Sebastião, hoje Pousada

As principais igrejas da cidade

As igrejas de Angra, a par do casario, são um elemento fundamental no colorido da cidade.

Sé Catedral


Igreja de Nossa Senhora da Conceição



Igreja de Nossa Senhora dos Remédios



Igreja da Misericórdia




Igreja de Nossa Senhora da Guia ou Igreja do Convento de S. Francisco



Igreja de Nossa Senhora do Carmo



Ermida de Nossa Senhora dos Remédios

 
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Antonia.M.S.

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Para além da beleza assinalável, Angra agrega um conjunto de aspectos que a tornam muito especial. Dispõe de um património muito rico e é uma cidade vibrante, onde não faltam actividades culturais e de entretenimento. Fomos em meados de setembro, e todos os dias, ao serão, decorreram concertos de música nas principais praças. Decorreu também o Rali Ilha Lilás, o principal da Ilha.




Também há muito comércio e vasta oferta na restauração.






Alguma informação/ dicas sobre a Ilha Terceira

É a segunda ilha mais habitada dos Açores, com 56 437 residentes (dados de 2011), faz parte do Grupo Central do arquipélago composta por 5 ilhas, a mais a Leste, e a ilha mais próxima é a de São Jorge, a 37,9 km de distância. O ponto mais elevado da ilha situa-se na Serra de Santa Bárbara aos 1021 m de altitude.
Quanto tempo ficar? Para quem pretende aproveitar ao máximo as potencialidades, fazer algumas caminhadas e usufruir das muitas e fantásticas piscinas naturais, oito dias será o ideal. Para quem pretende apenas conhecer os principais pontos da ilha, 3 a 4 dias bastam seguramente.
Alojamento: Não achei muito barato o alojamento. Nós fomos em setembro, mas reservei vários meses antes de ir (com possibilidade de alterar mas os preços no geral não se alteraram), e pagámos €50/noite num B&B: Angra Bed & Breakfast. Bem situado, a cerca de 10 minutos a pé do centro da cidade, mas caro para o que oferece. Ainda que a decoração seja aprimorada, com uma sala de refeições e sala de estar muito elegantes, à excepção da suite, os quartos são muito pequenos, e nas casas de banho mal cabe uma pessoa. O pequeno almoço é também muito básico. Talvez por a nossa estadia ter coincidido com o rali, os preços estivessem mais altos, porque até há bastante oferta.
Gastronomia: A gastronomia da ilha é muito rica e as opções de restauração são imensas. Das nossas experiências merecem destaque o Caneta (reservem sempre), o Boca Negra, o Fonte das Sete Bicas e o Beira Mar. Também estivemos na Taberna do Roberto que é agradável e tem boas revues, mas estando o restaurante quase vazio, por telefone não garantiram mesa, e achámos caro para o que oferece (uma dose de peixe ronda os 18, 20 €). O Ti Choa com muita pena nossa estava fechado para férias.
Como visitar: Sem dúvida que alugar carro é indispensável.

Principais trilhos pedestres:
• Passagem das Bestas PRC7 TER
• Rocha do Chambre PRC6TER
• Baías da Agualva PR2TER
• Fortes de São Sebastião PR5TER
• Mistérios Negros PRC1TER
• Monte Brasil PRC4TER
• Relheiras de São Brás PRC8TER
• Serreta PRC3TER

Zonas balneares: Pode consultar aqui as principais Praias e piscinas naturais da ilha.

O que não perder / Principais lugares a visitar na ilha
Aqui depende do que cada um valoriza. A paisagem é toda ela um postal e onde as vistas da Serra do Cume e de Santa Bárbara ocupam lugar de destaque, são autênticos monumentos. O Algar do Carvão é imperdível, um lugar único. Eu perdi-me de amores pela arquitectura e colorido da ilha, pelos Impérios do Divino Espírito Santo, pela gastronomia e pela cidade de Angra. De tradição católica muito arreigada, a ilha está repleta de igrejas, ermidas, conventos e outros pequenos santuários.
• Cidade de Angra do Heroísmo (centro histórico classificado como Património Mundial da UNESCO)
• Monte Brasil
• São Mateus da Calheta
• Agualva (Trilho das Baías de Agualva)
• Farol Ponta das Contendas
• Porto Martins
• Cidade de Praia da Vitória
• Serra do Cume
• Quatro Ribeiras
• Piscinas Naturais de Biscoitos
• Ponta do Queimado
• Reserva natural da Serreta
• Serra de Santa Barbara
• Algar do Carvão
• Furnas de Enxofre
• Gruta do Natal
• Lagoa do Negro
Em Angra:
• Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro
• Convento de São Gonçalo
• Castelo de São Filipe / Forte de São João Batista
• Forte de São Sebastião (actual Pousada)
• Igreja da Misericórdia
• Igreja Nossa Senhora da Conceição
• Jardim Duque da Terceira
• Mercado Duque de Bragança
• Miradouro do Alto da Memória
• Monte Brasil
• Museu de Angra do Heroísmo (e Convento de São Francisco)
• Palácio dos Capitães Generais
• Parque Municipal do Relvão
• Praça Velha
• Porto das Pipas (marina)
• Sé Catedral (Igreja do Santíssimo Salvador da Sé)


Impérios do Divino Espírito Santo
O culto ao Divino Espírito Santo é um dos traços mais marcantes da identidade da Ilha Terceira, materializado nos Impérios, uma espécie de capela, que para além de marcar o quotidiano insular, determina traços identitários que acompanham os açorianos para todos os lugares onde emigraram. O culto do Divino Espírito Santo ocupa um lugar muito importante em países para onde emigraram açorianos, sobretudo na América do Norte, principal destino de emigração do arquipélago. Sobre as origens do culto e dos rituais utilizados, pouco se sabe. A corrente predominante relaciona o culto ao Divino Espírito Santo com celebrações introduzidas em Portugal pela Rainha Santa Isabel, que por sua vez as teria trazido de Aragão, sua terra natal.

Nos Açores, uma das Irmandade de maior referência é a Irmandade do Divino Espírito Santo de São Carlos, em Angra do Heroísmo.

Alguns dos Impérios mais bonitos da Ilha


Podem consultar aqui a rota dos Impérios.

Algumas das igrejas e capelas da ilha


A gastronomia
Devo confessar que me entusiasmou mais a gastronomia de Ilha Terceira do que a de S. Miguel. A alcatra, um dos pratos mais típicos e conhecidos da Terceira, é de facto uma iguaria em todas as suas variantes. Pelo menos nas que provámos.
 
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Antonia.M.S.

Membro Conhecido
Algumas imagens soltas da ilha.



















Adorámos a Ilha Terceira, senhora de uma beleza calma mas arrebatadora, e Angra, a sua capital, é uma cidade especial, que surpreende a cada recanto.
Confesso que mesmo tendo ouvido imensas vezes, de quem já conhecia a Terceira, que iria adorar, e tivesse noção de que são ilhas diferentes, tinha muito receio de vir a fazer sistematicamente comparações com S. Miguel e ficar desiludida. Mas não, de todo! É mesmo uma ilha diferente, com a sua própria beleza.
As casas e as igrejas dão um colorido incrível à ilha, que todavia se veste de verde, numa deslumbrante manta de retalhos salpicada de preto e branco. Como a paisagem, o povo é alegre e caloroso. Não é apenas uma ilha, é um lugar de múltiplos encantos, que se deve visitar sem pressas, no prazer de saborear cada detalhe.
 
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SEDA

Membro Conhecido
Olá @Antonia.M.S. :)
Já tivemos oportunidade de falar sobre esta viagem e, mais uma vez, fico feliz que o meu roteiro possa ter ajudado a construir o seu roteiro (que originou este belo report 😍 )
Eu sou uma apaixonada pela Terceira (talvez por ter sido a minha primeira ilha e por ainda conhecer pouco de São Miguel - apenas Ponta Delgada) e estas imagens deram-me saudades desta ilha maravilhosa :rolleyes:
Um dia destes vou regressar e vou ter em conta algumas das coisas que mencionou e experimentar alguns dos restaurantes indicados (nós conseguimos ir ao Ti Choa e costumamos dizer que vale a pena ir à Terceira só por esse restaurante 😂)
Beijinho e continuação de boas viagens :)
 

Cristina Sousa

Membro Conhecido
Impecável!👌👌
Quando decidir visitar a Terceira, vou ter muito em conta este report, está o trabalho todo feito!
Motivos para ir, o que ver e fotografar não faltam.
Muito obrigada pela partilha, adorei!🤩🤩
 

PauloNev

Moderador Sénior
Staff
Muito obrigado pela partilha.
Um belo report, com grande fotografias a acompanhar de mais um recanto do nosso pais.
Boas viagens ;)
 

PaulaCoelho

Membro Conhecido
Espectacular! 🤩

Adorei a Terceira e adorei o report e as fotos... deu-me vontade de regressar para conhecer melhor pois a minha visita foi apenas de 2,5 dias.
Ainda bem que as dicas foram úteis... esses dias foram muito bem aproveitados! :)
 

Antonia.M.S.

Membro Conhecido
Obrigada a todos/as! O nosso país é pequenino mas tem mesmo muito para oferecer. É um gosto poder partilhar aqui alguns dos lugares mais encantadores.
Um Feliz 2020 e que não nos faltem boas viagens! 😊
 

rmonteiro

Membro Conhecido
Que report bem elaborado. Muito bom ! Acompanhado por excelentes fotografias.
Os meus parabéns e o meu muito obrigado por esta partilha.
 
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